Campanha de vacinação contra o sarampo e pólio termina neste sábado

Na última segunda-feira (10), o Ministério da Saúde anunciou novas datas da campanha nacional contra a poliomielite e o sarampo. Até este sábado (15), postos em 20 estados mais o Distrito Federal, devem continuar aplicando as doses da vacina. A medida deve-se ao fato de que somente Amapá, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, Espírito Santo, Sergipe e Maranhão terem atingido a meta de imunizar ao menos 95% do público-alvo, que são crianças de 1 até 4 anos de idade. Doze estados ainda estão abaixo da média nacional que é de 88%.

O Brasil registrou 26.827 casos de poliomielite entre os anos de 1968 e 1989, sendo a maior parte dos casos durante a década de 70. A eliminação do poliovírus só foi obtida com sucessivas campanhas de vacinação em massa, com cobertura próxima a 90% da população com idade inferior a cinco anos e com elevado número de doses da vacina oral. O último caso registrado no país, aconteceu há 29 anos na cidade de Souza, na Paraíba. Embora não haja registros atuais de poliomielite, o surgimento de casos na Venezuela e a circulação do vírus em 23 países nos últimos três anos levaram o Ministério da Saúde a lançar uma nova campanha de combate.

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Aplicação da vacina oral para crianças. Foto: Ministério da Saúde/ VisualHunt

Segundo o pediatra Humberto Gino Coletti, a poliomielite é uma doença infecto-contagiosa aguda, causada por um vírus que vive no intestino e, embora ocorra com mais frequência em crianças menores de quatro anos, também pode afetar adultos. “A maior parte das infeções apresentam poucos sintomas e esses são parecidos com outras doenças virais como gripe, com febre, dor de garganta ou infecções gastrintestinais”, diz.

Ele explica ainda que cerca de 1% dos infectados podem desenvolver a forma paralítica da doença. Em geral a paralisia se manifesta nos membros inferiores de forma assimétrica, ou seja, ocorre apenas em um dos membros. A transmissão do Poliovírus acontece através do contato da boca com material contaminado por fezes, como água e alimentos. A doença também pode ser disseminada através de gotículas de saliva expelidas ao falar, tossir ou espirrar.

Vírus do sarampo volta a circular
O objetivo do governo é aumentar as taxas de cobertura da vacina para que a poliomielite não tenha o mesmo destino do sarampo, que recentemente voltou a circular em solo brasileiro. Uma combinação de casos vindos da Venezuela e de brasileiros não-imunizados, está contribuindo para um novo surto no Norte do Brasil. “Os sinais iniciais do sarampo são similares aos de uma gripe ou resfriado e após cerca de três dias é comum que surjam as manchas típicas da doença.” aponta o pediatra.

Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, nos últimos dois anos a meta de ter 95% da população-alvo vacinada não foi alcançada. Os piores índices da doença que afeta principalmente bebês durante o primeiro ano de vida são nos estados do Pará, São Paulo e Acre. Atualmente, o Brasil enfrenta dois surtos da doença: em Roraima e no Amazonas. E há casos confirmados em outros três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Rondônia.

Pais que não vacinam seus filhos
Recentemente, o país registrou o índice mais baixo na vacinação de crianças em 16 anos. Com essa queda da cobertura, as possibilidades de ação começam a ser questionadas e muitas postagens sobre o assunto são compartilhadas nas redes sociais diariamente. No país, grupos que se recusam a vacinar os filhos ou a si próprios vêm ganhando força e são impulsionados por meio de páginas temáticas no Facebook que divulgam, sem base científica, supostos efeitos colaterais das vacinas. O pediatra Humberto Gino Coletti define a escolha de não vacinar os filhos como ignorância e irresponsabilidade uma vez que hoje é muito claro a importância da prevenção para todas essas doenças, como o sarampo e a poliomielite.

A enfermeira Bruna Modolo acredita que os pais que optam por não vacinar seus filhos estão sujeitando-se a um grande risco. “A vacina ainda é o único método eficaz de prevenção contra essas doenças. Nenhum pai ou mãe quer ver seu filho hospitalizado e mesmo que a dose em si possa causar dor momentânea, a criança estará protegida de problemas futuros”. Para a aposentada e mãe de uma filha, Rozangela Gouveia, a escolha de imunizar ou não a criança é dos pais, porém, mais tarde eles vão ter que arcar com as consequências caso o filho contraia alguma doença que poderia facilmente ser prevenida pelas vacinas disponibilizadas de forma gratuita no sistema de saúde público.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, em seu parágrafo único do artigo 14, determina a obrigatoriedade da vacinação de crianças nos casos que forem recomendados por autoridades sanitárias e o descumprimento da lei tem previsão de multa ou ação do conselho tutelar por meio de advertências e caso esta não seja cumprida, a família pode ser obrigada a participar de programas sociais e até mesmo ter a guarda do filho suspensa.


Larissa Mendes Penna – 8º período

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