Economia

Segundo analista, PIB fraco denuncia dificuldades de gestão do governo

Para professor da UVA, o resultado é frustante, revelando inabilidade política da gestão de Bolsonaro. (Foto: Reprodução/Jornal da Câmara)

Na última quarta-feira (04) o IBGE divulgou o crescimento do Produto o Interno Bruto – PIB do Brasil – de 2019, com o valor de 1,1% em relação ao ano de 2018. Este valor representa que a economia brasileira ficou abaixo das expectativas do mercado, embora as projeções dos especialista já apontassem para este resultado.

O PIB brasileiro é a soma de todas as riquezas (bens e serviços finais) produzidas no país durante um ano e é calculado levando-se em conta o desempenho de vários setores da economia como agropecuária, indústria e serviços. Em valores absolutos, o PIB 2019 somou 7,257 trilhões de reais.

Conforme análise de Rebeca Palis, Coordenadora das Contas Nacionais do IBGE, os três anos de resultados positivos, (2017 e 2018 com 1,3% e 2019 com 1,1%) não anularam as quedas de 2015 (-3,5%) e 2016 (-3,3%) e o PIB está no mesmo patamar do primeiro trimestre de 2013.

Análise da conjuntura econômica

Para Fernando Padovani, professor de Economia Internacional da UERJ e da Universidade Veiga de Almeida, o resultado é sobretudo frustrante considerando-se o fato de a economia estar em retração desde 2012, portanto, há quase uma década de maus resultados econômicos.

Comparado com os resultados de outras economias emergentes, indica regressão comparativa e uma enorme perda de tempo para o Brasil. Mas, o mais preocupante, assinala Padovani, é constatar que a dinâmica de retomada do crescimento ainda não está lançada.

Perguntado sobre a influência da economia internacional no resultado do PIB brasileiro, Padovani respondeu: “Na minha opinião, a conjuntura externa apenas potencializa as tendências domésticas, tornando mais graves os retrocessos e mais fortes os avanços. Os maus resultados de 2019 podem ser creditados ao governo Bolsonaro, que não criou o ambiente necessário à estabilidade, ao aumento da confiança e, consequentemente, dos investimentos. “

Silos, Indústria, Arquitetura, Agricultura, Alimentos
PIB cresceu apenas 1,1% com relação ao ano de 2018. (Foto: Reprodução/Pixabay)

Sobre o baixo desempenho da indústria (0,4%), Padovani comentou:

O principal fator de desestímulo á produção industrial foi a instabilidade política, que atingiu a confiança e o otimismo, elementos determinantes para as decisões coletivas de investimento. Sem investimentos, não há ampliação da atividade econômica e os agentes parecem estar “andando de lado”, apenas sobrevivendo.

O fato que pode atenuar o desempenho do governo é que o ano de 2019 pode ser dividido claramente em duas metades bem diferentes: crescimento zero no primeiro semestre e crescimento de 1,5 % no segundo semestre, quando as medidas na economia começaram a ser implementadas.

Sem investimentos, não há ampliação da atividade econômica e os agentes parecem estar “andando de lado”, apenas sobrevivendo.

Exemplos dessa instabilidade são as indefinições, os impasses nas negociações entre o executivo e o Congresso Nacional. As brigas e radicalizações na articulação política do governo que parecem, ainda hoje, não terem saído da estaca zero.

Uma das mais importantes contribuições dos governos para a economia é construir um ambiente de otimismo para a sociedade, que viabilize a retomada o consumo. Trata-se de um elemento psicológico, comportamental, mas é uma varável vital para uma boa performance coletiva no campo econômico.

Expectativa para o crescimento do PIB em 2020

Padovani enxerga três ameaças ao crescimento econômico do Brasil neste ano, duas externas e uma interna. As ameaças externas são de natureza geopolítica, originadas pela eleição norte americana (disputas internacionais) e pela possível paralisia causada pela epidemia do Corona Vírus.

A ameça interna, real e presente, é a inabilidade política do atual governo, mais propenso a criar incertezas mediante intermináveis polêmicas. Os elementos positivos que convidam ao crescimento são os bons fundamentos econômicos como contas do governo equilibradas, inflação baixa e juros baixos, capazes de incentivar o investimento e, consequentemente, a geração de uma espiral positiva de crescimento.

A questão é: as condições positivas vão se sobrepor às forças negativas?

Apesar do momento atual de pessimismo, Padovani acredita que os sinais (tênues) de retomada vão provocar uma faísca de otimismo e dar início (lentamente) a um novo círculo virtuoso de mais investimento, mais renda, mais consumo (ou seja, mais crescimento), até pela longa duração da estagnação econômica e sofrimento vivido pelo provo brasileiro nos últimos oito anos. No entanto, adverte: “É prudente não subestimar a capacidade incomparável do atual governo de gerar instabilidade”.

LEIA MAIS: Com o terceiro trimestre no negativo, indústria beira a recessão.

Francisco V. Santos – 7º período

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