Para driblar a crise e reforçar o salário, brasileiros vendem de tudo no ambiente de trabalho

Guloseimas, catálogos de produtos de beleza, roupas etc. Nas empresas brasileiras, não é raro nos depararmos com funcionários que, informalmente, vendem produtos diversos no ambiente de trabalho. Com a dificuldade de se conseguir um emprego que pague bem, os brasileiros tentam dar o seu jeitinho. Sem deixar de receber o salário fixo, muitos encontram nas vendas desses produtos uma nova oportunidade de ganho.

Ângela Maria é uma empreendedora. Foto: Nathália Gonçalves / AgênciaUVA

Ângela Maria é uma empreendedora. Foto: Nathália Gonçalves / AgênciaUVA

Quem faz parte dessa realidade é a auxiliar de serviços gerais Ângela Maria, 54 anos. Ela trabalha de segunda à sexta-feira em uma administradora no Rio de Janeiro e, nos horários de intervalo, atua como revendedora de uma grande marca de produtos de beleza. Dona Ângela, como é conhecida pelos funcionários, também confecciona bolos de pote e empadão para vender. “Não é que a empresa pague mal, mas o que eu ganho é muito pouco para pagar todas as contas”.

Ângela se desdobra para conseguir manter um bom desempenho em ambas as tarefas. “Eu deixo todas as comidas prontas durante o fim de semana para economizar tempo”. No ramo da beleza, ela já possui 35 anos de experiência. Começou nova neste empreendimento e viu nele uma oportunidade de ganhar dinheiro extra. “Quando eu passo nas salas e alguém quer saber algo sobre algum produto, procuro esclarecer e dar um retorno”.

Apesar de nunca terem a proibido, Ângela faz questão de deixar os chefes cientes sobre a venda no local de trabalho. Segundo o artigo 482 da CLT, a negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador é motivo para demissão por justa causa. Para evitar problemas futuros, o ideal seria que ela tivesse por escrito uma autorização dos seus superiores. Como trabalha há mais de 5 anos na empresa, tem noção do uso do bom senso e sempre tenta fazer com que suas vendas não atrapalhem o funcionamento do trabalho dos colegas. Ângela é uma empreendedora.

Histórias de sucesso

Gostosuras vendidas por Angélica Telles. Foto: Dayane Rodrigues / AgênciaUVA

Gostosuras vendidas por Angélica Telles. Foto: Divulgação

Histórias inspiradoras de empreendedores que alcançam o topo do mercado não são raras de acontecer. Um dos maiores produtores de papel e celulose do Brasil, Sérgio Amoroso começou trabalhando como assistente de almoxarifado aos 11 anos, passou por problemas financeiros e chegou a passar fome. Depois de alguns meses, conseguiu um trabalho em uma fábrica de embalagens de papelão, teve seu trabalho reconhecido na empresa e viu uma oportunidade de crescer no mercado. Em 1981, alugou um galpão com alguns amigos e montou a sua própria fábrica. O grupo Orsa já chegou a faturar 378 milhões de dólares.

Exemplos como o de Sérgio Amoroso e de Ângela Maria demonstram a habilidade do brasileiro de encontrar soluções imediatas ao enfrentar dificuldades. No entanto, nem todos que fazem esse tipo de trabalho extra estão preocupados apenas com uma renda maior no início do mês. Existem outras motivações específicas como casamentos, aniversários, viagens, pagamento de dívida ou algum outro que leve a pessoa a buscar novas formas de aumentar seu faturamento e alcançar o objetivo proposto. Quando se descobre uma habilidade nova, é justo usá-la para garantir o seu próprio crescimento e para se chegar onde se quer.

Com uma boa preparação e dedicação, os resultados aparecem de maneira surpreendente — muitas vezes de forma mais rápida do que os próprios empreendedores esperavam. Angélica Telles, 38 anos, está há 6 meses vendendo doces no seu local de trabalho, uma empresa de telecomunicações. Ela vende brigadeiros gourmet, cones trufados e suspiros. Garante arrancar elogios de quem experimenta suas receitas e procura sempre se aprimorar fazendo cursos e testando novos jeito de cozinhar. Sempre gostou de fazer isso e decidiu unir o trabalho ao lazer.

Angélica conta que não encontrou nenhuma dificuldade para fazer as vendas. “A dificuldade para mim é nenhuma. Pelo contrário, meus superiores até compram comigo”. E essa confiança faz o trabalho dela se estabelecer cada vez mais, tanto que está expandindo as vendas para fora da empresa e aumentando a clientela. Não é fácil conciliar tudo, mas ela se esforça, “É difícil, mas sempre procuro dar um jeito. Sempre faço a noite, após as tarefas de casa”.

Brigadeiros de pote. Foto: Divulgação

Tentação, brigadeiros de pote. Foto: Divulgação

Alguns podem questionar: por que essas pessoas não procuram outro emprego em que o salário seja maior e para não terem todo esse desgaste? A falta de tempo e a insegurança de conseguir algo melhor são alguns dos motivos que levam a buscar essa alternativa. “Procurar emprego não daria tempo. Que garantia que tenho de conseguir alguma outra coisa rápida e se irei conseguir, se terei uma remuneração maior? ”, questiona uma entrevistada.

A lição que se tira desses exemplos é que, quando se quer mudar uma situação a seu favor, o importante é ir atrás de algo que saiba fazer bem e usar isso. Há quem venda doces, salgados, produtos cosméticos, de higiene, para casa… são muitas opções. O importante é procurar melhorar, ter ideias boas e colocá-las em prática, se estiver insatisfeito com algo.


Dayane Rodrigues e Nathália Gonçalves – 6º período

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