Privacidade de dados na internet: a questão que todos precisam saber

Novo documentário da Netflix sobre desinformação na internet, The Great Hack – ou Privacidade Hackeada – evidencia a temática e retoma a discussão sobre um dos casos mais enigmáticos da nossa era virtual: o da utilização de dados de mais de 87 milhões de usuários para manipulação em campanhas eleitorais pela Cambridge Analytica. A revelação em março de 2018 – a partir de uma investigação jornalística dos jornais New York Times e The Guardian – de que a empresa obteve ilegalmente informações por meio do Facebook, colocou também a rede social no pano de fundo de uma extensa polêmica desde então.

A partir de testes de personalidade realizados no Facebook – mídia que hoje conta com mais de 2,3 bilhões de usuários diários – a empresa britânica Cambridge Analytica traçou minuciosamente perfis psicológicos de eleitores dos Estados Unidos, na campanha do então candidato à presidência Donald Trump e, no Reino Unido, na campanha de saída do país da União Europeia (episódio conhecido como Brexit). Não obstante, os métodos da empresa também atingiram outras campanhas políticas ao redor do mundo como a de Trindade e Tobago (2009) e a da Argetina (2015) – casos também destacados no documentário.

Capa do documentário americano The Great Hack (Privacidade Hackeada, em português)

Apesar de ter anunciado o fim de suas operações meses após o escândalo, as possíveis implicações morais e legais da atuação da Cambridge Analytica ainda são objeto de investigação. Recentemente, foi divulgado que um aplicativo que utiliza inteligência artificial para modificar o rosto das pessoas de forma cômica, poderia ser terrivelmente nocivo no que se refere à privacidade, o que preocupou muitos usuários brasileiros. Será que realmente há privacidade no mundo virtual? Até que ponto nossos dados estão 100% seguros?

Para o diretor do centro de pesquisa em direito e tecnologia InternetLab, Francisco Brito, a resolução desse problema deve partir, sobretudo, do governo. “É papel do Estado regular e proteger o cidadão. O usuário deve estar mais atento sim, mas é importante não culpabilizá-lo pelos problemas de mau uso de seus dados”, afirma Francisco. Nesse sentido, ele destaca a importância da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil, legislação aprovada em 2018, mas que só entrará em vigor a partir de agosto de 2019. “Acho que ela protege o cidadão a medida que implementa regras básicas, como a necessidade de consentimento ou regulamentação de hipóteses em que a permissão não é requerida”, diz o diretor.

Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso em foto gerada pelo aplicativo FaceApp

Os recentes avanços da inteligência artificial, possibilitados pelo extenso número de dados disponíveis e, sobretudo, pelos algoritmos avançados, também facilitam as táticas corporativas de marketing que miram o usuário. Dessa forma, produções como o documentário Privacidade Hackeada são importantes para conscientizar os cidadãos acerca da temática, como comenta a pesquisadora de tecnologia e comunicação Adriane Figueirola: “Isso tudo nos faz pensar, nesse momento ainda muito incipiente, que cada vez mais as estratégias serão hiper segmentadas e que os dados podem ajudar muito o marketing a usar metodologias precisas para atingir o funil de vendas”, comenta Adriane.

Leandro Victor – 7º período

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