Sala de música foi um dos destaques dessa quarta (24) na Rio2C

Presença feminina e música são temas de destaque no segundo dia do evento

O assunto música esteve presente no segundo dia da Rio2C. No espaço reservado para o tema, a sala de música da Rio2C recebeu importantes palestras e debates nessa quarta-feira (24). O grande destaque vai para as palestra sobre a estrutura de marketing do maior evento de música do mundo, o Rock In Rio.

Rock In Rio: Por dentro do maior festival de música do mundo

Provavelmente o maior case de marca brasileira na economia criativa, o Rock In Rio é um marco na indústria cultural no país. Só na última edição, o RIR gerou 20 mil empregos e movimentou R$650 milhões. Para explicar esse fenômeno, três executivas da marca foram à sala de música da Rio2C contar um pouco sobre o festival.  Juliana Ribeiro, diretora de ticketing,  Renata Guaraná, diretora de parcerias e Fernanda Estrella, diretora de marketing, falaram sobre a organização do festival.

RIR.jpg
Da esquerda para direita: Fernanda Estrella, Renata Guaraná e Juliana Ribeiro em palestra na Rio2C – Foto: Felipe Pereira/Agência UVA

Para um mundo melhor

Diretora de Marketing, Fernanda Estrella ressalta a importância do lema da empresa como peça chave de toda estratégia publicitária do festival. ”Um mundo melhor tem tudo a ver com música e entretenimento” afirma.  Fernanda descreve Rock In Rio não apenas como um festival de música, mas, sim, uma plataforma de comunicação e experiências, além do papel social na ajuda de projetos ambientais como o Amazonia Live.

Essa imagem ajuda a vender a marca com mais facilidade, segundo a responsável pelas parcerias que sustentam o evento, Renata Guaraná. ”Não é difícil vender o RIR por causa da história construída”. A publicitária explicou como funciona as parcerias da empresa, “o Rock in Rio conta com um patrocinador master, cerca de 4 a 6 patrocinadores, e mais de de 10 apoiadores. Sem falar nos parceiros de mídias, empresas de logística, e os outros da equipe”.

Outro processo importante para o evento é o de compra e recebimento dos ingressos e pulseiras. Juliana Ribeiro, diretora de ticketing, que é responsável por atender o público antes mesmo do festival , explica que existe um grande processo de logística e segurança na confecção da bilheteria. “Comprar um ingresso é como estabelecer um contrato”, afirma.

“Rock in Rio é 100% experiência. Não é sobre quem vai tocar a noite. É entender tudo que está acontecendo ali”

Renata relata o trabalho que ocorre durante o ano inteiro para que tudo ocorra de maneira perfeita durante os dias de evento, “não dá pra olhar pro RIR com um projeto de sete dias”. Ela também mostra a importância das marcas patrocinadoras estarem em sintonia com o projeto e reitera que uma estratégia bem feita certamente irá beneficiar todos os envolvidos.

As palestrantes também usaram o tempo para descrever como é a experiência de trabalhar com a mente idealizadora por trás de todo esse conceito de shows: Roberto Medina. ”Visionário”, ”ícone”, ”inovador” foram as palavras que usaram para descrever o publicitário. “Ele é atuante ativo. Está no escritório todos os dias”, comenta Fernanda.

 Mulheres em destaque

As executivas falaram sobre como é trabalhar em um ambiente onde as mulheres são maioria e tem voz de destaque na marca Rock In Rio:

“No rir a gente não discute nem gênero musical. É um privilégio estar em uma empresa que respeita e escuta” – Fernanda Estrella

”A gente tem a sorte de trabalhar em um ambiente com conversas bacanas. Existe um Aprendizado constante” – Renata Guaraná

Palco dos produtores musicais

Já na parte da tarde, a sala de música recebeu a visita de três dos mais importantes produtores da música brasileira. Em papo mediado pelo jornalista Lucas Oliveira, os produtores Liminha, Plínio Profeta e Daniel Ganjaman conversaram sobre esse ofício tão importante na sonoridade dos artistas  e de como foram parar na área.

Plínio Profeta explica que esteve em bandas desde os 15 anos, e que após uma viagem aos Estados Unidos começou a produzir loops e samplers, algo que era raro no Brasil naquela época. Isso acabou contribuindo para convites futuros para produção de música.

Já Liminha, que também foi baixista dos mutantes,  revela que o estúdio sempre exerceu fascínio desde as épocas de músico freelancer. ”Ficava atrás da mesa tentando aprender alguma coisa. Eu queria ser o Quincy Jones.” O produtor, logo no início da carreira, obteve grande sucesso e se consolidou como um dos mais importantes nomes no mercado. ”Meu negócio é o estúdio. Ontem mesmo saí de lá às três da madrugada”, completa.

O também produtor, Daniel Ganjaman, vem de uma família de músicos, e conta que após o confisco da Era Collor, incentivou o pai a abrir um estúdio como meio de sustento durante a crise. Com o tempo de trabalho, também foi aprendendo a produzir.

Na conversa, discutiram as particularidades de cada artista. ”Existe o artista fácil e o artista difícil. O mais fácil é o que está pronto a experimentar coisas. Os muito apegados às próprias ideais são os mais difíceis. Você se sente engessado sobre isso”, explica Liminha. Ele também ressalta que o produtor tem um papel de ‘psicólogo’ do artista. ”O que rola no estúdio é uma grande negociação”, enfatiza.

Os três também explicaram os diferentes tipos e dinâmicas de profissionais. Segundo Ganjaman, existem produtores mais técnicos e voltados para a estética, e também os mais traquejados que mantém um clima confortável para o artista ”O papel do produtor é fazer o artista chegar onde ele quer, e não sabe”, comenta.

Como não podia ser diferente, também debateram o impacto de tecnologia em suas carreiras, principalmente dos homestudios. ”Eu vim do homes studio. Só depois que tive acesso a estúdios profissionais. Acho algo positivo, sim. Ter uma noção de como mexer e como fazer. É muito legal”, opina Plínio sobre o fato dos artistas estarem mais cientes e com noções básicas de como gravar. 

Apesar de ser a favor da inovação, o produtor também alerta que o fato de uma produção ruim pode até mesmo esconder uma música boa. Liminha também acha interessante esse fato, mas ressalta que a comunicação entre artista e produtor deve ser respeitada sempre. ”É sempre bom ter aquela porta e poder sugerir algo que vá somar”. diz.

Já Daniel Ganjaman, vê alguns aspectos negativos nisso. Segundo ele, existe o outro lado, em que o artista acha que sabe tudo e acaba prejudicando seu som e tira a coerência da mixagem. ”O processo de produção é muito íntimo. Tem que haver muita confiança” afirma.

Felipe Pereira – 7° Período

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s