Debate na praça São Salvador com Mino Carta e Paulo Henrique Amorim

O coletivo “À Esquerda da Praça São Salvador” promoveu na noite desta quinta-feira (06), em Laranjeiras, um debate sobre o Brasil atual, com a presença dos jornalistas Mino Carta e Paulo Henrique Amorim. O evento ocorrido na praça São Salvador teve início às 18 horas, com uma roda de samba dos amigos Eduardo Galotti, Flávio Feitosa, Makley Matos e Chico Francisco Abreu. O bate papo começou às 19 horas e abordou os rumos da política nacional, em especial o espectro da esquerda e a arquitetura do golpe contra o regime democrático brasileiro.

Demétrio Carta, conhecido no país como Mino Carta, nasceu em Gênova (Itália), em 1933. O jornalista foi naturalizado brasileiro, e atua também como editor, escritor e pintor. Já Paulo Henrique Amorim, nascido no Rio de Janeiro, em 1942, atua na Record desde 2006, à frente do Domingo Espetacular. O jornalista, também blogueiro e apresentador, escreve para diversos jornais e revistas do país, além de gerar conteúdo para o blog Conversa Afiada. Paulo Henrique teve passagens pela Editora Abril, e nos canais de televisão Manchete, Rede Bandeirantes, Rede Globo e TV Cultura.

Ao iniciar sua exposição, Mino considerou que retrocedemos, se considerarmos o panorama político que se desenrola desde a reeleição da então ex-presidente, Dilma Rousseff, em 2014. “O Brasil voltou a ser colônia. Fomos vendidos para o capital estrangeiro. Não reconheço mais o país”. Paulo Henrique, para encorpar o discurso de Mino, avalia que o ensino público brasileiro está passando por um processo desenfreado de destruição. “Estamos caminhado para uma privatização integral da estrutura da escola brasileira e isso é extremamente perigoso. Isso não pode acontecer. E ainda tem a questão da PEC 241 que é desastrosa”.  A Proposta de Emenda Constitucional 241 consiste no estabelecimento de um teto para os gastos primários do governo federal (saúde, educação, saneamento básico e etc.). Os gastos de cada ano poderão aumentar somente de acordo com a inflação do ano anterior. A proposta se aprovada, terá validade de 20 anos.

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Mino e PHA

Na sequência, Paulo Henrique declara que a mídia teve profunda atuação na arquitetura do golpe contra a democracia, ou seja, o processo instaurado com base em denúncia de crime de responsabilidade contra a ex-presidente. Aponta que a mídia golpista é encabeçada pela Rede Globo. “Nós não temos ainda a capacidade de avaliar a complexidade dos golpes sofridos pela presidente Dilma, mas um dos protagonistas foi sem dúvida a Rede Globo”.

Mino rebate Paulo Henrique e expõe que é necessário realizar um outro tipo de análise. “Sejamos realistas. Não realistas a favor do rei, mas a favor de nossas almas e de nossa inteligência. Devemos ser céticos com inteligência, e otimistas com cautela.  Nós todos somos responsáveis por este golpe.  Por esta situação que vem se desenrolando desde 2014”. Mino revela que o personagem capaz de mudar a perspectiva da política brasileira é Lula. Que ele desconhece o poder que tem. Que se tivesse se preparado desde a reeleição da ex-presidente, talvez não tivéssemos presenciado um processo de destituição ilegítimo.

Paulo Henrique finaliza dizendo que por enquanto, o trabalhador ainda não sente profundamente os efeitos da crise nos bolsos. Ainda negocia com os patrões e que consegue sobreviver de certa maneira com sua poupança, mas os efeitos da crise irão se intensificar. “Pode ser que haja uma reação e uma mudança palpável na visão política. Que em 2018, Lula seja reeleito ou que a pessoa que ele apoiar consiga este feito”. Ao final do evento, Mino e Paulo Henrique autografaram seus livros, “A Vida de Mat” e “O quarto poder: uma outra história”.


Laís De Martin – 8º Período

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