A militância nas universidades

A presença de grupos feministas nas faculdades e como eles ajudam e afetam o dia a dia das estudantes

 

É de conhecimento geral que boa parte dos movimentos, militâncias e manifestações costumam surgir em âmbitos universitários que são conhecidos como lugar de troca de conhecimentos e início da vida política de muitos. No movimento de 1968, não foi diferente. Começou como uma onda de manifestações estudantis que reivindicavam mudanças na educação. A partir disso, então, surgiram diversas outras mobilizações e o feminismo foi uma delas.

Dessa forma, é observado a força do feminismo e o quanto ele afeta a vida das mulheres. Com ele, foi possível que grande parte alcançasse o direito ao voto, pudesse se divorciar, trabalhar efetivamente, entre outros. No entanto, a opressão perdura até hoje e, por isso, a presença de coletivos e frentes feministas em universidades vem crescendo cada dia mais.

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Escrito em parede afirmando a ideia que os opressores têm do feminismo (Reprodução)

Em geral, os coletivos ou frentes tem como objetivo promover conversas, debates, redes de ajuda para todas as universitárias que recorram à eles. Cada um, porém, tem sua forma de atuação e particularidades, de forma que criam-se identidades para aquelas que participam, lideram ou até mesmo apenas apoiam.

Muitos dos grupos universitários foram fundados a partir de uma grande necessidade observada por algumas estudantes. Um exemplo disso foi o coletivo da Faculdade Nacional de Direito – UFRJ, no Centro da cidade. Marcella Moreira havia acabado de ingressar no âmbito acadêmico e nunca havia tido uma experiência de militância anteriormente, apesar de conhecer bastante sobre política e, ao ficar sabendo de diversas situações em que mulheres eram oprimidas ou violentadas, decidiu fundar o coletivo de mulheres.

O objetivo da aluna era que, a partir da fundação do grupo, fosse possível criar um ambiente em que as mulheres pudessem debater e pensar em soluções para que as situações vividas por elas pudessem ser minimizadas e, até mesmo, extintas. Havia uma grande preocupação com o embasamento teórico para que o “achismo” não predominasse. Além disso, no coletivo, as mulheres podiam encontrar apoio emocional junto às colegas.

Um dos assuntos que é muito comentado e que o coletivo e suas integrantes é procurado em busca de resolução são os assédios ocorridos em festas da universidade. No entanto, nem tudo pode ser resolvido pelo grupo e, além disso, ainda acontece de existirem divergências políticas e de correntes dentro do coletivo, de forma que os debates acabam sendo muito abrangentes e pouco específicos.

Na opinião de Marcella, esse é um dos defeitos e dificuldades em relação aos coletivos. “É muito complicado porque você tem que ter um espaço em que você coloque a pauta feminista acima de tudo, até mesmo das suas convicções políticas. Mas, assim, as suas convicções são o que te fazem militar desse jeito”, diz ela. De modo geral, no entanto, o grupo é um espaço em que as mulheres universitárias possam se abrigar e se apoiar.

É percebido por muitos que em universidades estaduais e federais existem grupos maiores e com mais força política e de militância. Muito disso pode ser associado às realidades que essas instituições vivem. Muitas vezes aulas são paralisadas por conta de greve, bolsas são cortadas, o bandejão não abre e, tudo isso, se torna um grande problema para os estudantes que, em sua maioria, são mais periféricos.

No entanto, o movimento feminista reside, também, em universidades particulares. Um exemplo é a Frente Feminista de Relações Internacionais, da UVA – Universidade Veiga de Almeida. O grupo surgiu através de um convite realizado à aluna Fernanda Ferreira de Mello, 7º período do curso de Relações Internacionais.

A estudante já possuía um histórico de engajamento no movimento político e, além disso, era percebido uma deficiência em relação ao assunto no curso de RI. O objetivo maior é formar um espaço de acolhimento das meninas, para que estudos sobre mulheres sejam gerados e, além disso, debaterem diversos temas.

O grupo recebe um grande número de desabafos através da #MulheresCotidianas e, dessa forma, conseguem aconselhar meninas que passam por situações complicadas e difíceis. A Frente já interferiu em favor de mulheres que sofreram algum tipo de abuso por parte das atléticas dos cursos da universidade.

 

Existe sempre o objetivo de aumentar o núcleo feminista, trazendo mais mulheres para o movimento e as englobarem no assunto e militância. No entanto, a Frente ainda não tem muita visibilidade dentro da UVA, algo que precisa ser buscado. No momento, felizmente, o curso de RI é um grande apoiador do curso e das meninas que ele compõem.

A presença do feminismo no âmbito acadêmico é algo de extrema importância pois, historicamente, as mulheres passam por grandes dificuldades quando o assunto é educação ou, até mesmo, direitos. Um reflexo dessa situação é o baixo número de mulheres em áreas acadêmicas relacionadas à ciência. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Censo de Educação Superior, apesar de representarem 60% das pessoas que concluíram o Ensino Superior, apenas 41% é relacionado à área da ciência, como física, química, matemática e afins.

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A situação apenas se agrava quando a pesquisa é restringida ao curso das engenharias. Apenas 29,3% das mulheres concluem o curso, em contraponto com os 70,7% de graduados do sexo masculino. Com isso, é possível perceber a importância do incentivo ao ingresso de mulheres em graduações e, acima disso, estimular sua permanência.

Os coletivos e frentes, portanto, são uma forma de tentar minimizar as dificuldades que o sexo feminino precisa conviver em seu dia a dia. O movimento vem crescendo mais e mais dentro do espaço universitário e busca, assim, maior apoio das instituições e adesão das alunas para que a luta possa se estender e ganhar mais espaço.


 Mariah Freitas

Reportagem realizada para a disciplina de Oficina Multimídia

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