Cidade Geral

Manifestantes fazem ato na Alerj contra governador e ações da PM no Rio

Protesto foi convocado pelas redes sociais com a hashtag #ParemDeNosMatar, pregando o fim da violência nas favelas e contra a juventude negra

Diversos coletivos populares e moradores do Complexo do Alemão protestaram pelo fim da violência policial nas favelas nesta segunda-feira (23), em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O protesto foi organizado pelas redes sociais e marcado para acontecer às 17h, e terá também a participação dos pais da jovem Ágatha Félix, morta após ação da polícia. A principal reivindicação é que as autoridades mudem a política de segurança pública na cidade, que já causou número recorde de mortes em 2019, tanto de policiais quanto de inocente, incluindo 5 crianças.

Protesto em frente à Alerj, com presença de entidades e partidos políticos, pedia a paz nas favelas
(Fonte: Victor Leal)

Algumas das pautas defendidas no ato ‘Parem de Nos Matar’ são o fim da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) como ela existe hoje; e também o impeachment do governador Wilson Witzel (PSC), que vem sendo amplamente criticado por personalidades e lideranças políticas por causa de algumas declarações e da forma como conduz a Segurança Pública no Rio. Vários cartazes pediam “fim da PM” e “fora Witzel psicopata”. Gritos de ordem chamavam o governador de “assassino” e “fascista”.

Alguns cartazes contra o governador Witzel, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro
(Fonte: Victor Leal)
Era possível também ver bandeiras de partidos e movimentos estudantis. Ao longo do protesto, pregou-se a união das entidades de esquerda
(Fonte: Victor Leal)

Quem passava pela manifestação também falou sobre as pautas reivindicadas. Cláudio Régis, que trabalha com administração, afirmou que apoia as causas e que a política de segurança praticada durante anos no Rio não é efetiva.

“A gente fala em segurança pública, mas ela só funciona, quando funciona, nos bairros mais nobres. Na favela o que nós vemos é o contrário né, é uma política de insegurança. O ‘cara’ não sabe se vai conseguir ir trabalhar, estudar, se vai voltar vivo”.

Impeachment

Figuras políticas e ativistas membros de entidades populares marcaram presença na manifestação. A Deputada Federal Jandira Feghali (PCdoB) afirmou em discurso que partidos da base de esquerda, opositores do governo Witzel, entraram com um pedido no STJ para a abertura do processo de impeachment do governador. Segundo ela, assinaram o pedido os partidos PCdoB, PCB, PSD, PDT, Psol e PT.

“Nós vamos, nesta semana, internacionalizar a denúncia. Vamos ao Direitos Humanos da ONU levar a denúncia contra o Witzel”, completou a deputada.

Primeiro pronunciamento

Mais cedo, em entrevista coletiva no Palácio das Laranjeiras, Witzel se pronunciou pela primeira vez sobre a morte de Ágatha, três dias após a tragédia. Ele afirmou que lamenta a morte da menina de 8 anos, mas que a política de segurança aplicada por ele deste que tomou posse vem sendo “satisfatória”, e que não é a causa do ocorrido. Ele também aproveitou para defender o pacote anticrimes do Ministro Sérgio Moro, que inclui no Código Penal dois incisos que legitimariam o “excludente de ilicitude”.

Pronunciamento do governador Wilson Witzel e secretários de Estado, no Palácio Guanabara, sobre a morte da menina Ágatha Félix, durante ação da Polícia Militar no complexo de favelas do Alemão.
(Fonte: reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil)

Escalada da violência nas favelas

A mais recente vítima da violência no subúrbio carioca, Ágatha Félix morreu na madrugada da última sexta-feira em decorrência de uma ação indevida de agentes da polícia no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Os PMs atiraram contra uma kombi e alvejaram a jovem nas costas. Nas redes, há diversas denúncias e registros de helicópteros da polícia sobrevoando e atirando contra escolas, além de outras ações violentas irresponsáveis que podem pôr a vida de moradores em risco. As denúncias vêm sendo frequentes e há diversas testemunhas que acusam os agentes de segurança de praticarem abusos nas comunidades.

Victor Leal – 7º período

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