Com muitas surpresas, a série “Millennium” retorna aos cinemas

Ao longo de uma década, vários best-sellers foram transformados em filmes. A trilogia Millennium, do escritor sueco Stieg Larson – falecido em 2004 – é um desses exemplos. Foram três filmes suecos e um americano baseados nos manuscritos originais. Agora, com um novo autor à frente do projeto, Millennium: A Garota Na Teia de Aranha, livro lançado em 2015, ganhou sua versão para o cinema.

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Claire Foy em ação como Lisbeth Salander Foto: Divulgação

Quem assistiu ao filme de 2011, Millennium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, o mais famoso da saga, irá ter uma surpresa não muito grata quando for ver o novo. Além do roteirista, mudaram elenco e diretor. Isso talvez tenha contribuído para que os personagens e a dinâmica do filme sejam outras. Sai Rooney Mara e entra a britânica Claire Foy, como a protagonista Lisbeth Salander. A vencedora do Globo de Ouro e do Emmy ganhou o papel, após se destacar na série de drama The Crown.

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Os protagonistas do novo “Millennium” Foto: Divulgação

Agora, além de hacker super ágil e inteligente, Lisbeth também é uma espécie de justiceira, que se encarrega de julgar os homens que continuam não amando as mulheres. Claire mantém o mistério da anti-heroína. Seu semblante poucas vezes ao longo de todo o filme transmite algum tipo de sentimento. Em seus poucos diálogos, sua voz é seca, fria. A trama gira toda em torno de Lisbeth, de um segredo antigo de sua família e de uma tecnologia disputada pelos governos dos Estados Unidos e da Suécia, que ela deve impedir de cair em mãos erradas.

Outra parte que os espectadores podem estranhar é o protagonista masculino. A ausência de Daniel Craig no papel de Mikael Blomkvist diminuiu ainda mais a dinâmica do thriller. Enquanto na versão do diretor David Fincher, o personagem tinha um papel de grande importância no desenrolar dos fatos, participando ativamente de todos os momentos do filme ao lado de Salander, aqui, ele parece mais um figurante com falas. Pouco expressivo – e também pouco utilizado durante todo o filme – o ator sueco Sverrir Gudnason, escolhido para o papel, não tem culpa da falta de ação de seu personagem. Isso se deve ao roteiro, que preferiu dar mais atenção a Claire.

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O ator Sverrir Gudnason interpretando o personagem Mikael Blomkvist Foto: Divulgação

Diretor dos aclamados suspenses A Morte do Demônio e O Homem nas Trevas, Fede Álvarez disse em entrevistas que gostaria de imprimir seu estilo ao projeto. Por isso a troca de todo o elenco. Ele queria sua própria Lisbeth Salander, algo que diferisse de Mara e da sueca Noomi Rapace, que protagonizou os três filmes suecos. Ao menos, o estilo ágil de Álvarez utilizado em suas películas de sucesso é visto. O filme só não dá sono, por causa das muitas idas e vindas da personagem de Foy. Ela, literalmente, não tem descanso ao longo de todo o seu trajeto. Seja na frente do computador ou dirigindo uma moto em alta velocidade, mesmo com o filme deixando a desejar, ela é a dona de tudo.


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