Cores do sal
O primeiro longa do diretor Marcos Guttmann chega aos cinemas amanhã. Intitulado de “Maresia”, o filme é protagonizado por Júlio Andrade e também conta com as participações de luxo de Vera Holtz e Pietro Bogianchini. A obra é a adaptação de “Barco a Seco”, sob a autoria de Rubens Figueiredo, que – por sua vez – é um livro de romance, vencedor do prêmio Jabuti em 2002. Guttmann trabalhou prioritariamente em curtas, desempenhando também a função de assistente de direção de Carlota Joaquina: Princesa do Brazil (1994), dirigido por Carla Camurati.
O roteiro co-escrito por Guttmann, Melanie Diamantas e Rafael Cardoso, oferece ao espectador a dinâmica narrativa paralela entre duas tramas que se fundem. A primeira delineada pela vida do perito de arte Gaspar Dias, especialista na obra de Emílio Vega, e a segunda, a vivência e a vitalidade do pintor alvo da fixação de Gaspar. Para estabelecer o perfil de Vega na trama, é dito ao espectador que o pintor espanhol erradicado no Brasil, chegou ao país de navio e que se considera um homem do mar. Para não suspeitar da veracidade do personagem, se vê o que se apresenta como sua casa. Um antigo barco, em que pinta paisagens em tábuas de madeira ou eventualmente sobre uma peça ressecada de um bacalhau.
Ao se conceituar um filme enquanto composição artística independente, sujeita a formular um texto (análise textual) que ampare os seus significados em estruturas narrativas (análise narratológica) e em elementos visuais e sonoros (análise icônica), provocando uma reação no espectador (análise psicanalítica). Então, da pra se identificar, em “Maresia”, uma investigação capitaneada pelo especialista em busca da verdade sobre o artista.
A construção da narrativa é alicerçada nos signos que remetem ao oceano, através da utilização do som ambiente de ondas quebrando, o sussurro do vento, o borbulhar da espuma, e o ruído provocado pelo deslocamento dos remos. Há ainda uma intensa utilização de closes nos personagens e um recorte marcante na abertura da obra. “Maresia” é um longa de ações, guiada apenas pelos ruídos do ambiente, com a ausência de diálogos, sem interferir na compreensão do que se desenrola. Uma verdadeira obra de arte.
Laís De Martin- 8º Período
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