Mais do mesmo

469885-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxApós o parceiro ser assassinado pelo mafioso Victor Wong, um policial de Hong Kong, Bennie Chan, promete que cuidará da filha do agente morto, Samantha Bay (Fan Bingbing). No entanto, quando a garota se envolve com criminosos subordinados a Wong, Bennie se vê moralmente obrigado a investigar e capturar o mulherengo apostador norte-americano Connor Watts para levá-lo a Hong Kong a fim de salvar Samantha. Esta é a sinopse de “Fora do Rumo”, nova comédia de ação estrelada por Jackie Chan e Johnny Knoxville.

O conjunto da obra é perceptivelmente inconsistente, desde o roteiro até a edição, passando pela direção fraca de Renny Harlin. O diretor finlandês, apesar de ter trabalhos conhecidos em seu currículo, nunca produziu nada de extraordinário, tendo momentos médios e baixos ao longo de sua carreira – como “Caçadores de Mentes” e o criticado “Hércules 3D”. Ainda assim, Harlin tem um bom timing para o gênero ação, uma vez que dirigiu o segundo filme da franquia “Duro de Matar”, mas só isso não salva “Foro do Rumo” da precariedade do roteiro de Jay Longino e Ben David Grabinski.

Todos os clichês dos filmes de Jackie Chan estão presentes: as coreografias absurdas de artes marciais, a “Aspiração MacGyver” na utilização de qualquer objeto que esteja ao redor com arma de combate, perseguições em veículos exóticos – neste caso, meios de transporte típicos da China – e as caras e bocas do protagonista. Neste aspecto, a única coisa realmente impressionante do filme é o inegável vigor físico de Chan no auge de seus 62 anos de idade. Fora isso, não há nenhuma surpresa.

As gerações que se divertiram assistindo aos sucessos do ator chinês na Sessão da Tarde nos idos anos 90 e 2000, talvez consigam apreciar o novo longo com um toque de nostalgia, porém o quesito Divertimento em “Fora do Rumo’ requer um certo esforço do espectador, já que todas as piadas do enredo são absolutamente telegrafadas – o público percebe a aproximação da anedota minutos antes desta chegar, abrindo a possibilidade até de se realizar uma contagem regressiva; a única descontração que de fato funciona – mesmo que de forma tangencial – é a referência à cultura pop recente, como o momento em que Chan se junta a um grupo de mongóis para cantar “Rolling In The Deep”, hit da cantora inglesa Adele.

Outro ponto que deixa a desejar é a relação entre Bennie (Chan) e Connor (Johnny Knoxville). A intenção de juntar as duas personagens em uma parceria é óbvia – o velho clichê de indivíduos de personalidades completamente opostas que se veem obrigados a cooperar um com o outro –, porém, como todo o resto do filme, esta interação é feita de forma artificial – “Fora do Rumo” visou embarcar no recente sucesso de Russel Crowe e Ryan Gosling em “Dois Caras Legais”, entretanto, o longa sino-estadunidense não cumpre a missão com a mesma eficácia da dupla norte-americana; enquanto Crowe e Gosling eram interessantes, Chan e Knoxville são apenas funcionais.

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Outro problema que prejudicou muito o andamento e a consistência do longa é sua edição exageradamente picotada, que beira o cartunesco – parece uma mistura entre a enfadonha franquia “Transformers” e o antigo desenho animado “As Aventuras de Jackie Chan”. A trilha sonora recheada de músicas pop tenta contribuir para o entretenimento do público, mas mira o alvo errado ao tentar injetar mais vitalidade em um filme que, em sua raiz, já é inquieto, o que se torna gradativamente cansativo.

Por fim, “Fora do Rumo” é um filme genérico – feito para tentar reavivar a carreira de Jackie Chan, que já lotou salas de cinema em seus anos de ídolo mundial –, que deixa o espectador com a sensação de que já viu aquela estrutura de enredo em algum outro lugar, porém feito de maneira mais competente – até mesmo pelo próprio Chan. Quem se divertia com os longas de artes marciais estrelados por Jackie Chan nas décadas pesadas pode até ser mais condescendente com a obra, mas este fato não faz com que “Fora do Rumo” deixe de ser a escolha perfeita para a extinta “Sessão de Sábado”.


Daniel Deroza– 4º Período

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