Uma tarde de emoções

O 2º dia do Geek & Game Rio Festival foi marcado pela proximidade dos atletas e artistas com a plateia

A tarde do segundo dia do Geek & Game Rio Festival começou com a ansiedade em torno do campeonato feminino de Counter-Strike: Global Offensive, disputado pelas equipes ProGaming e Team Victory. Antes do início das partidas, as integrantes de cada time subiram ao palco da arena Game Stadium para a apresentação dos grupos.

A jogadora Ingrid Favret declarou que se preparou intensivamente para a competição e que a expectativa de ganhar era grande. “Nós treinamos juntas há bastante tempo, fazendo um intensivo”, ela declarou. As integrantes do Team Victory declararam estarem animadas para a competição e o evento, e também afirmaram acreditarem que é “mais que válido” trazer um evento como esse para a cidade do Rio de Janeiro, além de esperarem por uma próxima edição.

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Ingrid Favret na apresentação das equipes [foto: Caroline Pessoa/Agência UVA].

O jogo já começou com a intensa torcida da plateia, a qual presenciou uma reviravolta que deixou os ânimos ainda mais à flor da pele: a partida teve de ser reiniciada. Se na primeira vez, a ProGaming abriu o placar com 2 a zero, após o recomeço, a Team Victory saiu na frente, atiçando o público com as jogadas bruscas.

A disputa entre as duas equipes foi acirrada, com inúmeros momentos de empate. Mas, depois da décima quinta rodada, a Victory assumiu a liderança consistentemente. E, em uma mudança que levantou a audiência, a Progaming virou o jogo. Com um empate na trigésima partida, o jogo foi prorrogado até quase o final do segundo dia da convenção. Mas, no fim, o Team Victory levou a melhor e venceu a competição.

Já no meio da tarde, às 15h, teve início o Meet & Greet com os escritores de literatura fantástica Eduardo Spohr e André Gordirro, que receberam os fãs para uma sessão de fotos e distribuição de autógrafos. A fila para conhecer os convidados estava imensa e os público parecia empolgado com o encontro.

Matheus Melo, 20 anos, é um desses fãs. O estudante conta ser fã das obras de Spohr e fala um pouco sobre o gênero literário. “Eu acredito que há vários escritores muito talentosos no Brasil, e o Eduardo é um exemplo disso.” Segundo ele, é importante apoiar os artistas locais para conseguir mais visibilidade.

Após a sessão, os convidados seguiram para o painel “Ferramentas Criativas – Influência da cultura pop na formação literária”, que começou às 16h30, no auditório Hiker Station. A plateia estava cheia e a empolgação do público era visível. O objetivo da conversa é discutir como os filmes, séries, livros e desenhos animados ajudaram a construir a formação literária dos escritores.

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André Gordirro, Affonso Solano e Eduardo Spohr durante painel [foto: Thainara Carvalho/Agência UVA].

Eduardo Spohr falou sobre sua infância e a sua timidez. Segundo ele, os tímidos são grandes amigos. “A pessoa tímida é desconfiada, portanto vai escolher muito bem de quem se aproximar.” Ele afirma, ainda, que “Caverna do Dragão” foi uma grande influência de seu trabalho. Os convidados seguiram debatendo sobre os elementos que fizeram parte de suas referências culturais.

Em relação ao universo dos filmes, Spohr declarou que “O Império Contra-ataca” foi um marco em sua vida. Para ele, as histórias mitológicas são sempre bem contadas. “Elas falam diretamente comigo”, disse. Já com Star Wars, ele diz que o filme mostra que todas as religiões são iguais. “O que muda é a capa”, afirma o escritor.

Para Affonso Solano, mediador do painel, o filme que mais o influenciou foi “O Labirinto” – estrelado por David Bowie nos anos 80. “É um filme que compreende as naturezas distintas entre o homem e a mulher”. Ele explica que a boa ficção é encontrar a verdade dentro da mentira. O bate-papo teve fim às 17h30 da tarde e arrancou fortes aplausos do público.

