Perfeição em forma de musical

329329-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxQuando o assunto é romance musical, a maioria dos filmes acaba caindo nos velhos clichês do cinema. Todavia, de tempos em tempos, algumas pérolas surgem em meio ao grande oceano da sétima arte e revive as boas sensações que, há tempos, não eram mais sentidas. Esse é o caso de “La La Land: Cantando Estações”. Um tributo aos clássicos do gênero, com um toque de originalidade e modernidade que só um bom diretor e roteiristas podem dar.

O “culpado” por tudo isso é Damien Chazelle, que em seu segundo filme de grande distribuição, já se consagra entre a seleta classe de melhores diretores do cinema moderno. Além de criar “La La Land”, Chazelle também foi muito elogiado ao comandar “Whiplash”. E depois de aprender com os erros da obra anterior, o jovem diretor americano de apenas 31 anos chegou muito perto da perfeição nesse novo longa.

Contextualizando, “La La Land” é um musical romântico que acompanha a história do pianista purista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) e da atriz iniciante Mia (Emma Stone). Ao longo de cerca de duas horas, o filme exibe comemorações e conflitos, pessoais e públicos, da dupla, usando canções e danças nos momentos mais marcantes de conexão entre os dois.

Todavia, não é só de cantoria que esse musical é feito. Assim como em “Whiplash”, a parte instrumental também é muito presente nesse novo filme. A diferença, é que invés de bateria, o ator principal tem o piano como seu objeto de trabalho. Usando a bela sonoridade do Jazz, o diretor soube combinar a liberdade que esse estilo musical traz, com o mesmo sentimento no ator. Nas cenas mais profundas, o personagem se “despluga” do resto do mundo enquanto toca, em uma conexão da alma com a música.

É claro que isso só é possível devido ao belo trabalho do compositor Justin Hurwitz, parceiro de Chazelle no cinema. Ao que tudo indica, mais um Oscar está por vir para o músico, que já ganhou o prêmio em “Whiplash”. Ryan Gosling também compôs uma das músicas. Depois de treinar quatro horas por dia, durante três meses, ele convence muito como pianista, devido ao bom desempenho diante das teclas. Por outro lado, cantar não é o forte do ator americano, que até tem uma desenvoltura para dançar, mas fica preso na hora de soltar a voz.

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Damien Chazelle ensaiando com Ryan Gosling.

Problema este que não foi compartilhado por Emma Stone. Em um dos melhores papeis de sua vida, a atriz encanta ao público durante todo o filme. Em algumas cenas, fica claro o esforço dela para se sair bem, mostrando que realmente estava fazendo de tudo para que tudo desse certo. Vale a mencionar que Hurwitz não foi a única pessoa que trabalhou com Chazelle em “Whiplash” que também participa de “La La Land”. J.K. Simmons, que no filme antigo incorporou o professor sádico da escola de música, agora se passa por Bill, dono de um simples bar que tem música ao vivo. A participação dele é rápida, porém marcante e desperta nostalgia para aqueles que acompanharam os dois longas do diretor.

A participação de J.K. Simmons é a primeira de muitas referências que compõem “La La Land”. Quadros escolhidos para compor a fotografia, cortes e efeitos de passagem e coreografias musicais fazem tributo à filmes clássicos do cinema antigo, como “Sinfonia de Paris” (1951), “Cinderela em Paris” (1957) e “Cantando na Chuva” (1952).

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Finalizando, dizem que a primeira cena do filme é um resumo da obra. Sendo assim, como o primeiro take se passa em cima de um viaduto, pode-se dizer que “La La Land” é isso. Um viaduto. Uma ponte. Uma conexão entre dois lados, entre o velho e o novo. O longa beira a perfeição, em todos os sentidos e depois de se tornar o maior vencedor do Globo de Ouro – conquistando sete troféus – o título vem forte na briga pelo Oscar. Todavia, terá que disputar a estatueta dourada com a também excelente “A Chegada”. Independentemente de quem levar, o importante é que a sétima arte ganhou mais uma obra cinco estrelas.


Iago Moreira- 6º Período

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