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Comportamento

Cariocas descobrem novas formas de celebrar virtualmente durante a pandemia

Improviso e muito carinho dão a tônica das novas formas de comemorar aniversários durante o isolamento social

Mesmo isolados dentro de casa, o tempo continua a passar. Assim, pessoas fazem aniversário, datas como a Páscoa e o Dia das Mães acontecem, e deixar de comemorar não parece uma opção muito boa. Ainda mais para um povo chegado a festas, como é o caso do brasileiro. A alternativa é improvisar dentro de casa, e muita gente descobriu que isso pode ser tão bom quanto festejar fora dela.

Por menor que seja a comemoração, é sempre o bolo que oficializa a festa. A confeiteira Amanda Cerqueira revela que tem recebido um número maior de encomendas de bolos, comparado ao que recebia antes da pandemia.

“Antes as pessoas saíam, iam para uma pizzaria, passavam em uma padaria para comprar uma tortinha. Mas, por agora, isso acabou”, explica. Se a quantidade aumentou, o tamanho diminuiu. “As pessoas não estão encomendando bolos grandes. São sempre para comemorações em casa mesmo, para a família”, diz a confeiteira.

Mas sempre há particularidades quando o assunto é aniversário. Amanda comenta que alguns clientes dividem o quintal com a família, por isso encomendam bolos maiores, enquanto outros simplesmente preferem comprar para guardar para o dia seguinte. Os mais criativos enviam pedaços para os que não puderam ser convidados. De todo modo, o pedido de bolos muito grandes desperta desconfiança, e a confeiteira reconhece quando alguém planeja um “festão” de fato. Ela se recusa a atender tais encomendas. “Seria uma indicação de que realmente vai ter aglomeração, e eu estaria participando se fizesse o bolo”, pondera. 

Evitar aglomeração foi a máxima de Samara Andrade, aniversariante do final de abril. Porém, mesmo isolada, não faltou alegria. “Eu não estava planejando muita coisa, mas as pessoas mais próximas fizeram uma surpresa. Passei o dia todo com minha mãe e com meu pai, pedimos comida em casa, de pessoas autônomas, e meus amigos prepararam uma videoconferência”, conta. Samara explica que a comemoração, inédita para ela, “foi diferente, mas um diferente muito bom. Me surpreendeu bastante”.

Aniversariante, Samara Andrade preferiu comprar de profissionais autônomos as comidas para a comemoração. (Foto: Arquivo Pessoal/Samara Andrade)

A simplicidade muitas vezes é o ingrediente principal dos melhores momentos, e a criatividade também é de grande ajuda. Ao menos foi o que o músico Rodrigo Viegas descobriu durante o atual período, quando uma experiência inusitada resultou em um projeto especial.

“No final da primeira semana de isolamento, uma amiga, que mora fora, veio me pedir para cantar uma música para a mãe dela, que estava com medo, impressionada com a pandemia, e com muita saudade da filha”, conta o músico. Pela originalidade do pedido, ele não soube se deveria ligar, gravar um vídeo ou mandar um áudio para a senhora, então optou pelo contato em tempo real. “Fiz uma vídeo chamada com a mãe da minha amiga e cantei uma música do Lulu Santos para ela. A resposta foi de uma emoção tão grande, tão genuína. Ela me conhece há muitos anos, mas se emocionou como se nunca tivesse me visto”, diz o músico.

Rodrigo deduziu que a intensidade da reação resultou justamente ao contato direto com a homenageada, ainda que por meios digitais. Do acontecido, surgiu a ideia do projeto “Vou Até Você”, no qual músicos cantam, gratuitamente, canções para pessoas queridas dos clientes. Hoje, a iniciativa conta com mais quatro pessoas – Bernardo Ritto, Betta, Cassiano Andrade e Tiago Ramos – e a repercussão surpreende todo o grupo. Familiares e amigos começaram a divulgação, e, nesse ínterim, o “Vou Até Você” já coleciona histórias emocionantes de dedicatórias musicais.

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“A gente ali é uma ponte de amor e de afeto para que as pessoas se sintam melhores ou menos piores nessa loucura toda da pandemia. As pessoas se surpreendem e se emocionam demais durante as ligações, nos emocionamos muito. Depois de anos eu voltei a ficar nervoso por conta de alguma música que vou cantar, sabe? As pessoas vêem que a gente faz com muito afeto para quem estamos ligando, olhando olho no olho. Através de uma câmera? Sim, só que é o que tem, elas compreendem que é o que dá para fazer. É um presente muito especial”, comenta Rodrigo Viegas.

Por vezes, a emoção sequer permite aos músicos finalizar as canções, revela Rodrigo. “O importante é que a mensagem foi passada”, finaliza.

É justamente a mensagem do verdadeiro amor a única remanescente dos tempos difíceis do presente, passado e futuro. Como em votos de casamento, sigamos a amar, durante a ameaça da doença, aqueles que amamos nos tempos de plena saúde. Quem ainda não sabe o que é o amor, pode encarar o momento como uma excelente oportunidade para conhecê-lo.

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