De volta ao mundo da bruxaria

072693-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxHoje, chega aos cinemas brasileiros um dos filmes mais aguardados do ano: “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que conta as aventuras de Newt Scanner, autor do guia para bruxos do universo de Harry Potter. O longa é o primeiro trabalho da escritora J.K. Rowling como roteirista, e, como já era de se esperar, é recheado de fantasia e mistério, além do incomparável senso de humor britânico.

O filme acompanha a viagem do jovem britânico Newt aos Estados Unidos, onde a legislação da magia são bem diferentes dos ideais ingleses. Em solo americano, há um constante medo de uma guerra entre bruxos e não-majs – como os estadunidenses chamam os trouxas –, além de os animais fantásticos serem estritamente proibidos. Tudo isso é agravado pelo fato de a cidade de Nova York estar sob ataque de um ser maligno obscuro.

Logo após a chegada à terra do Tio Sam, Newt perde a maleta onde estão guardadas inúmeras criaturas mágicas, envolvendo-se em uma grande polêmica com os Aurores americanos. Para salvas a si mesmo e à cidade, o magizoologista parte à procura dos animais perdidos com a ajuda de uma ex-Auror, uma bruxa leitora de mentes e um não-maj, formando uma equipe improvável.

O protagonista da história é interpretado pelo ganhador do Oscar, Eddie Redmayne – em um de seus trabalhos menos excêntricos – e o ator consegue acertar perfeitamente o tom da personagem, um jovem socialmente desajustado não acredita que a segregação seja o caminho para o equilíbrio entre os mundos. O jeito weirdo de Newt dá leveza ao filme e em nenhum momento se torna caricato, como poderia ficar essas mãos de outro artista.

Katherine Waterstone – que dá vida à agente rebaixada Tina Goldstein –, Alisou Sudol – intérprete da leitora de mentes Queenie – e Dan Fogler – que interpreta Jacob, o único trouxa do grupo – são outros destaques da produção, que conta com um elenco recheado de astros conhecidos do público – e é neste ponto que está o principal problema do filme.

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 “Animais Fantásticos e Onde Habitam” possui um extenso número de personagens secundários, fazendo com que grandes nomes, como John Voight, se tornem meros “figurantes de luxo”. O outro deslize do roteiro está no desenvolvimento da personagem Mary Lou Barebone (Samantha Morton), uma das antagonistas do longa. Mary Lou aparece na tela por menos tempo que o necessário, e, consequentemente, as motivações da vilã nunca ficam, de fato, claras.

Já Collin Farrell, como o Auror Graves, e Ezra Miller, interpretando o introspectivo Credence, aparecem pouco ao longo do enredo, mas ganham o destaque merecido no último ato, que, aliás é repleto de plot twists que, com certeza, prenderão a atenção do público – além da tão comentada e aguardada participação especial de Johnny Depp. Já outros personagens coadjuvantes, não tem tempo suficiente em ação para que despedem interesse dos espectadores.

Por fim, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é um filme com grande valor de entretenimento – com excelentes efeitos visuais, elevados ainda mais pelo 3D –, que irá agradar não apenas os fãs da saga Harry Potter, mas o grande público também, uma vez que não é preciso ser um profundo entendedor do mundo de Magia e Bruxaria criado por J.K. Rowling, que debuta como roteirista de cinema em grande estilo.


Daniel Deroza– 4º Período

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