Cresce número de assaltos na Lapa e Zona Sul

O aumento da incidência de ações violentas realizadas por moradores de rua e travestis tem afastado os turistas e preocupado os moradores de ambas as regiões.

Dois dos cartões postais mais famosos da Cidade Maravilhosa têm tido as reputações manchadas pelo agravamento da violência urbana. Isso porque moradores e visitantes da Lapa e da Zona Sul vivem em estado de tensão a cada novo dia perante o aumento da incidência de furtos, roubos, arrastões e troca de tiros – na maior parte das vezes, após tentativas de assaltos -, incitando o medo na população carioca e em turistas, que, nos últimos anos, passaram a frequentar mais estes locais após o início do processo de revitalização para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

No bairro boêmio, uma das maiores reclamações vem dos moradores de edifícios que possuem marquise, as quais atraem muitos moradores de rua, que, logo, abrigam-se próximos às entradas do prédios. O porteiro Edmilson Souza, que trabalha em um destes edifícios há 18 anos, diz que a falta de segurança tem aumentado e cenas de agressões por parte dos mendigos que habitam o bairro são cada vez mais comuns durante a madrugada. “Muitos deles se instalam frente às portas com pedaços de madeira”, ele conta. Outro edifício que tem sofrido com a presença destes indivíduos é situado na Rua do Riachuelo, onde habita uma família inteira, e o clima, às vezes, é hostil, segundo moradores.

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Viaturas de polícia nos Arcos da Lapa [foto: Roani Sento Sé/Agência UVA].

Além disso, como vinculado pela grande mídia, na zona boêmia mais tradicional do Rio, casos de assaltos por grupos de travestis e o tráfico de drogas já se tornaram, de certa forma, algo cultural. Para explicar o comportamento desses grupos, o cientista político João Trajano, que é professor do Instituto de Ciências Sociais da UERJ e pesquisador do laboratório de análise da violência vinculado ao órgão, coloca como ponto de partida o local ser propenso a esse tipo de intervenção. “Esse tipo de ação trata-se apenas de um aspecto da dinâmica que opera na Lapa, assim como toda área que costuma ter muito turismo. É um tipo específico de microcosmos formado por concentração de bares, restaurantes, casas de show e prostituição”.

Trajano afirma que redutos da boemia ao redor do mundo também possuem determinado nível de incidência de certos tipos de ação violenta. “A Lapa vira um exemplo boêmio de concentração de um turismo de esbórnia”. O professor ainda manifesta que o aumento da insegurança social tem como fator a crise financeira. “O que motiva uma parte deste grupo tem a ver com questões econômicas. Não que, necessariamente, sejamos vítimas miseráveis do sistema, nada disso. Nem que seja prática de resistência ou fruto do estigma”. Entretanto, Trajano ressalta que a economia não é um fator determinante. “Não há uma comprovação de que a crise financeira acirra essa questão. As pesquisas, inclusive, não costumam ser conclusivas sobre a crise e desemprego terem qualquer responsabilidade para essa relação”.

Sobre a questão dos moradores de rua, uma problemática que existe em todo o estado, não apenas a Lapa, o cientista político é categórico: “Há um declínio de programas sociais e distributivos que existem para dar suporte para esses seguimentos mais vulneráveis nas crises do mundo do trabalho”. Trajano comenta que, neste caso, existe um problema referente à crise, desemprego e subemprego. Segundo ele, existe uma certa parcela de moradores de rua que permanece por opção – seja por morar longe e trabalhar pelo Centro da cidade, ou por não conseguirem largar a comentada esbórnia. Farrah, músico e morador da região, menciona já ter conversado com um destes. “São pessoas tranquilas, preferem ficar bebendo à noite e aproveitar a madrugada. De manhã, vão pro trabalho levando na mala toalha, desodorante e mudas de roupa, dizem que se trocam na empresa sem problema algum”.

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Aterro do Flamengo, localizado entre os bairros Flamengo e Glória [foto: Reprodução da Internet].

Enquanto isso, Em menos de uma semana após casos veiculados pela mídia quase simultaneamente, duas outras áreas sofreram do mesmo mal que aflige a Lapa. Também no Centro, na altura do Largo da Carioca, grupos se juntam para realizar arrastões na saída de bares e boates da região. Na zona sul, assaltos com histórico de mortes e feridos no bairro de Laranjeiras têm aumentado. “Se você entrar em um grupo do Facebook sobre relatos de assaltos e violência na zona sul, verá que as postagens são sobre assalto e com horários próximos”, conta Agnus Sena, estagiário da Confederação Brasileira de Voleibol, morador da região. A estudante de jornalismo, Ana Gabriella Werkheiser, relata que bairros como Laranjeiras, Flamengo e Catete estão abandonados pela segurança pública: “A tendência é piorar”, ela afirma.

E, com o aumento de ações violentas pela cidade, ruas desertas acabam sendo locais propícios para crimes, em qualquer horário do dia. O estudante Gabriel Arcanjo relembra: “Depois de um arrastão, colocaram em frente ao Colégio Externato Coração Eucarístico uma viatura que não fica lá com frequência. A rua Paissandu, quando passa da Ipiranga, está cada vez mais deserta. E o elevado da Pinheiro Machado está cada dia pior”. Tal viaduto, também conhecido como Viaduto Engenheiro Noronha, foi o mesmo em que ocorreu a fatalidade com o motoqueiro Miguel Ayoub Zakhour, de 19 anos, no mês passado. Ele terminou sendo vítima de um assalto, no qual foi atingido por um disparo e não resistiu aos ferimentos. Segundo a estudante de jornalismo Ana Gabriella Werkheiser, os assaltos neste ponto exato estão cada dia mais frequentes e com ações “escancaradas”. A universitária também relata que bairros como Laranjeiras, Flamengo e Catete estão abandonados pela segurança pública: “A tendência é piorar”.


Roani Sento Sé – 7º Período

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