Categorias de Base: O futebol é para todos e para todas

Preconceito. Uma barreira a ser quebrada para a evolução e o crescimento dos investimentos no futebol ainda está ligada ao preconceito que se tem de ver meninas correndo atrás da bola no Brasil. Infelizmente, durante competições femininas, não é raro ouvir pais e amigos de atletas fazendo comentários maldosos contra as adversárias.

Elas querem ser jogadoras de ponta, como Formiga, Marta ou Cristiane. Ronaldinho Gaúcho, Neymar e Ronaldo também são lembrados, mas em segundo plano, pois quem realmente as inspiram são as jogadoras que fizeram o futebol feminino ser respeitado no Brasil. Marta, por exemplo, foi cinco vezes a melhor do mundo em escolha da Federação Internacional de Futebol (Fifa), feito nunca alcançado por nenhum homem. Mostrou o caminho para essas novas gerações. O sonha delas não é diferente do dos meninos que se espelham em craques masculinos.

Time de futebol feminino do Flamengo. Foto: Divulgação Flamengo

Time de futebol feminino do Flamengo. Foto: Divulgação / Flamengo

Em um terreno onde os homens mandavam até quatro anos atrás, meninas de todas as idades jogam futebol com naturalidade e competência. Ainda falta muito para o devido reconhecimento, mas essa geração que nunca desistiu fez com que uma nova colheita brotasse nos campos do país. O cenário ganhou um novo ânimo a partir da decisão da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), que ofereceu duas vagas para o Brasil na Libertadores, com a obrigação de os clubes apostarem em times femininos a partir da temporada de 2019.

Embora estejam cientes da dificuldade da profissão, essas jogadoras não olham o esporte apenas como entretenimento, mas como a possibilidade de ter uma vida melhor. Por isso, comemoraram a recente decisão da Conmebol sobre a obrigatoriedade da formação das equipes. Para Waltter D’ Agostino, vice-geral do Flamengo, a decisão pode sim ajudar a modalidade a crescer: “Espero que não seja apenas palavras ditas pelo pessoal da Conmebol. Enquanto não tiver apoio dos clubes de tradição e das grandes entidades, o crescimento do futebol feminino no Brasil será pequeno”.

Para Barbara, uma das jogadoras do Flamengo, as meninas precisam superar primeiro o medo de querer jogar e vencer este preconceito, pois muitas em época de categoria de base sofreram com a torcida falando que futebol não era esporte para mulher.  “Jogava na categoria de base em um time em São Paulo. Uma garota do meu time saiu chorando de campo por ouvir absurdos quando foi bater um lateral. Só que o torcedor do outro time preconceituoso esquece que no time dele também tem mulher”, conta Barbara.

Além do preconceito no futebol feminino, outro fator que atrapalha é a falta de patrocinadores para ajudar financeiramente os clubes a investir nas categorias de base e no profissional de mulheres. O que chama a atenção que, para a realização dos campeonatos de futebol feminino, a CBF arca com as viagens e hospedagens das delegações. Já a patrocinadora Sport Promotion promove ajuda de custo a todas as equipes. Na condição de mandante, cada clube recebe R$ 7 mil para arcar com despesas como arbitragem, ambulâncias, gandulas e exame anti-doping. Como visitantes, os times recebem R$ 5 mil da empresa.

A diferença de salários dos jogadores para as jogadoras profissionais também é um absurdo. Com salários girando em torno de R$ 880 a R$ 1.000, as jogadoras dependem de patrocinadores para saber se continuam no clube onde elas estão jogando ou se saem a procura de outro time. Técnico do time feminino Brasileirinho no Rio de Janeiro,  Matheus Tavares explica que a intenção é manter a equipe em treinamento até que uma decisão sobre patrocínio seja tomada, antes do final do ano. “Faremos uma reunião para tentar manter o elenco, precisamos fechar com patrocínio. Se não conseguirmos esse patrocínio, o investimento terá de ser menor em relação ao ano passado”.

Ano passado, o Brasileirinho conseguiu investir R$ 300 mil na equipe de futebol feminino. Com o 4° lugar no Campeonato Carioca, a diretoria está fazendo uma reavaliação de seu orçamento para definir qual valor será destinado para manter as jogadoras em atividade. Com a incerteza quanto ao futuro da equipe feminina, seis atletas já trocaram o time carioca por outros mais nomeados no futebol feminino aqui no Brasil ou na Europa, onde o futebol feminino é mais aceito e recebe mais investimento. Apesar das reclamações e de anos de abandono, a esperança de dias melhores no futebol feminino é maior do que o medo de ver tanto talento desperdiçado por falta de oportunidade.

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João Vitor Barros – 8º período

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