Cultura pop e geek

A fila que se formava na entrada do Pavilhão 4 do Riocentro uma hora antes da abertura dos portões já mostrava que o tempo frio e chuvoso não desestimulou o público de comparecer ao último dia do Geek & Game Rio Festival, neste domingo, 23. Com uma programação que incluía o campeonato de League of Legends na arena Game Station, diversos workshops, desfile de cosplay, premiações e painéis sobre Warcraft e com os criadores do canal Pipocando, o encerramento da primeira edição da convenção empolgou o público, que compareceu em peso. Sem dúvidas, a atração que mais atraiu o público foi a disputa de LoL entre as equipes INTZ e ProGaming, iniciada às 11 horas com a apresentação dos times. Já durante o aquecimento dos jogadores, a plateia da arena foi tomada pelos fanáticos pelo game.

A primeira partida, marcada para 10h40min, começou com um significativo atraso, sendo iniciada pouco antes de 13h. Mais tarde, com a partida em andamento, os gritos de torcida dos espectadores era audível até do lado de fora do pavilhão. Enquanto isso, no GGRF Lab, acontecia o workshop “Mídias Digitais e Cultura Pop”, ministrado por Victor Azevedo, professor da Universidade Veiga de Almeida. As atividades começaram cedo, às 11h e o objetivo é discutir e celebrar a cultura pop em terras cariocas. Segundo o palestrante, “ser pop é ser nerd”.

O bom humor de Victor divertiu o público, que permanecia atento às explicações do acadêmico. Ele iniciou o bate-papo contando sobre as influências do iluminismo, da sociologia e do sujeito pós-moderno na formação cultural. “Os indivíduos do último grupo são altamente fragmentados e diluídos nas redes sociais”, afirmou. Victor também conta suas experiências pessoais com o mundo digital, e compartilha as histórias cômicas que vivenciou. “Minha mãe, por exemplo, demora para digitar. Às vezes acho que ela consegue subverter o WhatsApp”, ele brincou. Em seguida, o palestrante discute sobre a quebra do espaço-tempo e o aparecimento de um “novo consumidor”, que está cada vez mais automatizado. “A internet cria padrões que automatizam toda a nossa rotina”, ele disse.

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Victor Azevedo no oficina “Mídias Digitais e Cultura Pop” [foto: Iago Moreira/Agência UVA].

Os impactos no comportamento também foram abordados. Fatores como solidão, stress e imersão foram levantados. Victor explicou que ferramentas como o Google mudaram a relação do homem com a informação. “Não lembramos da informação em si, mas sim onde ela está.”Depois, foi a vez das tendências e as novas tecnologias entrarem em pauta. O Facebook é um exemplo de plataforma que está sempre se atualizando, principalmente após o recurso do “Live”.

De acordo com o palestrante, as fotos e vídeos serão substituídos pelo “ao vivo”. O “Phygital” – mescla entre o mundo digital e o físico já é um termo usado e reflete as transformações causadas pelos aplicativos e jogos de realidade virtual. Já com a Cultura Pop, o professor fala que é um mundo que possui uma causa macro, com diversas micro causas, como Game of Thrones, Marvel, DC Comics, entre outras. “É necessário se apropriar de causas ou criá-las”, ele explicou. A palestra acabou às 13h com uma demonstração de cases de sucesso no meio do marketing e do digital e a distribuição de certificados para o público.

Simultaneamente aos dois eventos, o painel “Toma Meu Like: Quadrinhos que Nasceram na Internet” trouxe artistas que foram escolhidos por representarem o seleto grupo que, por excelentes oportunidades, migraram da web para o livro físico. Carlos Ruas, de “Um Sábado Qualquer”; Marcos Noel, de “Gi & Kim, os Bem Casados”; Marcelo Amaral, de “Ser Pai de Menina é…”; Ana Carolina Recalde, de “Beladona”; Estevão Ribeiro, de “Os Passarinhos”, sendo mais uma vez o mestre de cerimônia, colocaram em pauta suas principais fontes de inspiração, a ligação com os fãs e o que mobilizou a confecção de seus livros.

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Painel “Toma Meu Like” [foto: Roani Sé/Agência Uva].

Carlos Ruas era o mais conceituado da mesa e sua obra, que envolve personagens ligados a religião, foi debatida com humor e plenitude do autor falando que sempre se interessou pelo tema religioso. “Como eu era designer e gostava de tirinhas e histórias em quadrinhos, resolvi unir meus gostos em uma coisa só.” Ana Carolina, dentre os participantes da conversa, foi quem deixou claro que como professora não tinha nos quadrinhos sua principal vocação. Ela disse que sua ”Beladona” é um projeto diferente de seus companheiros de palestra, por se assemelhar mais a uma graphic novel, entretanto, realmente foi desenvolvida visando uma obra online.

