Dennis Guedes, guitarrista da banda The Outs, fala sobre a trajetória ascendente do grupo

A banda The Outs começou a se configurar em 2008, quando os primos Dennis Guedes (26) e Tiago Carneiro (25) se juntavam em reuniões familiares para tocar suas músicas ”Sempre procuramos fazer um som que nos agradasse. Mas a vontade surgiu mesmo quase que de uma necessidade de cada um de nós em desenvolver um lance próprio, poder experimentar”. Já no ano seguinte, a dupla ganhou um concurso da revista inglesa ”NME”, no qual o ranzinza líder do Oasis, Noel Gallagher, iria eleger o melhor cover de uma de suas músicas e levar os vencedores para assistir a um show de sua banda. Escolhido como ganhador, o duo carioca foi convidado a assistir à apresentação do Oasis em Wembley como prêmio pela vitória no concurso. ”O lance do concurso do Oasis foi legal porque serviu de estímulo para nós, sempre tentamos colocar nas nossas músicas influências de sons que estamos curtindo no momento”.

Em 2012, já no formato de um quarteto – a Dennis  e Tiago se juntaram Vinícius Massolar (26) e Gabriel Polizter (25) – a banda lançou de forma independente seu primeiro singleGet Around’‘. Cantando em inglês e com um som bastante influenciado pela música britânica, o grupo já mostrou grande potencial em sua estreia. O segundo single, Right or Wrong, veio ao ar em 2013, porém o divisor de águas na carreira do conjunto ocorreu em 2014. Além de lançar um EP com quatro músicas (Spiral Dreams), eles conseguiram alcançar o segundo lugar em um reality show musical chamado Breakout Brasil, no canal Sony. ”Com certeza a coisa sempre foi evoluindo. Começamos com singles principalmente porque estávamos começando a gravar nossas próprias músicas, então também foi um período que usamos para desenvolver nossa parte técnica”. Em 2015 a banda lançou o bem recebido segundo EP , Marmalade Land, que alavancou seu trabalho em território nacional, resultando em convites para uma série de eventos ao redor do país, incluindo um show de abertura para a banda inglesa Temples, apresentações marcantes no circo voador e no festival Picknic em Brasília, onde dividiram palco com o cantor canadense Mac DeMarco .

Já em 2016, mais maduros e confiantes no seu próprio som, assinaram contrato com a gravadora Deckdisk e realizaram o sonho de lançar seu primeiro disco completo, Percipere. ”Começamos o álbum sem a intenção de que realmente virasse um álbum, mas depois começamos a conversar com a Deck, nossa atual gravadora, e quando percebemos tínhamos material suficiente pra um álbum”. Mostrando um grande avanço profissional, o álbum trouxe como principal novidade composições e músicas cantadas em português.  ”O Percipere acabou sendo o resultado de alguns experimentos que fizemos em português. Em 2014 participamos de um reality musical da Sony chamado Breakout Brasil, e lá dentro acabamos tendo nossa primeira experiência com o português e funcionou bastante!”.  Apesar de ter ajudado muito a expandir os horizontes desses cariocas no cenário nacional, começar a escrever canções em sua língua natal mostrou-se um grande, porém grato desafio para a os músicos. ”O processo de composição acabou sofrendo algumas adaptações com o português, mas acabou sendo positivo pra nós. Começamos a ouvir muita música brasileira, que a gente já curtia, e fomos descobrindo mais coisas. Tentamos trazer um pouco disso para o disco ”.

A banda The Outs. Foto: Divulgação

A banda The Outs. Foto: Divulgação

O projeto ainda contou com a masterização do produtor Australiano Rob Grant, reconhecido por trabalhar com várias bandas psicodélicas ao redor do mundo, como Tame Impala, POND, Melody’s Eco Chamber. ”Ele é um cara muito gente boa e experiente, a gente confia muito no toque final que ele dá. Além de curtir bastante a banda, é um profissional muito atencioso em acertar o que a gente quer”.  Mesmo tendo como uns dos pilares de seu som as influências do rock psicodélico dos anos 60 e o britpop da década de 90, a presença de Rob no disco mostra que os integrantes se mantêm atentos ao cenário atual, trazendo referências mais modernas para o seu som. ”Pois é, fizemos o primeiro contato com o Rob quando descobrimos que ele tinha trabalhado com POND, uma banda australiana que curtimos muito! Ele também já tinha trabalhado com o Tame Impala, de quem também somos fãs. Fora esses, curtimos muita coisa nova, bem variado, enfim, bandas de muitos lugares diferentes”.

Ainda falando sobre a carreira, Dennis conta um pouco de sua perspectiva do atual momento vivido na cena musical do país. ”O cenário musical no Brasil é difícil, realmente complicado de encarar. Mas ao mesmo tempo estamos vivendo um momento bem forte e interessante, muitas coisas legais surgindo, festivais acontecendo, bandas procurando circular e tocar mais e mais com colegas de  outras cidades”.  Em tempos obscuros politicamente, o guitarrista mostra que é inevitável não relacionar essas dificuldades vividas pelos artistas com o momento que se vive no país.  ”Existe toda a dificuldade da atual situação política e a tentativa de enfraquecimento da cultura,  isso tem atrapalhado mais ainda os projetos em apoio à música independente”.

Em 2017, o grupo carioca passou por uma das grandes experiências de sua carreira: tocar para milhares de pessoas no Lollapalooza, um dos maiores festivais de música do mundo. ”O Lolla é um festival bem grande com um tipo de público que combina bastante com a gente! Foi uma experiência muito legal, uma sensação de conquista mesmo. Desde estar lá tocando como todo o resto, poder ver tudo funcionando internamente, fazer parte disso”. Ainda conversando sobre o festival, destacou o fato de que bandas do chamado circuito underground têm conquistado mais voz nesse tipo de evento. ”Estão abrindo cada vez mais espaço para as bandas independentes no Lolla, e isso é importante para as pessoas perceberem cada vez mais como existe uma cena muito forte e criativa acontecendo”.

O músico conta os planos e as expectativas da banda para 2018. ”Tem algumas coisas bem importantes para acontecer. Uma delas é gravar um disco novo. Ainda não temos data definida, mas já estamos trabalhando em várias músicas novas, e esperamos não demorar muito pra entrar em estúdio”. Além disso, fala da importância de continuar a trabalhar duro excursionando pelo Brasil e ampliando seu público.  ”Essas coisas vão abrindo portas, mas tudo que conquistamos até aqui foi com muito suor e continuamos trabalhando forte nisso”.


Reportagem de Felipe Laurindo Pereira para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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