Da sala de aula

Malhação em domicílio: a reinvenção dos profissionais de Educação Física no isolamento social

Professores e alunos apostam em aulas virtuais para não pararem os treinos

Com o fechamento por prazo indeterminado de academias e centros esportivos, por conta da pandemia que vem assolando o mundo todo, profissionais de Educação Física necessitaram se reinventar, com intuito de fazer a roda girar e, paralelamente, manter em boa forma seus alunos. A plataforma virtual se tornou a ferramenta possível para a realização das atividades, seja por meio de lives ou do agendamento com os clientes.

Na ausência dos modernos aparelhos e equipamentos de última geração, garrafas de refrigerante, cabos de vassoura, cadeiras, malas, entre outros utensílios, tornaram-se ferramentas de grande valia como substitutos imediatos, servindo de apoio para execução dos exercícios. Afinal, vale tudo para conservar e cultivar o melhor condicionamento, mesmo estando distante das praças e academias.

É por meio dessas adaptações e de estratégias de comunicação à distância que o professor Guilherme França, 28 anos, natural de Petrópolis (RJ), morador de Vila Isabel e Personal Trainer, tem conseguido uma renda extra enquanto a vida não retoma seu curso natural. “Diante do cenário de incerteza imposto pela pandemia, foi preciso buscar alternativas para se reinventar no mercado”, destaca ele, que divulga seu trabalho junto com um amigo no Instagram (@inspire_s.e/@guifranca92).

No campo do exercício físico, Guilherme conta que muitos profissionais já faziam uso das plataformas online para prescrever treinamentos. “Mas foi algo novo para mim, tendo em vista que meus alunos têm o objetivo de promoção da saúde e enxergam a necessidade do presencial De certa forma, porém, ao mesmo tempo, se mostrou possível realizar os planejamentos de forma virtual sem prejudicar os respectivos objetivos”, garante Guilherme. (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar disso, mesmo com o advento das tarefas via online, Guilherme não deixou de ter sua renda afetada pela interminável crise sanitária. “De fato, com essa pandemia, todos sentimos um pouco. Enfraqueceu para todo mundo, não tem saída. A primeira coisa que a pessoa tira quando a situação financeira aperta é o personal. Infelizmente, perdi um número considerável de alunos”, revela o professor.

Já Francisco Toledo, de 41 anos, natural do Rio de Janeiro, também graduado em Fisioterapia, não tem sentido tanto o impacto financeiro durante o isolamento. Isso porque vem utilizando toda proteção e equipamento de desinfecção necessários para garantir que seus clientes possam ser atendidos em suas casas ou condomínios. Com isso, ele conseguiu até aumentar sua renda fixa mensal.

“Estou atendendo a alguns alunos dentro de suas casas. Uso álcool em gel para esterilizar os equipamentos na entrada e na saída e procuro sempre manter uma distância de dois metros. Com isso tudo, comecei a levantar um dinheiro maior até do que receberia na academia”, conta Francisco, que atende a cerca de 12 alunos, todos na Zona Norte. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele até tentou se adaptar à rotina da virtualização, mas a alta concorrência e a eficácia dos exercícios pesaram na mudança da decisão. “Uma das opções eram as aulas online, mas já tem muita gente trabalhando com isso e muitos alunos acabam não fazendo os exercícios, seja por preguiça ou por falta de acompanhamento adequado. Então, decidi dar as aulas em casa, sempre com toda segurança necessária”, complementa o profissional.

Sem se conformar em manter apenas o próprio sustento, Francisco também buscou ser solidário, e, por iniciativa própria, criou uma campanha de doação de alimentos com outros amigos e alunos para ajudar quem precisa, e obteve êxito até agora. “Poderia ficar inerte e de braços cruzados, mas o lado solidário gritou mais alto”, diz Francisco.

Por outro lado, não somente os professores sofrem com as consequências negativas do novo cotidiano.  Acostumado com a rotina de treinos, Diogo Vieira Pinguelli, de 33 anos, não vê a hora de retomar suas atividades e frequentar a academia, onde faz musculação e exercícios aeróbicos. Respeitando rigorosamente a quarentena, ele é um dos que tentam manter a boa forma dentro de sua residência.

“Tenho aulas online às terças e quintas. Como é in loco, tenho um estímulo maior”, conta Diogo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Embora seja satisfatório para evitar o sedentarismo, este recurso está longe de ser suficiente e ter o mesmo efeito das idas diárias à academia, que são também uma atividade de lazer. “Sinto bastante falta, tanto da musculação quanto de fazer minha esteira de cada dia. A atividade física me ajuda muito, porque formei um ciclo de amizade, e estar com meus amigos inseridos na minha rotina diária ajuda a distrair a mente e combater o estresse”, explica.

Com a reabertura gradual das academias, é preciso pensar em maneiras de minimizar o impacto e o prejuízo causado pela pandemia. Além dos proventos terem diminuído severamente, outro drama enfrentado diretamente pelos educadores físicos é que ainda carecem pagar anuidade do Conselho Regional de Educação Física, o CREF, cujo valor é de R$ 361,90, e o prazo para quitação do débito só foi prorrogado até o mês de agosto.

Em nota, o Conselho se posicionou alegando que não pode deixar de cobrar a anuidade porque é um tributo previsto nas Leis Federais nº 12.197 e 12.514, sob pena de ser considerado renúncia fiscal, e o que poderia ser feito para amortizar tal situação seria adiar os pagamentos, o que foi feito desde o início da crise sanitária.

*Matéria produzida pelo aluno Bruno Sadock para a disciplina Teoria e Técnica da Notícia, ministrada pela professora Maristela Fittipaldi

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

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