Humor, o Ceará faz em casa

029673-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxDepois de uma estreia arrasadora no nordeste, a tempestade de sucessos do cinema cearense está chegando aos cinemas do resto do Brasil. Dessa vez, o diretor Halder Gomes – nacionalmente famoso pelo filme “Cine Hoolywood” – aposta suas fichas em “Shaolim do Sertão”, mais um longa pastelão que mistura lutas, piadas, contos do exterior e – principalmente – referenciais nordestinas em uma só história.

“O Shaolim do Sertão” não é só um filme comum. A história é carregada de conhecimento regional, de uma cultura que quase nunca é visto nas obras cinematográficas que são exibidas no Sudeste. E, assim como aconteceu com seu irmão mais velho – “Cine Hoolywood” –, é justamente esse tom cearense que torna o longa especial.

Contextualizando, Aluisio Li (Edmilson Filho) é um tímido padeiro do interior do Ceará que sonha em ser um mestre shaolim, mas é ridicularizado por toda cidade e até mesmo por sua família. Mas após o renomado lutador de vale tudo Tony Tora Pleura (Fabio Goulart) desafiar a honra de seu povo, Aluísio acaba se tornando a esperança de todos e parte para uma expedição ao interior, do interior, do estado para treinar – ou pelo menos tentar – suas habilidades ninjas.

Sim. O roteiro é bem clichê mesmo. E tem que ser. O longa faz referencias à outras obras, principalmente chinesas, a todo tempo. Beatrix Kiddo (Kill Bill), Bruce Lee e Yun-Fat Chow (O Tigre e o Dragão) são as principais referências de Aluisio Li, e assim como seus respectivos filmes, o treinamento é “o mesmo”, mas – é claro – adaptado a realidade cearense.

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Falando da parte plástica, o diretor buscou brincar bastante com a estética dos filmes antigos chineses. Em alguns quadros, propositalmente, a qualidade de gravação, os movimentos e as falas trash são repetidas. Outro resquício dessa interação entre nordeste e Ásia é a constante mesclagem de músicas chinesas com os tradicionais forrós cearenses. De maneira geral Halder Gomes fez, novamente, um bom trabalho, não ao nível “Cine Hoolywood”, mas ainda sim tem valor. Talvez o maior erro dele foi ter deixado outras pessoas escreverem esse novo roteiro, isso fez com que a história perdesse identidade.

O setor no qual o filme teve mais “gols marcados” foi o casting. O elenco, que é composto de estrelas como Marcos Veras, Bruna Hamu, Dedé Santana e Fafy Siqueira também contou com uma pontinha da youtuber Camila Uckers e uma super participação do músico e humorista Falcão, que interpretou o papel de “mestre shaolim” do sertão. Todos atuaram muito, mas muito, bem, até mesmo o jovem ator Igor Jansen, que viveu Piolho (o pequeno escudeiro de Aloisio) conseguiu com esmero fazer o que as crianças do Cine Hoolywood não conseguiram, falar com uma boa dicção, permitindo – assim – que os não-nordestinos entendam a mensagem.

Honrando a tradição do estado, “O Shaolim do Sertão” entrega sim um filme bom e muito divertido, forçado às vezes – é verdade – mas genial em outras. São por obras como essas – que não precisam ser escrachadas para fazer rir – que a indústria cinematográfica brasileira continua crescendo, até mesmo em épocas de crise. O humor vive.


Iago Moreira- 6º Período

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