Reflexões sobre games

O período da tarde continuou agitado nesta primeira edição do Geek & Game Rio Festival. Principalmente com o painel encabeçado pelo youtuber Zangado. Um PlayStation, um controle decente, um jogo péssimo e uma máscara de R$1,99 – estes foram os elementos que formaram o primeiro vídeo de Zangado. Agora, com mais de 3,5 milhões de inscritos e uma legião de fãs carinhosamente apelidados de gafanhotos e libélulas, Thiago Zangado se tornou uma referência entre youtubers gamers.

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Youtuber Zangado durante apresentação. [foto: Iago Moreira/Agência UVA].

O que o diferencia de outros não é apenas a relutância em fazer vídeos colaborativos com colegas da plataforma, mas é, principalmente, a sua marca registrada: a máscara de Guy Fawkes. No GGRF, ele falou sobre sua mais nova peça, feita em colaboração Un m eu sou ou o que eu faço fora do YouTube não importa”. Sobre o uso da máscara, o youtuber simplesmente diz: “Precisava de um rosto meu”.

O encontro entre a personalidade do YouTube e o ilustrador de uma das obras mais icônicas das últimas décadas foi um importante alerta da necessidade de reflexão. David afirmou que o motivo de ter criado “V de Vingança” era disseminar seus pensamentos e os de Moore sobre a situação da Inglaterra à época. “Se você é um artista e tem algo a dizer, você tem que dizer, senão, sua fama é um desperdício”, ele apontou.

Outra atração que configurava entre as mais esperadas do dia era o painel com Tim Schafer, criador de games como “Psychonauts” e “Broken Age”. O desenvolvedor está celebrando 15 anos de carreira e visita o Brasil pela primeira vez. Durante a fala, Tim contou detalhes sobre seu trabalho, como, por exemplo, o por quê de ter seguido esta carreira. “Sempre soube que queria trabalhar com videogames, e, ao mesmo tempo queria algo que envolvesse escrita criativa. Foi assim que surgiu o interesse pelo ramo”, ele declarou.

O bate-papo todo em inglês não dispersou o público, que lotou a plateia. Tim também falou um pouco de uma das principais características de sua obra: a mescla entre o antigo e o novo, e o processo de remasterização. “Na minha carreira, fiz coisas que conquistaram muitas pessoas, então eu não podia mexer nesses traços que trouxeram tantos admiradores”.

Quando perguntado sobre o futuro dos games em Realidade Virtual, ele esclarece que não dá para saber o que vai acontecer, mas se mostra abertos às novas possibilidades que os avanços da tecnologia traz. “Pode ser algo que todos vão amar ou abandonar após um tempo, mas é importante que estes avanços existam porque não podemos ficar parados em uma coisa só”.

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Black Dragons (de preto) e Santos Dexterity (de branco) fazendo foto final. [foto: Iago Moreira/Agência UVA].

E outro ponto alto do dia foi as novas etapas do campeonato de Rainbow Six, no Game Stadium, entre as equipes “Black Dragons” e “Santos Dex”, que, como já era de se esperar, lotou a arena. A disputa foi acirrada, com um panorama geral de empate. Durante a última disputa, os Black Dragons lideravam com folga, mas, no último momento, os Santos Dex deram uma virada e venceram a competição. Mesmo após a derrota, a torcida dos Black Dragons aplaudiram a equipe vencedora, mostrando que prevalece o espírito esportivo. Perguntado sobre a sensação de participar do primeiro evento voltado para o público Gamer aqui no Rio, Leone “oNe” Kayque, da Black Dragons, mostrou-se muito satisfeito e disse que é um grande prazer estar num evento desse porte em terras cariocas. Ressaltou que é de grande importância para o mundo dos games que esse tipo de evento seja realizado no Brasil.

