Saúde

Desnutrição e obesidade marcam a infância da população mundial

Relatório da Unicef aponta situação alimentar e nutricional das crianças

Problemas alimentares prejudicam 227 milhões de crianças, dentre o total de 676 milhões da população infantil mundial de 2018. É o que aponta o relatório do Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef), Situação Mundial da Infância 2019: Crianças, alimentação e nutrição, publicado nesta terça-feira (15). O levantamento indica que uma em cada três crianças menores de 5 anos de idade está desnutrida ou com sobrepeso.

O estudo da Unicef, criada em 1946 para assegurar os direitos humanos das crianças e adolescentes, revela que, mundialmente, a desnutrição crônica leva 149 milhões de crianças a apresentarem atraso no processo de crescimento. Já a desnutrição aguda, faz com que 50 milhões apresentem sinais de magreza em relação à estatura.

Unicef busca assegurar os direitos humanos da população infantil
(Foto: Reprodução/ Twitter)

A nutricionista Carolline Miranda informa que esses dois tipos de desnutrição apresentam riscos em diferentes fases da vida das pessoas. “A desnutrição ocorre quando a criança tem uma baixa estatura para a idade. Para que chegue neste ponto, geralmente, ela já passou por um fator de risco quando a mãe estava grávida, durante a lactação ou até nos seus primeiros anos de vida”, explica. Deste modo, de acordo com a nutricionista, a criança poderá ter diversos comprometimentos cognitivos, psicológicos e de desenvolvimento físico, como dificuldades de aprendizagem, infecções e complicações durante a vida adulta.

Já a desnutrição aguda pode acontecer em qualquer momento e os sintomas podem ser revertidos quando a pessoa volta a consumir o aporte de vitaminas, micro e macronutrientes adequados, segundo a profissional. “Pode acontecer por conta de uma doença ou por ficar algum tempo sem se alimentar, mas não afeta tanto o estado da pessoa no futuro”, relata Carolline.

Esta condição de insuficiência alimentar pode ser explicada por uma questão social, já que os países pobres são mais afetados. Apesar disso, tanto a obesidade quanto a subnutrição podem ser encontradas numa mesma localidade, como aponta o estudo. Dados mostram que 340 milhões de crianças têm carências alimentares, sofrendo com a fome oculta, principalmente, devido a não ingestão de verduras, frutas e alimentos de origem animal. Assim, elas não recebem, por exemplo, as vitaminas A e C e os minerais ferro e iodo.

“A desnutrição é causada geralmente por uma privação do alimento ou pode ser gerada por algumas patologias. Ainda temos indivíduos no Brasil que vivem em extrema pobreza e consequentemente têm difícil acesso aos alimentos”, ressalta a nutricionista Carolline. As consequências dessas carências podem ser graves para a saúde. “A desnutrição na infância irá causar diversos prejuízos não só durante esse momento, mas também, na vida adulta. Já se sabe que a infância, por meio da programação metabólica, impacta diretamente a fase adulta”, relata a especialista em nutrição ortomolecular.

Os índices alarmantes não são apenas sobre a desnutrição. O relatório expõe que 40 milhões de crianças estão acima do peso ou obesas. Esta situação é caracterizada pelo aumento do IMC, mas isso não significa que os nutrientes ingeridos são de qualidade, como informa a nutricionista.”Na infância também podemos observar uma deficiência de vitaminas e minerais, que geralmente é causada pelo aumento de alimentos industrializados e pobres em fibras. A obesidade está associada com o aumento de doenças crônicas não transmissíveis e isso impacta não só o ser humano, mas podemos observar o quanto é custoso para a saúde pública o avanço dessas doenças”, explica.

Esta realidade já afeta a população brasileira. Um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado este mês, revela que o sobrepeso está fazendo com que os brasileiros vivam 3,3 anos a menos do que a média esperada, levando o país a ficar acima da normalidade, se comparado a outros países. Os hábitos alimentares do mundo globalizado podem ser uma das causas para este índice.

Uma das formas de reverter este quadro insatisfatório é promover a conscientização dos prejuízos que uma dieta não equilibrada pode causar, como pressupõe a nutricionista Carolline. “A nutrição é essencial hoje, principalmente no que tange a educação nutricional em crianças e adolescente, assim como conscientizar os adultos dos problemas que uma alimentação inadequada pode acarretar na vida das crianças”, garante.

Júlia Reis – 6º período

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