Cidade

Coronavírus: organizações civis e governo estadual ajudam famílias carentes

ONGs e escolas de samba prestam assistência focada nas necessidades decorrentes do isolamento social

O fechamento de empresas e as consequentes demissões em massa, ambas decorridas da pandemia de Covid-19, resultaram em grave situação para muitas pessoas: a fome. Em reconhecimento a tal efeito colateral das medidas de isolamento, o Governo do Estado do Rio de Janeiro deu início à distribuição de cestas básicas para famílias de baixa renda no dia 09 de abril. Antes, contudo, da iniciativa estatal, organizações civis já haviam identificado a necessidade de alimentos nas casas mais pobres, e se esforçaram para atendê-las. 

As necessidades de acolhimento, de informação e de comida já existiam antes da pandemia, mas esta potencializou os casos pré-existentes, além de acrescentar mais gente à lista. Quem era acostumado a olhar e socorrer pessoas carentes não teve alternativa, senão adaptar o voluntariado à nova realidade. Este é o caso de Cláudia Dantas, idealizadora do projeto “Anjos de Asas no Mundo Azul”, direcionado à famílias de crianças com autismo.

Criada em 2011, a ONG é fruto da própria experiência de Cláudia, mãe de criança com autismo, que percebeu a falta de amparo à responsáveis por filhos com transtorno do espectro autista. “Eu não tinha conhecimento do autismo, e me faltou muito acolhimento. Então, comecei uma roda de conversas com mães mais experientes do que eu e isso foi crescendo”, relata. Hoje, o projeto atende 60 famílias, é vinculado ao Viva Rio e Ação da Cidadania e conta com a parceria de profissionais da saúde e da educação. 

ONG Anjos de Asas no Mundo Azul promove acolhimento e assistência a mães de crianças com autismo. (Foto: Reprodução/Instagram)

Após o decreto das medidas de isolamento no Rio, a iniciativa se tornou mais abrangente. Ao ver pais e mães desempregados ou impedidos de trabalhar e moradores de rua, a “Anjos de Asas” decidiu ser parte da solução. Preparo e distribuição de cestas básicas e quentinhas foram integrados à rotina. Para os voluntários, que saem de casa por uma razão mais do que nobre, o medo de ser contaminado pelo coronavírus é real. Segundo Cláudia Dantas, todos procuram usar máscara e luvas durante o trabalho. “Vou te falar, olhar aquele sorriso e o brilho nos olhos compensa muito!”, comenta. Para eles, o risco vale a pena.

Voluntárias preparam as comidas para serem distribuídas
(Arquivo pessoal/Anjos de Asas)

As 150 cestas básicas distribuídas até agora trouxeram histórias inesquecíveis como pagamento, mas nem todas são felizes. Emocionada, Cláudia relata sobre crianças cujos pais estavam drogados quando receberam os alimentos e casas sem estrutura abrigando oito pessoas em apenas uma cama. Ainda assim, a gratidão por conseguir ajudar pessoas necessitadas é imensa. A distribuição de chocolates para crianças com autismo não aconteceu este ano, mas a campanha em curso é igualmente doce.

“Não teve Páscoa na Anjos de Asas, mas tivemos coisa maior. Conseguimos doar alimento para as pessoas”, explica a idealizadora da ONG.

O primeiro caso noticiado de coronavírus chegou na quarta-feira de cinzas, e as escolas de samba não descansaram quando acabou o carnaval. Em meio à ansiedade, desemprego e necessidade que permeiam a pandemia, agremiações como Beija-Flor, Mangueira, Salgueiro, Império da Tijuca, Paraíso do Tuiuti, Lins Imperial e Estácio de Sá deixaram o samba de lado para cuidar das comunidades que as construíram.

Nos 9km² do município de Nilópolis, na Baixada Fluminense, a Beija-Flor funciona como elemento de identidade regional, mesmo para quem não é diretamente envolvido com carnaval. Segundo o vice-presidente da agremiação, Almir Reis, a recíproca é verdadeira. Há cerca de 10 anos, a escola realiza distribuição de alimentos e mantém um instituto de promoção de atividades culturais, esportivas e profissionalizantes para a população local.

Voluntários da Beija-Flor utilizam máscaras de proteção ao distribuir alimentos para moradores de rua em Nilópolis. (Foto: Arquivo Pessoal/Almir Reis)

Os mesmos motivos que levaram a “Anjos de Asas” a adaptarem a rotina, levaram a Beija-Flor para a produção e distribuição de máscaras caseiras no trabalho social. “Quando vemos fila em lotéricas e bancos, entregamos máscaras e explicamos às pessoas que elas precisam usar”, explica o vice-presidente da escola. “Vamos tentando conscientizar as pessoas de que a situação é muito mais séria do que eles imaginam”, completa. A iniciativa abrange outros municípios da Baixada e já firmou parceria com projetos da Zona Sul carioca, para distribuição de máscaras nas favelas da região.  

Atuar em comunidades propõe desafios diferentes às instituições de caridade. Almir explica: “Você tem que entender o seguinte: comunidade, não que a gente não tente, eu tento demais. Eu falo, eu converso, eu explico: ‘gente, fica em casa’, enquanto fica todo mundo na porta. Mas é difícil demais convencer eles de que tem que fazer a fila direitinho, ficar afastado. Mas eu até entendo. O desespero é tão grande, você vê nos olhos deles, eles querendo algo pra levar pra casa. Eu vi gente chorando igual criança porque recebeu uma cartela de ovos. Tem noção do que é isso?”

Voluntários da Beija-Flor realizam istribuição de quentinhas em Nilópilis.
(Arquivo Pessoal/Beija-Flor)

De cestas básicas a máscaras, passando por chocolates e quentinhas, as iniciativas voluntárias fazem a diferença na vida de pessoas cujo inimigo mais próximo, ou pelo menos mais visível, é a fome, não o vírus. A pandemia de Covid-19 expôs fraquezas e necessidades do ser humano que muitos sequer lembravam. Todavia, o amor ao próximo tem sido elo de lembrança a respeito da humanidade que permanece em cada indivíduo, mesmo em tempos sombrios.

Isabela Jordão – 7º período

2 comentários em “Coronavírus: organizações civis e governo estadual ajudam famílias carentes

  1. Bem antes do COVID19 já havia pessoas doentes e morrendo em hospitais; notamos pelas fontes que no Rio de janeiro e são paulo existem hospitais dando laudo médico ou atestado de Óbitos sem ser provados esse virus. há Relatos de pacientes com doenças antigas serem medicadas no hospital do Rio de janeiro, serem forçadas assinar que está com COVID19. é de notar que tudo isso são fraudes torcidas manipuladas por governos de estados para manchar a Imagem do presidente.

  2. Pingback: Coronavírus: Empresas automobilísticas produzem insumos para ajudar no combate ao vírus | Agência UVA

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