Casa colaborativa no Rio de Janeiro busca alternativa ao desperdício

O movimento das Cidades em Transição (em inglês, Transitions Towns) surgiu pelas mãos do inglês Rob Hopkins,em 2002, há aproximadamente 10 anos, e trouxe uma proposta de estrutura de funcionamento original. Diferente do ideário de uma sociedade tradicional pautada pelo consumo, as cidades em transição seriam autossustentáveis e sobreviveriam com base no trabalho conjunto de seus integrantes. Toda a produção de alimentação seria voltada para a subsistência e a divisão de tarefas, igualitária.

Cidades e bairros em mais de 46 países adotaram esse modelo autossustentável, dentre eles o Brasil. A Casa Anitcha é um dos exemplos de residência colaborativa em solo brasileiro. Localizada no bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro, a casa abriga um grupo formado por adultos e crianças. O espaço é compartilhado de maneira que todos ajudem na manutenção do imóvel, seja com reparos na estrutura ou contribuindo com as contas.

O dia a dia doméstico funciona de maneira similar ao de uma casa normal. Segundo a assessora e moradora Casa Anitcha, Renata Lara, há pouca diferença entre o espaço e uma residência tradicional. Os residentes trabalham dentro e fora da casa e realizam reuniões pontuais para a divisão de funções em prol do ambiente. A alimentação é totalmente voltada para a subsistência sem desperdício e também há a preocupação com a qualidade dos mantimentos produzidos. Vindos diretamente da horta que cultivam, eles não possuem qualquer tipo de agrotóxico.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e atividades ao ar livre

Casa Anitcha [foto: divulgação]

As crianças possuem responsabilidades e uma parcela colaborativa no projeto. Elas aprendem a importância de uma alimentação natural, enquanto recebem ensinamentos sobre como cultivar esses alimentos. Embora tenham uma educação alternativa ao modelo tradicional, duas das três crianças moradoras da residência frequentam escolas. Somente a de 9 anos não conseguiu se adaptar à rotina do colégio e pediu à mãe para ter aulas em casa.

Viviane aceitou o pedido do filho e passou a frequentar cursos para aprender a dar aulas particulares. Para Renata Lara, a decisão da mãe foi importante, pois serviu para mostrar uma alternativa ao modelo de educação tradicional, reforçando o pensamento de desescolarização. Segundo ela, é importante lembrar que a desescolarização não visa substituir a escola, mas sim mostrar um outro caminho para a educação da criança.

Crianças participam de sessões de yoga [foto: divulgação]

Além do contato com a natureza, a relação com outras pessoas também é incentivada pelos moradores da casa. Foi justamente daí que veio a ideia de se criar uma feira na vizinhança. Apelidada de “Feira desapegue-se”, o objetivo foi proporcionar uma interação social pautada na troca de objetos, nas aulas de danças ou yoga promovidas pela casa e na manutenção de uma horta comunitária.

Sem receber  qualquer subsídio do governo ou da iniciativa privada, a Casa Anitcha tem como meta a implantação de uma nova forma de se viver em sociedade, respeitando a natureza e promovendo a boa convivência entre vizinhos. Por isso, ao andar pelas ruas e praças do Grajaú, é comum ver a interação dos moradores da residência colaborativa com vizinhos por meio das atividades diárias.

A Casa Anitcha fica na Rua Sá Viana 205, Grajaú. O telefone é (21) 3177-3730.

 

Gustavo Barreto – 6° período

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