Metade dos brasileiros estão insatisfeitos com o trabalho, mas não mudam de emprego

“Sem trabalho eu não sou nada. Não sinto o meu valor, não tenho identidade.” Como diz a música do grupo Legião Urbana, a maior parte da população brasileira tem a necessidade desde novo de se inserir no mercado de trabalho a fim de ajudar nas despesas de casa ou melhorar de vida. Sem experiência e estudo, muitos trabalhadores acabam optando por qualquer tipo de trabalho sem, muitas das vezes, pensar no salário que receberá, nos benefícios e na própria realização profissional.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e pelo grupo LTM (Loyalty & Trade Management) revela que mais da metade da população, cerca de 56%, está insatisfeita com a ocupação atual e deseja mudar de emprego. A história de Fernanda Monteiro, 23 anos, é um exemplo da realidade de muitos brasileiros apresentados no levantamento. Ela começou a trabalhar ainda jovem e já passou por diversas áreas do mercado. No momento, atua como auxiliar de conferência em uma administradora de bens. Por falta de oportunidade, afirma que continua fazendo parte do mesmo setor desde 2014, mas  sonha em trabalhar na área de recursos humanos da empresa no futuro.

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Fernanda Monteiro. Foto: Nathália Gonçalves / AgênciaUVA

De lá para cá, Fernanda vem investindo nisso, fazendo cursos na área e faculdade de Administração com o objetivo de atingir a sua meta profissional. Apesar da incompatibilidade de seus horários com os cursos oferecidos pela empresa, ela faz questão de demonstrar aos seus superiores que almeja crescer na empresa. Para ela, não é o salário nem a falta de reconhecimento que mais desmotiva o funcionário na hora que surge uma nova vaga em outro setor, mas a injustiça cometida por alguns chefes na hora de beneficiar algumas pessoas por motivo de proximidade. “Faço questão de fazer o meu trabalho e mais um pouco, porém só os ‘peixes’ estão sendo efetivados.”

À medida em que o país vem sofrendo com tantas mudanças políticas, as pessoas estão procurando saber mais sobre os seus direitos. Com a nova legislação trabalhista imposta, a população espera melhores condições de trabalho. Apesar de ser um fator importante, ter um salário digno não está sendo o suficiente para manter o funcionário satisfeito. A pesquisa feita pela Locomotiva junto com o grupo LTM com 1019 entrevistados ainda revelara que para 87 % dos entrevistados, as premiações em produtos e serviços são uma boa forma das empresas valorizarem seus funcionários, enquanto 80 % acreditam que programas de premiação podem estimular muito a sensação de reconhecimento, a produtividade e a melhora do ambiente de trabalho, além da satisfação.

Quem está otimista, apesar da realidade atual do Brasil, e em busca de uma nova oportunidade na empresa é o auxiliar administrativo, Patrick Miranda, de 19 anos. Ele começou a sua carreira profissional como jovem aprendiz e hoje já almeja uma outra efetivação na empresa em que trabalha. Apesar da pouca idade, Patrick sabe da sua responsabilidade e do que precisa fazer para ser promovido, e não se assusta com a concorrência. O jovem tem procurado cursos profissionalizantes e, em breve, espera entrar na faculdade para melhorar o seu currículo. No setor em que trabalha no momento, Patrick se sente um pouco desmotivado com a falta de reconhecimento e o baixo salário oferecido.

Patrick Miranda. Foto: Nathália Gonçalves / AgênciaUVA

Patrick Miranda. Foto: Nathália Gonçalves / AgênciaUVA

Outros fatores também tornam a tarefa de se satisfazer no ambiente em que trabalha mais complicada, como a distância do trabalho, dificuldade na locomoção na cidade e outras atividades no âmbito familiar. Rosângela Luiz da Silva tem 44 anos e é assistente administrativo há três anos. Já teve oportunidades de trabalhar em outras áreas como comércio, por exemplo, mas o sonho dela é a área social. Chegou a prestar vestibular duas vezes e conseguiu bons resultados, porém a distância e logística entre trabalho e local para estudar a fizeram desistir.

Como tantas outras pessoas, Rosângela se vê em um emprego que considera bom, sem muitas cobranças e com uma rotina bem ajustada, mas ainda assim não a completa de forma perfeita. As tarefas como dona de casa, mãe e esposa, a tiram um pouco do foco do seu desejo e a afasta de tentar conquistá-lo, porque ela tem outras prioridades no momento. E sabe que, embora o dinheiro não seja tudo, só ele traz uma estabilidade que uma família precisa e, por isso, muitas pessoas optam por continuar onde estão mesmo não estando completamente satisfeitas.

As crianças costumam ser instruídas a trabalhar em algo que dá dinheiro, o que em muitos casos não condiz com o que elas querem de verdade para suas vidas. Muitos adultos são frustrados em seus empregos, porque estão ali apenas com o objetivo financeiro e não conseguem juntar a isso a satisfação com a função que exercem. O país também não tem uma educação empreendedora, então dificulta um pouco quem quer sair desse sistema e tentar fazer algo por conta própria.

E, por todos estes motivos, uma pesquisa realizada pela empresa americana Accenture mostra que 60% das pessoas preferem permanecer em seus cargos, mesmo estando insatisfeitas com o trabalho, do que sair do emprego. Cerca de 3,9 mil pessoas foram ouvidas em 31 países e a causa maior para continuarem nessa condição é o medo de não conseguir outro trabalho. Realmente não é uma decisão fácil de ser tomada, e precisa ser analisada de forma a se botar na balança o que é mais importante para a própria vida e como você pode gerenciar isso sem se tornar um fardo para carregar.


 Dayane Rodrigues e Nathália Gonçalves – 6º período

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