“Entrevista com Deus” traz excesso de clichês em trama previsível

O que você perguntaria se tivesse a oportunidade de entrevistar Deus? Perguntaria sobre seu futuro, tiraria dúvidas sobre a humanidade ou iria querer saber o sentido da vida? O filme “Entrevista com Deus”, que estreia nesse dia 15 de novembro, conta a história de um homem que teve a chance única de encontrar pessoalmente o Senhor e realizar essa entrevista.

O jornalista Paul Asher, interpretado pelo ator Brenton Thwaites, vive uma crise pessoal, após retornar da cobertura da Guerra do Afeganistão. Além dos horrores que acompanhou em sua profissão, ele também passa por um grave problema em seu casamento, que o leva a questionar sua fé, enquanto busca salvar sua relação com a esposa Sarah (Yael Grobglas). Procurando realizar uma grande reportagem, ele acaba se deparando com um homem que diz ser Deus, ali em carne e osso, pronto para responder quaisquer perguntas.

An Interview with God

Nos encontros com Deus, o jornalista faz questionamentos que já passaram pela cabeça de todos nós Foto: Divulgação

No início, Paul se empolga com a oportunidade e – ainda que um pouco desconfiado – tenta levar tudo da maneira mais profissional possível. No entanto, as coisas saem do controle quando os encontros com Deus (David Strathairn) começam a tratar de seus problemas pessoais. O jovem reluta ao se encontrar em um momento de vulnerabilidade com o Todo Poderoso, mas logo começa a fazer reflexões sobre suas escolhas e a angústia que sente.

Essa angústia vivida pelo protagonista é passada durante o filme em diversas cenas que demonstram o quão perdido ele está. A fotografia do diretor Perry Lang é bem feita e dá o tom certo das emoções de cada momento, incluindo os de desespero. Porém, esse tom de drama é quebrado nos momentos certos, por toques equilibrados do bom-humor de Deus, o que é agradável, pois traz uma leveza necessária ao longa, que trata de assuntos delicados.

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O conflito no casamento de Sarah e Paul é um dos pilares da trama do roteirista Ken Aguado Foto: Divulgação

Por outro lado, os discursos dos personagens, na maior parte do tempo, tendem ao clichê, especialmente quando a intenção é passar uma lição. A mensagem do filme é boa, mas as falas poderiam ser mais originais e surpreendentes, se fossem menos didáticas e dessem mais abertura para quem assiste tirar suas próprias conclusões.

Os personagens secundários também deixam a desejar, pois são apresentados de maneira superficial, com suas vidas sendo utilizadas apenas para fortalecer a narrativa de Paul. O chefe dele Gary (Hill Harper), que é o diretor do jornal, por exemplo, surge em cena apenas para sustentar algumas decisões do protagonista. A cunhada Grace (Charlbi Dean) também é pouco aproveitada na tela.

Assim, a premissa do longa religioso é interessante e poderia ter sido melhor empregada, já que seu ponto alto são as perguntas e a reflexão que gera nos espectadores, mas esse propósito inicial se perde ao longo da história, quando são usados chavões e frases feitas, que enfraquecem o roteiro e o torna previsível.

 


Maria Carolina Martuchelli – 6º período

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