Celebrando o rock n’ roll brasileiro

Na noite da última sexta, dia 21, mais um evento grandioso foi sediado pelo Palco Arena da Fundição Progresso, na zona boêmia mais famosa do Rio de Janeiro, a Lapa. Os responsáveis por agitar o público carioca com muito rock foram duas das maiores bandas brasileiras do gênero: Raimundos e Capital Inicial. E mesmo com as baixas na temperatura devido à súbita mudança de tempo na cidade e a insistente garoa, um numeroso e diversificado público se deslocou até a casa de shows para assistir às apresentações. No entanto, um detalhe que surpreendeu os interessados foi o fato de o horário de início ter sido antecipado de meia-noite para as 23h.

O primeiro grupo a subir ao palco foi o Raimundos, que tocou seus hits clássicos – como “Mulher de Fases” –, releituras de composições de outros artistas como “Vinte e Poucos Anos”, de Fábio Jr., e “Vida Inteira” – adaptação do célebre samba “O Meu Lugar” (Madureira), de Arlindo Cruz –, além de novos trabalhos, como “Gordelícia”. “Seja gordo, magro, careca, cabeludo, a gente tem que se amar do jeito que a gente é”. Ao longo da apresentação, foi inevitável a formação das famigeradas “rodinhas punk” (mosh pits) – aquele momento em que os fãs de rock começam a pular, ao estilo headbanger.

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Já pelo fim do show, após vários pequenos “protestos” originados pela atual situação político-econômica do Brasil, os integrantes da banda demonstraram não se incomodar com os “levantes” da plateia. “Quanto mais cedo a gente se interessar por política, mais cedo as máscaras vão cair”, o líder da banda afirmou. Depois de duas horas de concerto, os Raimundos deixaram o Palco Arena para que instrumentos e cenário do Capital Inicial fossem montados, enquanto o público ansiava pela próxima apresentação. Os membros da banda brasiliense assumiram o comando da noite por volta de uma e meia da madrugada, trazendo muitas surpresas para os fãs.

O show já começou em modo frenético com a intensa composição “Ressurreição” – do álbum “Das Kapital”, de 2010 –, que foi seguida por dois sucessos do grupo: “A Mina” e “Mais”. Na sequência, Dinho Ouro Preto “recepcionou” o público oficial. “Vocês não sabem a honra que é tocar aqui no Rio de novo”, ele afirmou. “Os nosso primeiros grandes shows foram aqui, então, este lugar, para nós, é solo sagrado. Por isso, sejam muito bem vindos”.

Em seguida, Ouro Preto explicou alguns detalhes que foram preparados especialmente para esta apresentação na Fundição. O líder do Capital contou que a apresentação seria dividido em duas partes: a primeira contendo o repertório do DVD, com músicas produzidas após 2002 – inclusive, utilizando o mesmo cenário, a mesma iluminação –, porém com arranjos diferentes; e a segunda parte teria trabalhos realizados antes de 2002. “Vão ser mais de duas horas de show! Eu espero que vocês tenham trazido óculos de sol, porque vocês só vão sair daqui quando o sol aparecer!”.

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Com esta programação, muitas canções que já não entravam na setlist dos concertos do Capital Inicial havia muito tempo, voltaram a ser tocadas, como “Olhos Vermelhos”, que ficou “engavetada” por cerca de dez anos, segundo Dinho Ouro Preto. O vocalista aproveitou a música “Melhor Do Que Ontem” para tecer comentários acerca dos escândalos de corrupção que tomaram conta dos noticiários. “É uma música sobre otimismo. Às vezes, é difícil… A gente abre o jornal, liga a TV e é só roubada. No entanto, cara, às vezes, tem uma notícia boa, como, por exemplo: o Cunha foi preso! Coisas boas acontecem”, diz Dinho, em tom de brincadeira.

Durante o show, o roqueiro também contou detalhes da produção do DVD, que teve participação especial de Seu Jorge e Lenine. Dinho revelou que o cantor nordestino queria aproveitar a contribuição em algumas das músicas para celebrar o rock n’ roll brasileiro, logo, a primeira ideia que passou pela cabeça de todos foi gravar uma música do Legião Urbana, e a composição escolhida foi “Tempo Perdido”, o que emocionou o público presente. “Faz vinte anos que o Renato [Russo] se foi. E não existe ninguém que chegue perto do que ele representa. Então, ele deve ser celebrado sempre”.

Ao longo da segunda parte da apresentação, os integrantes do Capital Inicial empolgaram ainda mais a plateia tocando os grandes clássicos do rock nacional – incluindo músicas compostas por Renato Russo na época do Aborto Elétrico, como a densa “Fátima” (a mais pedida pela audiência desde o início do show). “Uma vez, quando eu tinha dezesseis anos, eu estava voltando da escola e vi dos rapazes na porta de uma lanchonete tocando essa música em troca de um sanduíche. Um daqueles garotos era o Renato”, Ouro Preto narrou. “Voz, guitarra, bateria, tudo ligado no mesmo amplificador, mas dava para entender alguma coisa. Quando eu ouvi aquela letra, percebi que era a música mais bem escrita do rock brasileiro e pensei ‘o Capital tem que melhor muito ainda”.

As homenagens à mais famosa banda brasileira da história continuaram presentes até o final da noite. Antes do “hino” “Que País É Esse?”, Dinheiro Ouro Preto pediu que cada pessoa dedicasse a algum político brasileiro que seja motivo de indignação; o cantor declarou que, uma vez que Eduardo Cunha foi preso, a “bola da vez” seria Renan Calheiros. Quando a apresentação chegou ao fim, os membros do Capital Inicial se mostraram eufóricos por terem cumprido o prometido. “Duas horas e vinte e cinco minutos de rock n’ roll na cabeça de vocês!”, comemora Dinho. “Muito obrigado por terem vindo, por terem esperado e por gostaram da nossa música”. A princípio, o hino contra a corrupção seria o encerramento na noite, mas o público pediu mais, então o fim oficial foi um momento à capella da música “Mudaram As Estações”, mais uma homenagem a Renato Russo, um dos maiores nomes do rock brasileiro.


Daniel Deroza– 4º Período

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