Elas sabem o que é impedimento. E você, sabe o que é respeito?

Já faz tempo que futebol não é mais coisa só para homem. As mulheres vêm conquistando seu espaço e ganhando cada vez mais voz no estádio. Hoje em dia, torcidas organizadas exclusivamente femininas, caravanas e até promoções de ingressos são feitas – fatores que contribuem para o aumento da presença delas nos jogos. Ainda há certo preconceito, mas nada que desanime ou diminua o amor que sentem por seus clubes. Afinal, elas tiram “de letra”.

A paixão pelo futebol começa desde cedo, de geração para geração. “Meu primeiro jogo, eu tinha 3 anos. Meu pai me levou para ver Fluminense x Vasco”, conta Geovanna Cavadas, tricolor de 20 anos. Essa história de amor quase seguiu outro caminho. Ela conta que seu avô fez de tudo para que fosse vascaína, mas não obteve sucesso e o amor pelo Clube das Laranjeiras prevaleceu.

Outro exemplo de fanatismo, Nichole Paiva, flamenguista de 22 anos, começou a frequentar estádios aos 14. Incentivada pela mãe, a rubro-negra diz que foi graças a ela que a simpatia pelo clube virou amor. Sócia há cinco anos, ela conta que vai em quase todos os embates, sempre acompanhada pelos amigos: “Vou até em jogos que não são do Flamengo, só não fico na torcida rival (risos)”.

Na maioria dos estádios pelo país, é possível perceber o aumento de público feminino. Elas estão cada vez mais presente nas arquibancadas Brasil afora. E a tendência é só crescer. Luísa Barbosa, torcedora do Fluminense, de 25 anos, frequenta estádios desde 2009 graças à tia, que sempre incentivou, e opina: “Cada dia mais as mulheres buscam igualdade e independência. Acho que antigamente elas iam mais para acompanhar seus parceiros ou nem iam. Hoje elas realmente buscam estar sempre atualizadas”.

Juliana Melo, flamenguista de 20 anos, vê com bons olhos esse crescimento, e apesar de ainda existir preconceito, acredita que o número tende a crescer: “Todas que conheço entendem muito, vão em caravana para outro estado, tudo pelo amor ao time, e isso vai contagiando mais gente, como me contagiou”. A blogueira conta que já ouviu comentários machistas nas matérias que escreveu como “mulher não entende de futebol”, “você não sabe do que está falando”.

Outra que ama futebol é Marcelle Cristina, 24 anos, torcedora do Fluminense, sócio há mais de dois anos e que frequenta regulamente o estádio desde 2012, quando entrou na faculdade. “Antes disso meu pai não me deixava ir. Conheço algumas mulheres que frequentam futebol, mas ainda somos minoria e tratadas como adereços para enfeitar estádios. Acho que tem menos preconceito, mas já ouvi muitos comentários idiotas, do tipo “só vem pra tirar foto”.

Casos de piadas maldosas são corriqueiros para as mulheres. A vascaína Tamires Santos, de 19 anos e frequentadora da Colina Histórica há quatro, relata momentos desconfortáveis: “Infelizmente muitos homens parecem não viver a realidade atual das mulheres presentes no futebol, e, com isso, toda vez que saio na rua com camisa de time, sou obrigada a ouvir piada de mau gosto do tipo “nossa, assim viro vascaíno”. Ela ainda completa: “Isso incomoda”.

Às vezes, não é um comentário ou atitude, mas a reação dos homens que causa desconforto, como se a mulher não pudesse acompanhar futebol. É o que conta a botafoguense Ana Beatriz Zillig, de 19 anos: “Alguns já expressaram uma reação de surpresa ao me verem com camisa de time, principalmente com blusas de times internacionais”. A alvinegra conta que esse tipo de situação é chata, passando uma imagem de que elas não podem ter um conhecimento mais profundo de futebol e até mesmo torcer por times europeus. Ela ainda revela que torce pelo Bayern Muchën, da Alemanha.

Elas querem cantar alto, ser ouvidas, não só nas arquibancadas, mas em todos os segmentos da sociedade. Mesmo com todos os contratempos, as mulheres não perdem a pose e dão um show, seja nas cadeiras ou no concreto. Afinal lugar de mulher é onde ela quiser, principalmente no estádio, torcendo por seu clube de coração.


Reportagem de Breno Bastos de Campos para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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