O novo longa do diretor Eryc Rocha, “Cinema Novo”, concentra-se na potência e no caráter político e poético do mais importante movimento cinematográfico brasileiro, iniciado nos anos de 1950, e que resistiu até a década de1970, sob influência do Neo-realismo dos cineastas italianos e da ‘Nouvelle Vague’ francesa. O documentário, considerado um filme-ensaio, percorre o movimento por intermédio de seus principais autores: Leon Hirszman, Paulo Cezar Saraceni, Ruy Guerra, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade e Glauber Rocha – pai de Eryc. A obra é constituída por fragmentos plurais de filmes e arquivos, cuja a montagem teve a duração de nove meses, tendo sido auxiliada pela participação das famílias dos autores. O filme denuncia a suspensão do movimento originada a partir do golpe militar de 1964, e o desdobramento do AI 5, em 1968.
A presença dominante no início da obra de imagens em preto e branco, mescladas a imagens coloridas contidas na sequência de recortes dos filmes Macunaíma, Terra em Transe, Deus e o Diabo na Terra do Sol, entre outros, são acompanhadas por offs que narram o início do movimento do Cinema Novo. A obra não se submete a um propósito conservador, através da narrativa, ao propor uma condição emocional que se repete ininterruptamente e simplifica o conflito do espectador ao assistir, como é percebido no cinema clássico.
O documentário inclina-se em elementos estéticos cuja convicção ideológica e filosófica, estão apoiadas em indagações políticas. É uma obra questionadora, que se empenha em alcançar novas formas de construção da narrativa apropriadas aos seus questionamentos estéticos, através da contestação. Não existe a progressão dramática, além disso, o texto, a imagem e o som não obedecem a uma linearidade, chegando até estar em conflito. “Cinema Novo” explora a possibilidade de não existir parâmetros na formação de imagens, sons e textos, entretanto não abandona o propósito de reflexão proposto pelo movimento sobre fazer um cinema brasileiro integrado à realidade cultural e social do país. Aqui, as câmeras foram às ruas. Os cineastas saíam em busca da verdade do povo.
Laís De Martin – 8º Período

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