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Cultura do League of Legends está muito além do uso do computador

A maioria dos jovens, quando chega em casa, costuma fazer seus deveres acadêmicos, domésticos ou somente seguir a rotina. Uma tendência, no entanto, chama bastante a atenção nos últimos anos. Os hábitos de Pedro Cardoso de Andrade, 19 anos, e que cursa o segundo período em Jornalismo, ilustraram isso por um bom tempo: depois de fazer tudo o que devia em casa, sentava em frente ao computador, apertava duas vezes com o botão direito do mouse em um ícone com letra “L” em maiúsculo, escolhia um personagem e ficava, por horas, jogando League of Legends.

O simples jogo de estratégia, logo virou um esporte eletrônico consagrado no Brasil e no mundo, sendo o mais popular na terra tupiniquim. A empresa responsável, Riot Games, estima que existam mais de cem milhões de jogadores por todo o globo, e cerca de dez milhões divididos entre amadores e gamers profissionais aqui no Brasil. Além disso, os torneios de LOL, para os mais íntimos, são disputados por canais como ESPN e Sportv. Os índices de audiência do último Mundial atingiram quatro milhões de visualizações por partida. Só no Brasil, o número total foi de onze milhões de pessoas de frente para a tela, assistindo durante todo o campeonato.

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Jovem atento à uma partida de e-sports

A diversão virou sucesso, e foi isso que atraiu Pedro. Entretanto, uma partida leva em média trinta minutos para apontar um vencedor, e os jogadores nunca param na primeira partida. O estudante confessa que, no início, passava horas se divertindo, mas soube dividir os horários para se exercitar fisicamente. Agora na faculdade, parou de jogar um pouco por conta dos estudos e porque a brincadeira estava começando a ficar mais séria. Porém, garante que continua assistindo aos campeonatos por toda a cultura que se criou em torno do LOL.

– Atrapalhou muito em relação à saúde e aos estudos principalmente, mas precisava se exercitar e consegui, com o tempo, dividir certinho. Agora parei de jogar, apesar de ter conseguido um ranking alto. O problema foi que senti que jogava apenas para competir, e não me divertia mais. Mas continuo assistindo. Acho os jogos, as narrações, tudo muito empolgante e bem competitivo.

Essa cultura que gira por League of Legends engloba muito além da televisão com as transmissões de partidas: indica também as redes sociais, múltiplos blogs, fóruns onlines, canais no Youtube, e o stream pela Twitch.tv, que transmite ao vivo pela internet e se tornou famoso por ser um mecanismo muito utilizado por gamers e amadores. Joana Botinelly, que tem 20 anos e também faz Jornalismo, é uma dessas pessoas que enriquece o jogo com muitos conteúdos produzidos no seu canal do Youtube, Bronze Girl. No começo, quando aprendeu a jogar, achava muito chato e complicado, mas uma pessoa bem especial mudou sua percepção, tendo como consequência várias madrugadas gastas. Ela afirma ainda que a ideia de iniciar um projeto desses veio pelo incentivo do que aprendeu na faculdade.

– Não era fã e não conseguia entender as mecânicas, era chato. Quando conheci meu namorado, ele fez minha cabeça, mudou totalmente minha percepção sobre o jogo. Acabou virando um hobby, e depois que conheci o Jornalismo, tive a iniciativa de juntar os dois. Hoje em dia vivo recebendo uma resposta boa do público, sempre me sugerindo novos personagens, pautas. Com isso, passei a levar mais a sério o Canal, fui atrás de equipamentos, tudo para melhorar o conteúdo.

Um aspecto pelo qual o League of Legends é bastante elogiado por seus jogadores e fãs é o espaço totalmente democrático que proporciona. Usualmente, se veem mulheres nos espaços, tanto de debate, como de produção de conteúdo, e o maior exemplo é o canal da Nivy Estephan, que tem mais de 200 mil inscritos. Sem os números tão expressivos, Layla Fleishhauer, de 19 anos e que faz Ciências Contábeis, tenta conquistar seu espaço pela Twicht.tv, apesar de também querer abrir um canal no Youtube. Revela que gosta de interagir com o público e, por causa disso, faz muitas lives, que acabam cansando bastante.

– Conheço há apenas dois anos o jogo, mas quando comecei no stream, já foi com a vontade de me divertir e me comunicar com quem estivesse assistindo. Teve uma época em que fiquei vários dias fazendo live, quase sempre ao vivo, e isso me afetou muito, fiquei bem cansada. Só falta o canal de Youtube agora, mas ainda não o fiz por vergonha.

Mesmo que gere diversão, proporcione novas amizades e estimule a competição, ficar muito tempo olhando para uma tela de computador, com a luz intensa nos olhos e constantes mudanças de cor, deve no mínimo gerar preocupações. Apesar disso, o oftalmologista Thiago Gonçalves dos Santos Martins atesta que o temor não precisa ser grande, mas ainda assim gera pequenos problemas que não são nada complicados de prevenir.

– O principal problema é o olho seco. Existe uma redução da frequência no piscar de olhos e produção de lágrimas. Contudo deve-se evitar ficar horas seguidas, principalmente em ambientes com ar-condicionado, que tiram a umidade do ar. Aplicar colírios e usar a tela do computador abaixo da linha dos olhos são boas atitudes, assim a pálpebra superior fica mais fechada e não expõem tanto a córnea, impedindo um deslocamento de retina.

O que se constata é que atualmente, não existe época ideal para ter esta prática bem aceita na sociedade, assim como não traz grandes consequências para a pessoa, só proporciona diversão e uma nova indústria para o entretenimento. É um esporte em evidência no Brasil, com potencial para crescer ainda mais e cada vez mais conquista o respeito da sociedade. Basta ligar o computador, iniciar o jogo e escolher o campeão.

Descansando os olhos

·         Colírio lubrificante;
·         Tela do computador abaixo da linha dos olhos;
·         Evitar longas horas seguidas no ar-condicionado.

Reportagem de Victor Silva de Andrade para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

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