Pedro Bandeira: ‘Livros tratam do ser humano e não de tecnologias, por isso são eternos’

Considerado um dos melhores autores de livros infantojuvenis do Brasil, o escritor Pedro Bandeira sempre manteve bases fincadas no mundo do jornalismo e da publicidade. Formado em Publicidade pela Universidade de São Paulo (USP), Bandeira trabalhou no jornal “A Última Hora” e na Editora Abril, onde escrevia artigos e fascículos. Foi a partir de 1972 que ele passou a escrever pequenos contos e histórias para a Abril e outras editoras.

Em entrevista exclusiva à AGÊNCIAUVA, o escritor avalia a posição da juventude perante os livros e a tecnologia. Ele fala também sobre diferenças e semelhanças entre as gerações que cresceram lendo suas histórias e sobre o papel dos adultos em suas obras.

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Pedro Bandeira avalia a juventude [foto: Daniel Deroza\ AgênciaUVA

AGÊNCIAUVA: Como você mantém uma conexão com o público jovem atual, tão diferente de outras gerações?

Pedro Bandeira: Muda a tecnologia, mas não o corpo humano.  Nem o corpo, nem a mente. Os sentimentos de um menino de 12 anos da época em que escrevi “A Droga da Obediência” são os mesmos sentimentos de um menino de hoje. Ele tem esperanças, tem dúvidas, tem paixões e raiva. Exatamente como eram seus pais e avós. Por isso os livros têm grande relevância. Eles não tratam de tecnologias, mas sim do ser humano e, por isso, se tornam eternos.

Você se preocupa em não vilanizar os adultos em suas obras?

Meus heróis são sempre as crianças e os adolescentes. Os adultos são muito mais atrapalhados do que vilões. Os meus vilões são sempre o opressor, o ditador, o poder mal utilizado. Não é porque uma pessoa é mais velha que ela é má, mas eu tento pôr sempre a esperança no mais jovem, porque ele construirá o futuro.

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Para o autor, as crianças são o futuro [foto: Daniel Deroza\AgênciaUVA]

Você percebe um afastamento dos jovens em relação aos livros, principalmente por causa das mídias sociais?

Não, isso não está acontecendo. As novas mídias não vêm para destruir nada, elas vêm para acrescentar algo. Meus livros continuam vendendo, as crianças continuam lendo, jogando videogame e brincando. A vida é muito rica para termos medo do novo.


Gustavo Barreto – 6º período

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