Outro painel que começou às 15h e encheu o auditório Hiker Station foi o “Três Nunca É Demais”. A lotação tinha um motivo claro: a presença dos youtubers Malena, Damiani e Rato Borrachudo. O interesse pelo painel foi tão grande que muitas pessoas assistiram ao debate de pé, do lado de fora do espaço, atrás das grades de contenção.

Os três representantes do painel mostraram o quanto é importante levar a sério o que está por trás do desenvolvimento do material exposto nos vídeos, o youtuber não apenas ser um status, mas também representar um status. Os pontos colocados em questão mostram o lado humano do trio. Eles, em 40 minutos, mencionaram sobre a importância da edição e como ela se tornou uma paixão.

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Painel com os youtubers Malena, Damiani e Rato Borrachudo [foto: Roani Sento Sé/Agência UVA].

Damiani que foi um dos primeiros a fazer game-play muito antes de o termo chegar ao Brasil. “O máximo que a gente esperava era arrumar uma parceria com uma loja de games para ganhar alguns jogos de graça”, ele brincou. Malena, que também se tornou escritora, mencionou a importância do público na decisão de escrever o próprio livro. Ela falou ainda sobre a realização de seu sonho e, de forma até emocional, deixou claro o quanto aprecia o feed back que recebeu.

De maneira irreverente e à vontade, os três mencionaram como é legal o dinamismo de produzir os vídeos em conjunto e como o processo de edição, mesmo sendo complicada, é divertido para – até quando o público repara em erros que eles, por causa do olhar viciado pelas longas horas de trabalho, não conseguem reparar.

Eles também falaram sobre as experiências mais estranhas que já tiveram com fãs. Malena falou sobre uma carta em que recebeu cabelo, dente e sangue de uma jovem fã , tornando-se alvo de piadas referentes à série “13 Reasons Why”, na qual o protagonista recebe 13 fitas que devem ser ouvidas, em uma espécie de jogo psicológico. Rato relatou acerca de um painel em que uma mãe terminou por arremessar o filho para o palco. Já Damiani contou sobre um fã que ficou na porta de seu condomínio das 8 da manhã até as 14 horas.

Durante a rodada de pergunta do público, uma figura chamou a atenção de todos no auditório. Tratava-se de Alexandre Arraes, 21, que vestia uma fidedigna fantasia de Homem-Aranha. Após o painel, em entrevista, o cosplayer contou que já acompanha Rato e Damiani desde os 16 anos e gosta do fato de eles serem “sempre sinceros e divertidos, até na ‘vida real'”. Quanto ao GGRF, Alexandre destacou a proporção e o pioneirismo da convenção. “Um evento com essa dimensão, no Rio, deve ser celebrado, já que não é tão comum”.

Logo após o fim do painel, teve início o workshop “Recursos Narrativos para Quadrinhos”, no GGRF Lab, com Rodney Buchemi, que fez uma análise do trabalho de grandes ilustradores e os recursos adotados por eles para criar um conceito visual coeso para uma HQ’s, posteres de cinema e ou qualquer outro produto que tenha que contar uma história ou passar uma ideia somente por meio de imagens.

Jogo de luz, cor fria e cor quente, além de como prender a atenção de alguém recorrendo apenas à visão foram alguns dos tópicos tratados no começo da noite deste sábado. Apresentando trabalhos de diversos profissionais renomados da área, tal qual Drew Stuzan, responsável pela criação dos posteres de filmes de sucesso como “Star Wars”, “O Labirinto do Fauno” e “Hell Boy”, Buchemi frisou que todas estes layouts sempre são apresentadas primeiro para a empresa contratante e podem sofrer diversas modificações antes a divulgação do modelo final.

Já no começo da noite, o auditório recebeu mais uma das atrações internacionais do GGRF. Trata-se da homenagem a Iain Smith, produtor de filmes como “O Quinto Elemento”, “Filhos da Esperança” e o recente e oscarizado sucesso “Mad Max: Estrada da Fúria”. Iain compareceu ao Geek & Game Festival para contar um pouco sobre a sua trajetória no cinema.

