Internacional Política

Argentina e Uruguai terão domingo decisivo nas urnas

Países viverão eleições polarizadas neste 27 de setembro. Pleitos ocorrem em momento conturbado de tensões e crises na América Latina

Argentinos e uruguaios vão às urnas neste domingo (27) para eleger seus próximos presidentes da República, legisladores e parlamentares do bloco do Mercosul, no 1º turno eleitoral. Os pleitos ocorrem em meio a uma crise econômica, democrática e ambiental que vive o continente sul-americano. Um eventual 2º turno nos países será em 27 de novembro. Na terra dos hermanos, ao qual 34 milhões estão convocados para votar, dois modelos antagônicos de governo tem a missão de superar a pior crise econômica do país há 17 anos, além de pacificar o clima de turbulência política e social na região.

De um lado, o atual presidente liberal Mauricio Macri almeja a reeleição, tentando reverter o resultado negativo obtido nas primárias de 11 de agosto. No referente pleito, que serve apenas para definir os partidos e candidatos habilitados para participar das eleições gerais, Macri ficou quase 17 pontos atrás do adversário peronista de centro-esquerda Alberto Fernández (32,9% a 49,4%) que, por sua vez, tem em sua chapa Cristina Kirchner, chefe de estado argentina entre 2007 e 2015. No país, é necessário 45% dos votos ou 40% e 10 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado para vencer em 1º turno.

Último debate antes do 1º turno na Argentina, realizado na última segunda (21/10) com todos os candidatos. Ao centro, Mauricio Macri e Alberto Fernández.
(Foto: Twitter/Alberto Fernández).

Para a mestranda do programa de pós graduação em relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Beatriz Maciel, os problemas que Macri vem enfrentando em seu governo são fatores que comprometem sua candidatura à reeleição. “A intensa recessão econômica deste último ano e os recorrentes cortes em benefícios sociais fizeram com que o partido peronista, oposição, ganhasse força e espaço no cenário argentino”, avalia. Beatriz afirma ainda que os candidatos apresentam visões totalmente distintas no que tange à economia.

“Nesse sentido, o que se espera de Macri é que ele dê continuidade às medidas econômicas neoliberais; já Fernández, algo mais alinhado às políticas praticadas por Cristina e Nestor (ex-presidente que inaugurou a era kirchnerista), centradas no controle dos problemas sociais”, complementa.

No Uruguai, aonde 2,7 milhões estão aptos para votar e que para vencer em 1º turno é necessário 50% dos votos mais um, as pesquisas apontam para uma disputa ainda mais acirrada, porém com certa vantagem para o opositor de direita, do Partido Nacional, Luis Lacalle Pou. Se vencer, o nacionalista – muitas vezes comparado a Macri – romperá os 15 anos de governo de esquerda agrupada no partido Frente Ampla, representado neste pleito por Daniel Martínez. Apesar disso, por conta da falta de coesão na direita uruguaia, as novidades podem não ser positivas numa eventual vitória de Lacalle Pou, comenta a mestranda de Relações Internacionais da UERJ, Beatriz Maciel.

Luis Lacalle Pou e a candidata a vice, Beatriz Argimon, em comício eleitoral.
(Foto: Twitter/Lacalle Pou)

“Disputas entre dirigentes dos partidos podem ameaçar a governabilidade do candidato de direita. Já Daniel Martinez, que apresenta um perfil bem diferente para os de esquerda, terá que enfrentar a difícil missão de governar próximo de Pepe Mujica, ex-presidente (2010 a 2015) e líder de grande carisma no país. Independentemente do resultado, há desafios que inevitavelmente trarão surpresas”, pondera.

Diplomacia em alerta

Diante da provável vitória de Alberto Fernández, Argentina e Brasil podem passar a tomar atitudes divergentes quanto a temas geopolíticos relevantes da América Latina, como as decisões do Mercosul e a crise na Venezuela. Isso porque os recentes ataques de Bolsonaro ao candidato kirchnerista corroboram para um distanciamento do Brasil em relação a um eventual futuro governo argentino de centro-esquerda. Para o analista internacional especializado em Mídia e Política pela UERJ, Eduardo Monteiro, o tensionamento da relação bilateral dos países traz consequências negativas principalmente para o Brasil.

“O segundo parceiro comercial mais forte do Mercosul é a Argentina, e se o Brasil quiser se afastar dela, vai se distanciar consequentemente do bloco. Isso é ruim para a economia brasileira, pois temos um comércio superavitário com as nações que o integram”, analisa.

Com relação à crise venezuelana, Eduardo acredita que o Brasil deve manter a posição de distanciamento que vem adotando para com o país, independentemente de quem for eleito na Argentina. “Já por lá, em um eventual governo de esquerda, acho que pode-se até tentar moldar um cenário de concertação na Venezuela, mas não vejo como algo que deve ser resolvido a curto prazo”, comenta. Outro ponto é a ascensão comercial da China na região, o que Eduardo não enxerga como um empecilho para o Brasil.

“Por mais que eles tenham um partido comunista único, acredito que a burguesia brasileira valoriza a presença chinesa no país, pelos altos investimentos que ela traz para a área do minério e o apoio à siderurgia”, exemplifica.

Diante de questionamentos, Evo Morales é reeleito na Bolívia

Em meio a polêmicas, a acompanhada apuração voto a voto da eleição presidencial na Bolívia, que ocorreu no último domingo (20), chegou ao fim na última sexta (25) e apontou o presidente Evo Morales reeleito em 1º turno. O fim da contagem era esperado com atenção pelo fundador do partido Movimento para o Socialismo, pois para vencer na 1º volta do pleito é preciso obter mais de 40% dos votos com, no mínimo, 10% de diferença do segundo colocado. Evo, por fim, contabilizou 47,% e Carlos Mesa, seu principal opositor, 36,5%, gerando um resultado apertado.

Nesse cenário polarizado, não faltaram acusações de ambos os lados, principalmente de Mesa, que caracteriza o resultado como fraudulento e vem convocando seus apoiadores a reivindicar por um 2º turno. A medida também é defendida pela Missão de Observação da Organização dos Estados Americanos, que afirma ter havido falhas no armazenamento das urnas e na contagem do Tribunal Eleitoral. Se confirmado, esse será o 4º mandato consecutivo de Evo Morales. Se não, o 2º turno das eleições será realizado em 15 de dezembro. Nesta sexta (25), grupos incendiaram a sede da Justiça Eleitoral em seis estados bolivianos como forma de protesto a reeleição do presidente.

Leandro Victor – 7º período

Estudante de jornalismo apaixonado pelas causas sociais e pelo que envolve o cenário político-econômico =)

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