Ao falar sobre a influência da provocação feita pelo Silence, da equipe do Santos Six, teve sobre a derrota, ele reagiu com descontração, destacando que as provocações fazem parte do jogo. Leone ressaltou ainda a amizade entre as  duas equipes. Após o encerramento, as duas equipes posaram para fotos e atenderam aos fãs que lotavam a arena Game Stadium. Enquanto isso, começava o último painel do dia, o qual atraiu o público por conta do nome, que despertou polêmica desde o anúncio na programação do Geek & Game Rio Festival. O debate “Star Wars e o Ódio a George Lucas” reuniu Eduardo Spohr, Affonso Solano, Anderson Gaveta e Tiago Rex para falar, de forma descontraída, sobre a decisão coletiva e peculiar de detestar a um único homem.

A discussão apontou que a mente por trás de sucessos como a trilogia original de “Star Wars”, “Indiana Jones – Os Caçadores da Arca Perdida” e “MIB – Homens de Preto” é considerado “um desastre como diretor”. Uma das razões que fez a perseguição começar, foi o fato de George Lucas ter ótimas ideias como ninguém nunca teve antes, mas não desenvolvê-las do modo que os fãs queriam. Eduardo Spohr atuou como mediador da conversa e começou o debate falando das histórias inéditas e inovações que o Lucas trouxe à franquia. Anderson Gaveta apontou uma das razões por ele ser odiado dentro e fora do set. “Ele é um diretor ruim, tanto é que ele começou a delegar tarefas, mas assim ele se tornou um ótimo produtor”.

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Painel “Star Wars e o Ódio a George Lucas” [foto: Iago Moreira/Agência UVA].

Tiago Rex defende que não há nada de errado em delegar funções, afinal ele tinha que criar a história. Na opinião dele, George Lucas erra quando tenta fazer de tudo sozinho, mas que o ritmo dos filmes é divertido. “É gostoso de se ver tudo fluindo naturalmente, uma boa introdução dos personagens e edição”. Já Eduardo Spohr afirma que apenas os primeiros 10 minutos do filme são bons, pois são uma aula de ritmo. “É tudo cinético e contável com as naves e o breu da cena”. Solano, então, rumou discussão para os âmbitos narrativos falando sobre como quando o artista lança seu produto, ele já não se torna seu. “É por isso que os fãs têm o direito de opinar sobre as questões da direção do George Lucas”.

E assim Gaveta completou, dentro de seu direito, que apesar de Lucas não ligar para o modo como sua obra era lida, há uma diferença entre conselhos e críticas, e Lucas ouvia todas como conselho. Ainda divagando sobre outros erros, como o de George ter retornado para tentar consertar seus erros que saíram nos cinemas, o grupo passou a discutir as influências Disney na franquia. “A melhor coisa que o Lucas fez foi vender os direitos, mas ainda estar envolvido”, comentou Spohr. A concordância geral é que jamais saberão como seria um Star Wars 7 sem a Disney, mas certamente ele seria diferente do que foi presenciado.

Em tom positivo, o painel foi finalizado tentando encontrar algo bom em cada um dos filmes. Gaveta disse ser a luta de Darth Maul com Obi Wan, enquanto Solano defendeu ser a presença dos jedi, e, Spohr, a trajetória de Palpatini. Rex, porém não conseguiu encontrar um lado bom, assim como a maioria dos outros fãs da saga.

O Geek & Game Rio Festival retoma suas atividades neste sábado, 22, com uma programação de competições, painéis, desfiles, stands de experiência de Realidade Virtual e sessões de Meet & Greet com diversos participantes, além das lojas dos expositores, onde os visitantes podem encontrar um leque variado de produtos da cultura nerd.


Beatriz Brito – 5º Período
Luana Feliciano – 5º Período
Thainara Carvalho – 5º Período
Roani Sento Sé – 7º Período
Iago Moreira – 7º Período
Daniel Deroza – 8 Período
Leonardo Marques – 8º Período

Um comentário sobre “Reflexões sobre games

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