Entenda como funciona a doação de órgãos e tecidos para ser doador

A doação de órgãos e tecidos é a ação pela qual se manifesta a vontade de doar partes do corpo humano para auxiliar no tratamento de alguém. Esse ato, apesar de regularizado há mais de 20 anos pela Lei de nº 9.434 de 4/2/1997, ainda não é claro para a maioria da população. Rins, fígado, pâncreas, intestinos, pulmões e coração estão entre os órgãos que podem ser doados; córneas, pele, tendões, cartilagem, ossos, medula óssea, vasos, válvula cardíaca e sangue umbilical, entre os tecidos.

O transplante de parte da medula óssea, parte do fígado, parte do pulmão e de um dos rins pode ser feito em vida. Uma vez demonstrado o interesse, é analisado se o(a) doador(a) é juridicamente capaz de tomar essa decisão – maior de 18 anos – e se está em favorável estado de saúde, através de exames. A cirurgia é feita dentro de um limite de risco aceitável. Tendo a compatibilidade sanguínea, cônjuges e parentes de até quarto grau podem doar. Já não-parentes, somente com uma autorização judicial.

Nos demais tipos, a doação só pode ser feita após o falecimento. Para órgãos, é preciso que haja a confirmação de morte cerebral, sem parada respiratória, por um grupo de profissionais. Geralmente, esses são os pacientes que sofreram um traumatismo craniano ou um acidente vascular cerebral (AVC), que evoluiu para morte encefálica. Quando há parada respiratória, é possível doar somente os tecidos.

A maioria dos transplantes de órgãos realizados no Estado do Rio de Janeiro, desde 2001, de acordo com a Central Estadual de Transplantes (CET), é o de rim. É o caso do aposentado Wanderson Pessôa, de 43 anos. Há sete anos, ele precisou passar pela cirurgia devido a um trauma ocasionado por um acidente de trânsito, que fez com que seus rins parassem de funcionar. Mesmo tendo sido doado pela mãe, a adaptação não foi fácil e o rim durou apenas quatro anos. “O órgão não foi bem aceito e, por isso, eu precisava ser acompanhado de perto pelos médicos. De dois em dois meses, eu tinha que ir ao hospital realizar exames”.

Em segundo lugar está o transplante de fígado. Edson Marques Domingos, aposentado de 69 anos, fez uma cirurgia há 39 anos, na qual precisou de transfusão de sangue. Na ocasião, acabou sendo contaminado pelo vírus da Hepatite C, que só se manifestou em 2013, causando uma cirrose hepática. Hoje, apesar de curado da hepatite, a cirrose evoluiu para um câncer no fígado e o transplante foi a opção dos médicos para eliminar os três tumores. “O período pós-operatório é um pouco difícil devido aos cuidados que devem ser tomados. São seis meses de consultas marcadas e exames de sangue”.

Não são poucas as pessoas que necessitam de uma doação. No ano de 2014, ao redor do país, mais de 27 mil pacientes estavam na lista de espera por um órgão e quase 11 mil estavam somente na fila da córnea. Ao mesmo tempo, mais de 36 mil pessoas morreram em hospitais pelo Brasil de morte encefálica. Segundo o Ministério da Saúde, em muitos desses casos poderia haver uma doação, mas a baixa taxa de autorização das famílias limitou isso. Esse seria um dos principais motivos da escassez de doadores.

Em 2016, estatísticas das Centrais de Notificação, Capacitação e Distribuição de Órgãos e Tecidos (CNCDO) apontaram que das famílias entrevistadas no Rio de Janeiro, 46% foram contra a doação. Outros dados do Sistema de Informação Geográfica (SIG) mostram que, em 2017, as maiores esperas eram por transplante de rim, com quase 21 mil pessoas e córnea, mais de 10 mil pacientes. Atualmente, as doações no Brasil só podem ser feitas com a autorização da família. Mesmo que exista a vontade de doar, não há nada escrito que prove o desejo da pessoa, caindo assim a responsabilidade na família, em casos de falecimento.

Para a enfermeira Elaine Gomes de Souza, membro da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do Hospital Federal Cardoso Fontes, são vários os motivos pelos quais a sociedade não está bem informada sobre o assunto. Uma das razões é que as campanhas de esclarecimento e sensibilização da população ainda são poucas. “Falar sobre doação de órgãos e tecidos é falar sobre morte. Esse é um assunto pouco atraente e discutido entre as pessoas. Muitas têm medo de falar sobre isso e, consequentemente, não declaram seu desejo de ser ou não doador(a)”.

A coordenadora do CIHDOTT, a enfermeira Maria Cleidinete Surica acrescenta que os meios de comunicação não têm abordado o tema com seriedade e que é preciso informar conforme as regulações, portarias e leis. Mesmo com os profissionais da área da saúde, esse tema não é trabalhado durante a formação, mas isso está mudando, como ela assegura. “Muitos profissionais de saúde desconhecem os processos de notificação e doação. O programa tem um setor de educação que desenvolve cursos nos hospitais, empresas e escolas”.


Andressa Gabrielli e Débora Esteves – 6º período

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