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Painel com o homenageado da noite, Iain Smith. [foto: Thainara Carvalho/Agência UVA]

A conversa se iniciou com o produtor falando do trabalho. Segundo Iain, seu papel é ajudar os diretores a fazer o melhor filme possível. “Uma das minhas funções é organizar todo o projeto e entregar o melhor resultado para a audiência”, ele afirma. Quando perguntado sobre o trabalho mais difícil de sua carreira, Iain responde que foi uma obra realizada em Calcutá.  “O local estava sobre ataques políticos e de bombas, então nós tínhamos que lutar todos os dias para continuar gravando”, explica.

Quanto à ruptura de gêneros que houve em sua trajetória cinematográfica, Iain esclarece que, para ele, só há dois tipos de filmes. “Há os bons e os ruins”. Depois, a conversa seguiu em direção à uma de suas obras mais longas, “7 anos no Tibet”, que levou 14 anos para ficar pronta. O produtor chegou a achar que a ideia era uma loucura. “Eu estava gastando muito dinheiro, mas dentro de mim, sabia que ele seria feito”.

Mais tarde, quando as curiosidades e os bastidores foram abordados no bate-papo, ele falou sobre a sua relação com o elenco de seus filmes. De acordo com Iain, a solução é tentar se conectar com os atores quando eles se comportam mal. “Às vezes, tenho vontade de bater neles, mas preciso entender o que passam”, explica.

Em seguida, o produtor discutiu o ressurgimento de franquias. Para ele, filmes como “Mad Max”, por exemplo, são incomparáveis, e quando surge a oportunidade de fazê-los, eles precisam ser mais rápidos e maiores para causar um grande impacto. O painel terminou às 19h30, com as perguntas do público e uma fala definitiva do produtor. “Os filmes são como filhos – você os ama, mas pode odiá-los às vezes.”

E, já no período da noite, um dos workshops oferecidos pelo Geek & Game Rio Festival foi o “Edição de Vídeos”, ministrado por Anderson Gaveta, criador do Gaveta Show e editor do Grupo Epic, que abordou tópicos essenciais para a produção audiovisual, como filmagem, edição e pós-produção, mas, principalmente, tratou-se de uma introdução ao Premiere, o mais conhecido programa de edição, do pacote Adobe.

Gaveta mostrou alguns de seus trabalhos para o site “Jovem Nerd”, além de vídeos do próprio canal no YouTube – homônimo ao dono. Tratando-se de uma convenção voltada para o público geek/gamer/nerd, o workshop era direcionado a um público que já dominava, pelo menos, o básico do editor.

O convidado deu várias dicas referentes à passagem de áudio. Segundo ele, o áudio “é 50% da produção de um vídeo”, mas que, na maioria das vezes, as pessoas se esquecem disso, negligenciando este aspecto. “A qualidade do áudio é importante para o vídeo”, ele afirmou para a sala lotada – foi o workshop mais cheio da convenção desde a abertura, na última sexta-feira.

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Anderson Gaveta durante oficina. [foto: Iago Moreira/Agência UVA].

Apesar de tratar de um assunto técnico, Gaveta sempre se mostrou muito descontraído, interagindo de forma engraçada tanto com os espectadores quanto com os fãs que o abordavam após o fim do workshop, tirando fotos e atendendo a todos. Todas as dicas dadas por ele eram sempre acompanhados por vídeos, como do “Dublaralho”, que, aliás, terá uma sessão ao vivo, no próximo domingo, dia 28, no Cine Odeon, na Cinelândia, das 11h às 18h.

Ao final do workshop, três pessoas do público foram sorteadas para participarem de uma rodada do Escape60, um jogo de estratégia, no qual os participantes são colocados dentro de uma história de crime e devem solucionar o mistério em 60 minutos. Gaveta afirmou que o dia seria dedicado a interagir com os fãs. Ele também contou que estará presente no domingo, último dia do Geek & Game Rio Festival.


Beatriz Brito – 5º Período
Luana Feliciano – 5º Período
Thainara Carvalho – 5º Período
Roani Sento Sé – 7º Período
Caroline Pessoa – 5º Período
Iago Moreira – 7º Período
Daniel Deroza – 8 Período
Leonardo Marques – 8º Período

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