Ode à alegria e à nostalgia

cartaz_saltimbancos_menor_0Eles voltaram. 35 anos depois do lançamento do filme original, Renato Aragão e Dedé Santana retornam às telonas do cinema com a segunda parte de um dos filmes mais populares da história brasileira. Trata-se de “Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood”, um longa recheado de referências para quem conhece a obra original e repleto de boas experiências para quem está entrando nesse mundo agora.

Contextualizando, depois que foi proibida a apresentação de animais em espetáculos, o Grande Circo Sumatra está passando por uma crise financeira. Para tentar reverter esse quadro e não levar tudo à falência, o dono do circo, Barão (Roberto Guilherme), aceita fazer leilões de gado, comícios e outros eventos para angariar fundos. Todavia, isso pode acabar transformando o lugar em um parque de eventos do prefeito Aurélio Gavião (Nelson Freitas). Para reverter esse quadro catastrófico e retomar os dias de glória do circo, Didi (Renato Aragão) e Karina (Letícia Colin) decidem montar um novo número para tentar salvar o dia.

A história não é muito profunda, e nem precisa ser. O texto quase teatral não se preocupa em apresentar um grande plot para o público e sim levar diversão e nostalgia com piadas e músicas. Falando desses dois pontos, Didi e Dedé tem um carisma impressionante, a dupla consegue deixar qualquer frase simples e banal muito engraçada, mostrando que ainda é possível sim fazer comédia sem apelar. Não obstante, o lado musical do filme também foi muito bem feito, com ótimas coreografias e uma produção artística muito boa. O único ponto que talvez incomode alguns é o exagero de sintetizadores de voz em algumas canções.

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Didi, João Daniel Tikhomiroff (diretor) e Dedé durante gravação

De modo geral o elenco vai muito bem, Maria Clara Gueiros, interpretando Zoroastra – uma espécie de cigana que finge prever o futuro –, Marcos Frota, dando vida à Satã – cuspidor de fogos, atirador de facas e gerente malvado do circo – e Alinne Moraes, se passando por Tigrana – acompanhante de Satã – se destacam no elenco secundário. Todavia, a forçada e enjoativa relação entre Livian Aragão e Rafael Vitti ocupa muito tempo de tela e acaba cansando o expectador.

“Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo A Hollywood” é um filme honesto. Que não apresenta, e nem pretende, o roteiro ganhador de um grande festival, mas entrega ótimas horas de diversão para quem acompanha. Bem dirigido, produzido e feito com alegria, é impossível não gostar dessa obra. Infelizmente Mussum e Zacarias não estão mais vivos para prestigiar essa bela homenagem feita a eles, mas foram muito bem representados e honrados pelos companheiros Didi e Dedé. Que isso não seja uma despedida e sim um recomeço para o grupo de humoristas mais famosos do Brasil.


Iago Moreira- 6º Período

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