O futuro do livro pelas pequenas editoras

A Bienal Internacional do Livro completou 36 anos de existência comemorando com um público que flanou pelos salões do RioCentro, no Rio de Janeiro, de 31 de agosto a 10 de setembro, buscando muito mais do que estandes e descontos em livros. A Bienal se tornou um espaço de experiência e interatividade, por meio de jogos, bate-papo com autores nacionais e internacionais, sessões de autógrafos e mostra que, apesar de toda a tecnologia, o velho livro está longe de se tornar um objeto obsoleto. E entre editoras gigantes com estandes colossais, as pequenas resistem. Menores e mais segmentadas, elas dão espaço a escritores independentes que abordam assuntos e temáticas que não costumam atrair a atenção das grandes redes.

Thereza Christina Motta, da Ibis Libris. Foto: Andreia Dantas / AgênciaUVA

Thereza Christina Motta, da Ibis Libris. Foto: Andreia Dantas / AgênciaUVA

O amor pela poesia foi o pontapé inicial para a criação da editora Ibis Libris por Thereza Christina Motta, há 17 anos. Ela queria publicar o livro de poesia de um amigo. Em seguida, publicou um outro livro e, dois anos depois, Thereza teve que abrir uma empresa. “A poesia é fundamental para a pessoa elaborar sua própria criação, porque o sonho está ligado ao pensamento. Se você não tem como elaborar seu pensamento, você não sonha”. Desde 1999, Thereza também promove um evento de poesia chamado “Pontos Diversos”, para os poetas apresentarem seus poemas pela primeira vez. “É uma oficina aberta que funciona para a pessoa ter chance de mostrar seu trabalho antes de publicar”.

Marcello Carqueija, que trabalha com vendas da editora Pinakotheke, conta que tanto as editoras pequenas quando as grandes tem o mesmo objetivo, a difusão do livro no Brasil. No entanto, enquanto as grandes trabalham com os Best Sellers, que têm uma circulação mais rápida e que movimenta o mercado, as pequenas trabalham com as Long Seller, que são livros que vendem a vida inteira. Apesar de não vender com a mesma velocidade e não aparecer na mídia como as grandes, as pequenas editoras vendem tanto quanto as grandes. O cuidado especial na escolha dos livros é um dos diferenciais.

Marcello Carqueija, da editora Pinakotheke. Foto: Andreia Dantas / AgênciaUVA

Marcello Carqueija, da editora Pinakotheke. Foto: Andreia Dantas / AgênciaUVA

Feiras como a Bienal, Flip, Primavera dos Livros e tantas outras, que pipocam pelo país, trazem visibilidade às editoras e levam os livros aos consumidores. “Esse pessoal que vem à Bienal muitas vezes não tem livraria no bairro. Aqui no Rio tem livraria até a Tijuca. Depois da Tijuca são poucas livrarias encontradas. Os livros são encontrados mais em shoppings”, analisa Cerqueira.

Francisco Jorge, da editora Malê. Foto: Carolina Ewald / AgênciaUVA

Francisco Jorge, da editora Malê. Foto: Carolina Ewald / AgênciaUVA

Trabalhar com educação fez com que Francisco Jorge e seu sócio Vagner percebessem como é difícil encontrar livros e publicações de autores negros no mercado. Para eles, faltava aos jovens das escolas referências e personagens para se identificar. Ao criarem a editora Malê, perceberam que muitos escritores que estavam produzindo não tinham uma visibilidade, uma plataforma para mostrar seu trabalho. “A Malê tem a proposta de, além de ser editora, ser uma produtora cultural de eventos ligados à literatura, a encontros literários e a bate-papo com autores. Nossos lançamentos são precedidos de conversas com autores ou a discussão de algum tema que o escritor aborda. E essas são algumas das formas que a gente tem de aproximar o autor do público”, afirma Francisco Jorge. Como resultado, surgem novos leitores, novos autores e alunos com vontade de escrever seus próprios trabalhos.

Desafio é a palavra-chave da escritora e também proprietária da editora Mourthé, Claudia Mourthé, ao falar de editoras independentes. “Hoje em dia, produzir livro de maneira independente é realmente um grande desafio, porque a gente está diante de um universo que tem um domínio restrito a algumas grandes editoras brasileiras que trazem autores externos e Best Sellers”. Mas apesar da maioria das publicações já estar em e-book, o livro de papel ainda está vendendo mais. Para Claudia, existe o prazer da leitura e da imersão no objeto físico que leva a um outro tempo, um outro ritmo de descanso e prazer que só o livro pode proporcionar; e a tecnologia ajuda a aproximar o autor do leitor.

Claudia Mourthé, da editora Mourthé. Foto: Carolina Ewald / AgênciaUVA

Claudia Mourthé, da editora Mourthé. Foto: Carolina Ewald / AgênciaUVA

O livro vai acabar? Não sabemos, mas a julgar pelo o que foi visto na Bienal, com crianças correndo com livrinhos, adolescentes comprando coleções inteiras e ostentando nas redes sociais suas novas aquisições, palestras cheias de fãs querendo entender seus artistas e levando livros para eles autografarem, sem falar da geração mais antiga que ainda prefere o livro de papel, isso não vai acontecer em um futuro próximo. A tecnologia e as redes sociais trouxeram uma nova forma de ler, com textos curtos e mais interatividade, e isso está ajudando a instigar e democratizar a leitura e a criar novos leitores.

 


Andreia Dantas – 6º período

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