Mulheres adiam o sonho de ser mãe para priorizar suas carreiras

Foi-se o tempo em que maternidade combinava exclusivamente com juventude. Apesar de médicos alertarem sobre os riscos de uma gravidez após os 35 anos, números recentes provam que esse comportamento tem crescido e está se firmando como uma tendência social. Um levantamento do IBGE mostra um aumento significativo no número de mulheres brasileiras que são mães pela primeira vez na faixa entre 30 e 45 anos: mais de 18%. Enquanto isso, houve uma queda nas estatísticas de gravidez entre as mais jovens, com cerca de 16%, de acordo com o instituto. A pesquisa foi feita baseada em dados de 2005 a 2015.

Especialistas dividem opiniões sobre esse aumento, mas o tom é o mesmo: há necessidade de ações preventivas e cuidados redobrados para uma gestação saudável e sem riscos para a mãe e o bebê. “Gravidez não é doença”, afirma o ginecologista e obstetra Rogério França Filho. Ele explica que o acompanhamento médico é fundamental, pois o envelhecimento dos óvulos pode tornar a gravidez mais difícil, inclusive na hora do parto. “As chances de realizar um parto normal, por exemplo, diminuem de acordo com o aumento da idade da mulher. A própria natureza impõe dificuldades ao corpo feminino”.

A gravidez tardia costuma vir de forma mais planejada, uma vez que a família procura se organizar profissionalmente para garantir melhores condições para o futuro membro da casa. Quem garante é a gerente de marketing Lucia Ribeiro que, aos 42 anos, ficou grávida do segundo filho. “Só engravidei depois que eu e meu marido tínhamos nossos empregos firmados. Hoje, me sinto segura para ficar afastada, usufruindo da licença maternidade, e temos condições de colocá-lo em uma boa creche”, conta Lucia, que diz não se arrepender de ter tido os dois filhos após os 40.

A gerente de Recursos Humanos da empresa TKX Daniela Albuquerque conta que, há cerca de dez anos, a idade das mulheres licenciadas não ultrapassava os 32 anos. A maioria das funcionárias que se afastava por licença maternidade tinha idade entre 25 e 30 anos. Agora, elas querem ser mãe após conseguir uma maior estabilidade profissional e no casamento, explica a gerente.

gravidezResponsável pelo setor de obstetrícia do Hospital Municipal Feliciano Martins, a ginecologista Marcia Meirelles Pontes enfatiza a responsabilidade dos médicos em alertar sobre os riscos de uma gravidez tardia. Em especial, após os 40 anos, como no caso de Lucia. Entre os ricos, a médica cita a probabilidade maior de o feto estar sentado ou a ocorrência de hipertensão arterial na mãe, além de casos como a síndrome de Down e outras complicações hemorrágicas.

A publicitária Ana Passos Quaresma é mãe de Rita, de três meses, e também priorizou a carreira profissional a fim de conquistar maior estabilidade. Ela lembra que passou muitos anos envolvida na busca do sucesso na profissão. “Quando atingi meu objetivo, quis uma família para compartilhar minha conquista. Queria principalmente um filho e uma família tradicional: pai, mãe e filhos”. A família não vingou do jeito que imaginava, pois o parceiro não compartilhava dos mesmos sonhos. Hoje, no entanto, existe a pequena Rita, um presente para Ana. “Não sei se quis ser mãe por instinto ou medo de ficar mais velha e não conseguir realizar este desejo, mas quando vejo Rita, sei que fiz a melhor coisa de minha vida”.

Se pode parecer difícil para uma mulher conciliar profissão com a família, o que dizer da correria do dia a dia da redação de um jornal. Quem comprova é a jornalista Nancy Domingos Siqueira, 45 anos. Ela conta que retardou a maternidade, principalmente, em decorrência da profissão, e só teve o primeiro filho, Diego, hoje com 3 anos, após nove anos de casamento e dez anos trabalhando no jornal. Nancy precisou ser submetida a uma cesariana, pois não entrou em trabalho de parto naturalmente.

“Já foi o tempo em que as mulheres eram apenas mães e donas de casa. Elas também precisam se realizar no trabalho e, muitas vezes, têm que atrasar a maternidade até se estabelecerem na carreira.”

A jornalista acrescenta que as mulheres vivem hoje um dilema entre a maternidade e a realização profissional. Afinal, não têm a vida toda para se tornarem mães biológicas. Ela acredita que a evolução contínua dos papeis sociais pode ajudar a resolver esse dilema. “Quando os homens dividirem definitivamente as responsabilidades na criação dos filhos, as mulheres poderão optar pela maternidade, em qualquer tempo, sem terem que precisar deixar de lado seus demais projetos”.

Seja aos 30 ou aos 40, não importa. Os números comprovam o aumento na média de idade das mamães em todo o país. Elas assumem o desafio de conciliar o lado profissional com o familiar e correm o risco da gravidez tardia, mas o fazem tendo o cuidado de se submeter a profissionais capacitados. Com o acompanhamento médico e cuidados adequados, os sonhos de muitas famílias estão se realizando e deixando cada vez mais de lado o velho tabu da idade certa para ser mãe.


Zahyr Neto – 8º período

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