Critica: Os Guardiões

image003Pode-se definir o gênero de “super heróis” com um antes e depois do estabelecimento do UCM ( Universo Cinematográfico da Marvel). O período anterior seria definido como filmes do gênero sem qualquer ligação entre si, funcionando como histórias fechadas em seus próprios mundos. O após se categoriza como o surgimento de diversos universos compartilhados aonde todo filme seria peça de um enredo maior. Foi justamente nessa leva, que surgiu o filme ” Os Vingadores” aonde vários heróis da Marvel se uniriam em prol de um objetivo em comum.

Entretanto, o nicho das adaptações de quadrinhos sempre foi muito restrito ao mercado norte-americano no que concerne à produção. Portanto, o anúncio de que um filme voltado para esse gênero, mesmo não sendo uma adaptação, estava sendo produzido pela Russia gerou certa curiosidade sobre como seria. A trama desenvolvida pelo diretor e co-roteirista, Sarik Andreasyan, acompanha um grupo de super humanos que devem se unir para impedir uma catástrofe mundial.

Talvez seja pela pouca experiência do mercado russo em produzir obras de grande orçamento ou de um possível objetivo de se produzir uma paródia aos grandes Blockbusters americanos, fato é que todo a estrutura narrativa da produção é disforme. Em outras palavras, todos os clichês imaginados são usados exaustivamente durante o filme.

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Frases de efeito vazias, desenvolvimento estabanado de personagens (suas motivações só são reveladas de maneira rasa quando o momento pede), efeitos especiais datados ( dignos do filme ” Van Helsing” de 2004), uma trilha sonora compostas por músicas que são simplesmente lançadas na cena sem qualquer objetivo narrativo e todas em inglês, um vilão que não transmite nenhum sentimento de perigo e uma dublagem mal sincronizada com os movimentos dos lábios do elenco.

O ritmo do filme também é problemático, pois diferentemente de outras obras ele não possui produções prévias que sirvam de introdução para seus protagonistas, logo ele depende muito de apresentações individuais rápidas e de uma desculpa para unir todos eles em um inevitável encontro. O roteiro falha nesse elemento também pois a presença dos personagens torna-se motivo de indiferença para o espectador, consequentemente as cenas em que ocorrem a formação da equipe perdem o peso dramático necessário e, somado aos defeitos anteriores, tornam-se cômicas.

Por fim, ” Os Guardiões” se mostra como uma produção com muitos mais pontos negativos do que positivos por justamente se apoiar em todos os clichês que o cinema americano tenta evitar. Na ânsia de entrar no mercado de adaptações, o diretor e os roteiristas lançam mão de uma trama maçante, um elenco pouco inspirado, uma trama acelerada e a falta de um esmero maior na combinação de construção da história com detalhes técnicos ( como trilha sonora ou fotografia) acabam por produzir um resultado final vergonhoso. O que é uma pena, pois seria muito interessante ver uma produção desse nicho que fugisse da influencia dos EUA.

 

Gustavo Barreto – 6° período

 

 

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