Percorrendo paisagens subterrâneas

1Realizada no Centro Cultural dos Correios, no centro do Rio de Janeiro, entre os dias cinco de outubro e quatro de dezembro, a instalação fotográfica “O Casulo” reúne imagens que resultaram do trabalho do fotógrafo e geólogo Ricardo Siqueira, ao percorrer seis mil quilômetros em 180 dias, descendo a 31 cavernas espalhadas pelo país. Desde 1995, o fotógrafo se dedica a projetos audiovisuais, exposições e publicação de livros de arte, tendo vendido 56 mil exemplares, pautados essencialmente em suas fotografias. Além disso, Ricardo editou livros, através de seu acervo de imagens e temas plurais, como estradas, igrejas, e cavernas. As obras são caracterizadas por um rigor estético marcante, com uma abordagem única para cada página publicada. Portanto, Ricardo é considerado um editor-artesão.

O termo “casulo” é originado a partir do formato do núcleo da obra: uma estrutura cercada por fotografias, em que os visitantes, através de uma abertura na parte inferior, entram no interior da peça, onde estão outras imagens, criando “um universo silencioso e introspectivo”, como afirma o artista, que convidam a audiência a uma reflexão sobre questionamentos existenciais. Porém, antes de poder acessar o invólucro que dá nome a toda a exposição, o público tem que passar pela “antessala”, onde o clima que a ocasião necessita para que vivência da exposição funcione como o esperado.

Logo na entrada da instalação, são mostradas às pessoas imagens de grandes proporções que recepcionam os visitantes e os prepara para a próxima sala que oferece uma experiência sensorial através da baixa iluminação do local e da possibilidade de se guiar livremente com a utilização apenas do singelo feixe de luz de uma lanterna. Essa experiência implica na reflexão sobre o significado da existência humana e o centro da terra. “A primeira coisa que se aprende quando se entra em uma caverna é que aquilo não é como um quarto escuro. Não há a menor possibilidade de seus olhos se acostumarem com a falta de luz e você começa a enxergar frestas e silhuetas no meio daquela escuridão”.

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No Brasil estão localizadas algumas das maiores cavernas conhecidas no mundo. A Sociedade Brasileira de Espeleologia – organismo não governamental que integra os grupos dedicados à pesquisa, exploração e proteção de grutas e abismos no país – já registrou mais de duas mil cavidades, no entanto, o país já cadastrou mais de cinco mil. Os ambientes subterrâneos são caracterizados pela ausência de luz frequente, baixa variação de temperatura e umidade. Ademais, as cavernas brasileiras também conservam ossadas e vestígios fósseis de uma rica fauna já extinta, especialmente de grandes mamíferos, que datam de dez mil a um milhão de anos. Também foram localizados pinturas rupestres, sepultamentos, restos de fogueira e outros elementos que indicam a presença de antigos povos em nas grutas, que foram classificadas como sítios arqueológicos de relevância mundial.

“O Casulo” fica em cartaz até o dia quatro de dezembro, de terça a domingo, do meio-dia às sete da noite, no Centro Cultural dos Correios. A entrada é gratuita.


Laís De Martin – 8º Período

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