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Fotógrafa denuncia crise migratória na fronteira entre México e Estados Unidos

A imagem registrada na última segunda-feira (24) por Julia Le Duc revela o dia a dia de muitas famílias que tentam atravessar a fronteira

A imagem registrada na última segunda-feira (24) por Julia Le Duc revela o dia a dia de muitas famílias que tentam atravessar a fronteira

A fotógrafa Julia Le Duc registrou pai e filha mortos durante travessia no Rio Grande, entre os Estados Unidos e o México. Óscar Ramírez, sua esposa, Tânia Valdés Ávalos, e a filha, Angie Valeria, aguardavam há mais de dois meses na fila para pedir liberação para entrar no Estado americano.

A busca por uma vida melhor não teve o fim esperado. Vencidos pelo cansaço de aguardar sem previsão, pai e filha atravessaram o rio. Enquanto ele voltava para buscar a mãe da criança, a menina de um ano e onze meses teria pulado de volta na água. Ao tentar salvar a filha, os dois foram arrastados pela correnteza e morreram afogados.

A natureza costuma surpreender. De acordo com o mestre em Geografia Vitor Moura, o Rio Grande, também conhecido como Río Bravo del Norte, não é um local seguro para ser atravessado. Apesar disso, ele é constantemente utilizado pelos imigrantes.

Ele é um corpo hídrico profundo, que passa por um grande desfiladeiro. Além disso, os fluxos dos rios variam muito durante o ano, em virtude da estação, seca ou chuvosa. Essa configuração faz com que as águas se movimentem bastante e tornem a travessia perigosa”, afirma.

Pai e filha encontrados mortos e abraçados  (Foto: reprodução/Twitter)

Além do estado caótico dos acampamentos de migrantes, o endurecimento das normas para conseguir asilo nos Estados Unidos vem aumentando a crise migratória na região. Diante da burocracia e da demora, muitas famílias se arriscam todos os dias e tentam atravessar a fronteira de formas perigosas, o que ainda parece ser mais seguro do que continuar em seus países de origem.

“Há muitas famílias que ficam desesperadas, sob calor extremo, famintas, sedentas, que continuam dormindo a céu aberto, em condições desumanas; não são criminosos, são migrantes em trânsito”, conta Le Duc.

A presença de crianças é frequente durante as travessias rumo aos Estados Unidos (Foto: reprodução/Twitter)

Para a mestranda em Relações Internacionais Beatriz Pontes, o endurecimento da política migratória do governo Trump impactou muito pouco no desejo dos imigrantes de buscar por melhores condições de vida. Ou seja, na prática, as pessoas continuam tentando entrar nos Estados Unidos de várias formas.

Em um contexto de fome, de falta de assistência básica e de ausência de dignidade humana de forma geral, tanto faz a rigidez da política. Para quem já sofre no próprio país, tentar a sorte na travessia para chegar aos Estados Unidos não tem tanta diferença”, explica.

A foto que chocou o mundo retrata a tentativa desesperada de ter uma vida melhor e mais segura. Quando se expor ao perigo parece ser a única a chance de salvação para uma pessoa, algo precisa mudar.


Thatiana Cordeiro – 5º período

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