Marcos e Marcelo falaram um pouco sobre usar suas experiências pessoais em âmbito familiar para desenvolver suas histórias. Marcelo, que tem sua filha como personagem principal, fala sobre como cuidar dela em seu praticamente diário compartilhado. Os quadrinhos foram o chamariz para outros pais apreciarem sua arte e até mesmo se verem nas situações, dando assim um feedback através das redes sociais. Ele afirma que só vai parar de inspirá-lo a seguir se a filha algum dia pedir.

Já Marcos falou sobre a questão do casal e as situações que envolvem um relacionamento. Ambos mencionaram que a interferência de suas esposas, fontes de convivência como bem dito por Estevão, tem um preço importante, já que eles sempre perguntam se podem falar sobre certos acontecimentos. Marcos, por sinal, falou sobre a vez em que foi taxado como machista por transpor certo fato na tirinha. “São acontecimentos de rotina de um casal e não quer dizer que estou dizendo que meu leitor tem de agir de tal maneira”. A partir daí foi posto em pauta os “haters” e como os artistas lidam com estes.

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Painel “Toma meu Like” [foto: Roani Sento Sé/Agência Uva].

Carlos disse gostar dos “odiadores” por representarem maior visualização e divulgação para seu trabalho. Ele mencionou a vez que um crítico vinha a toda nova publicação falar que quem lê as tiras iria para o inferno. “Foi instaurada quase “uma guerra Santa” quando os fãs iam retruca-lo, mas tomei uma atitude que funcionou bem. Fiz uma tirinha especialmente para ele”. Na tira Carlos brincou fazendo com que seu desafeto terminasse indo parar no inferno, por tanto estar presente em cada postagem. “Depois disso o hater desapareceu”.

Mesmo assim, ele falou que já teve suas tirinhas censuradas. O último ponto tratado veio através da pergunta de um espectador que quis saber se tinham algum conselho a dar para quem está começando. Todos foram muito enfáticos em falar para tratar de um assunto que fosse pertinente ao seu nicho e seu gosto pessoal. “A segunda coisa mais importante é usar as mídias sociais. Elas são o maior veículo. E para te dar mais segurança saia do seu ciclo familiar e amigável, quando chegar ao ponto de receber um comentário positivo de uma pessoa aleatória pode ter a segurança de que o que está fazendo está funcionando”, disse Carlos.

Ana completou com a celebre mantenha a regularidade. “Se você é capaz de fazer só uma página por semana, tudo bem, mas mantenha uma página por semana e tente melhorar o tempo. Respeite seus leitores, quanto mais vocês tratá-los com respeito, melhor para você ser tratado como profissional. Busque grupos e comunidades que tratem daquele tema que gosta, também é importante.” Marcelo reforçou dizendo que tem de haver uma interação com os fãs e Marcos disse que não se pode desistir após a primeira crítica, “Mantenha-se verdadeiro e à vontade com seu gosto.”

O painel “Podcast no Brasil – as Rádios Desintonizadas”, com Izzy Nobre, Jurandir Filho, Evandro de Freitas, Cid e Bryan Rizzo falou sobre a situação dos podcasts no cenário brasileiro, em comparação com o daily americano. Segundo eles, os produtos dos EUA são muito mais “quadrados” e sem efeitos especiais, mas – mesmo assim – como o incentivo publicitário é muito alto, os conteúdos são sempre acompanhados pelo público.

Já o Brasil ainda está atrasado no que diz respeito ao mundo do podcast, mas os especialistas acreditam que ainda sim esse é um terreno fértil para se investir. Bryan Rizzo do “Não Ouvo”, acha que esse tipo de mídia tem potencial para ficar tão grande quando o rádio um dia, assim como acontece nos EUA.

Logo em seguida, quem subiu ao palco do Hiker Station foi a dupla Bruno Bock e Rolandinho, do canal Pipocando. “A maior pipoca do Brasil” foi apresentada para um público fiel e empolgado, que se divertiram com a palestra dos youtubers sobre os mitos de produzir conteúdo para o Youtube. Bem humorados, os dois falaram sobre a rotina de trabalho e as dificuldades de se trabalhar com este tipo de mídia.

O painel dos youtubers do Pipocando findaram a primeira parte do último dia do Geek & Game Rio Festival. Leia a segunda parte aqui.


Beatriz Brito – 5º Período
Luana Feliciano – 5º Período
Thainara Carvalho – 5º Período
Roani Sento Sé – 7º Período
Caroline Pessoa – 5º Período
Iago Moreira – 7º Período
Daniel Deroza – 8 Período

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