Muito além da camisa

Que o futebol é um esporte que move milhões ao redor do mundo todos sabem. A paixão pela modalidade faz os torcedores sentirem-se cada vez mais motivados a estarem inseridos dentro das quatro linhas. Não basta apenas assistir a uma partida, acompanhar as notícias do dia a dia ou simplesmente torcer. Os fãs buscam cada vez mais fazer parte do time e uma forma de demonstrar esta identificação que se dá através dos uniformes destas equipes. As camisas de futebol refletem diversos fatores, entre eles, o principal é, sem dúvidas, a tradição. As cores do clube se fazem sempre presentes, criando identificação do público com símbolos como a faixa transversal do Gigante da Colina (Vasco), as listras alvinegras do Glorioso de General Severiano (Botafogo), o rubro-negro do Urubu da Gávea (Flamengo) ou o verde, branco e grená do Tricolor das Laranjeiras (Fluminense).

Por falar em Botafogo, o assessor de marketing do clube, Felipe Soares, e o designer de moda Daniel Barbosa revelam que o aspecto da tradição é de fato o mais importante no momento do projeto de uma nova coleção. O alvinegro é um clube com 112 anos de história e certamente o retrato dos grandes ídolos do passado ficam marcados. Felipe conta ainda que as últimas gestões do futebol interferiram diretamente na confecção dos uniformes. Em função disso, eles capricharam nas novas camisas que vestirão os atletas nesta temporada. O designer conta que, para a nova coleção, eles fizeram questão de excluir os tons de dourado presentes nos dois últimos uniformes. “Este ano, o uniforme do Botafogo é exclusivamente preto e branco e com uma gola no pescoço, uma referência aos modelos usados na década de 60”. Outra novidade ainda é a volta do terceiro uniforme na cor cinza, muito usado nos anos 50 – uma referência ao passado glorioso da equipe. “É ainda uma forma de homenagear o clube pelos 20 anos do último título brasileiro conquistado em 1995”.

COLEÇÃO DE CAMISAS

Coleção de camisas [foto: Zahyr Neto/Agência UVA].

Durante toda a temporada de competições, os clubes e seleções de todo o mundo promovem grandes eventos para divulgação dos uniformes. Eles organizam grandes eventos dignos de uma São Paulo Fashion Week com modelos contratados ou até mesmo os próprios atletas desempenhando a função. As fornecedoras de materiais desempenham papel fundamental na confecção do material e os patrocinadores investindo um montante cada vez maior de dinheiro para divulgação de suas marcas, o que algumas vezes fazem dos uniformes verdadeiros outdoors.

De qualquer forma, os uniformes dos clubes movem a paixão dos fãs. Um exemplo desses torcedores fanáticos é Roberto Barbosa, que levou sua filha Marina a colecionar camisas do seu clube de coração. Aos 50 anos, já são dezenas de uniformes do Flamengo. Ele garante que sempre trata de renovar o guarda-roupas a cada novo lançamento e toda vez que viaja a mala é composta exclusivamente de itens do rubro-negro carioca. Segundo Roberto, cada uma das camisas tem uma história e representa uma fase do Flamengo, um time que mudou a vida dele. “Vai muito além de torcer, é um sentimento único, cada um de nós não escolheu o Flamengo. Foi o Flamengo que nos escolheu”.

COLEÇÃO THIAGO

Coleção de camisas de Thiago Barletta [foto: Zahyr Neto/Agência UVA].

A grande circulação dos uniformes também faz surgir novos admiradores da modalidade. Exemplo disso é o estudante de 19 anos Thiago Barletta e seu avô, o Sr. Oswaldo. Morando na Colômbia há pouco menos de um ano, Thiago conta que não era um admirador do esporte e que a mudança para o país o deixou mais saudosista e com isso, tornou-se um grande fã do esporte mais popular do Brasil. A cada semana ele aumenta sua coleção, que conta com uniformes das principais seleções, além de alguns clubes europeus. Ele define essa como uma forma de se sentir mais próximo do Brasil. “O futebol aqui é popular, mas nada se compara ao Brasil. Tenho um grande orgulho da minha coleção de uniformes que ainda é pequena, mas pretendo aumentá-la em breve”.

E Oswaldo não fica para trás. Aqui do Rio, ele nutre uma paixão de mais de 50 anos por um clube tradicional e muito querido da cidade, o América. “Conheci o time graças ao meu pai e meus irmãos. Sou tão fã que tenho uma tatuagem do meu time e temos a esperança de que vamos sair desta situação para podermos enfim brigar entre os grandes do Rio”. O caso de Thiago e seu avô comprova que não é preciso torcer para um clube para amar o futebol. Muitos amam o futebol no seu espírito e na sua essência e segundo ele, nada como o manto de um time para ilustrar e demonstrar a todos essa paixão pelo esporte.


Zahyr Neto – 8º Período

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