Cinema

Mudanças que atrapalham

008711.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxDepois que Christopher Nolan introduziu no mundo cinematográfico um Batman muito mais sombrio ao dirigir a trilogia de “Cavalheiro das Trevas”, todos os filmes da DC Comics passaram a seguir essa mesma linha. Longas mais monocromáticos, sérios e ‘adultos’, se contrapondo as obras de sua maior concorrente, Marvel, que produz história mais coloridas, alegres e ‘infantis’. Toda essa tendência vinha sido seguida a risca, mas tudo isso acabou hoje. Data em que a empresa decidiu revolucionar e seguir uma linha mais pop. Dessa experiência nasceu “Esquadrão Suicida”.

É verdade que filmes da DC não vem sendo bem recebidos há um tempo, levando muitos fãs a acharem que a mídia está tentando sabotar a empresa americana. Todavia, o que acontece na verdade, é que a produtora gasta milhões e milhões de dólares em marketing, elevando a expectativa dos fãs e – consequentemente – dos críticos, mas na hora de entregar o produto final, o que se vê de modo geral, é uma confusão de ideias mal aproveitadas.

Contextualizando, o governo americano decide reunir uma equipe de ‘meta-humanos’ e pessoas com habilidades especiais para montar uma equipe de defesa. Porém, por se tratar de um programa proibido internacionalmente, os governantes precisam fazer isso por de baixo dos panos e ter alternativas para concertar possíveis besteiras. A solução foi reunir um grupo de bandidos que, no pior dos casos, seriam culpados pelas missões. E se a ordem fosse seguida a risca, teriam suas penas reduzidas.

O problema é que em um determinado momento da trama, um problema muito maior aparece, algo que não estavam nos planos dos governantes. Para solucionar a adversidade, a equipe precisa se reunir ainda mais rápido e combater o mau. Se tudo isso não fosse suficiente, diversos outros obstáculos surgem no caminho dos personagens principais para atrapalhar a missão.


Até ai nada de diferente de velhas histórias de heróis… E é tudo igual mesmo!


O roteiro não é criativo e parece tentar colocar algumas piadas no meio da trama para tentar fazer com que o espectador não se sinta entediado. Isso sem falar que os tais ‘vilões’ são mais bondosos que voluntários da igreja. O desenvolvimento foi tão mal feito que a maioria dos personagens não possuem nenhum tipo de aprofundamento e foca todas as atenções nas maiores estrelas do elenco. Margot Robbie e, é claro, Will Smith.

Jared Leto – que deu dezenas de entrevistas falando que se envolveu tanto com o personagem que interpretou que não conseguia mais sair do papel – não convence. A verdade é que as únicas cenas do Coringa que precisam existir são as que explicam a transformação da Drª. Harleen Quinzel em Arlequina, as outras são extremamente desnecessárias. A personagem feminina, inclusive, também foi afetada por erros de roteiro, principalmente nas excessivas partes que fica repetindo que é louca, mesmo isso estando claro durante toda história.

SUICIDE SQUAD

Mas ninguém teve mais cenas extras do que Will Smith. O ator, que é um dos mais amados pelos brasileiros, até atua muito bem, mas a persistência em desenvolver sua sub-trama pessoal é tanta, que acaba não dando espaço para o resto do time. Com isso, o tal “Esquadrão”, acaba sendo só uma turminha que segue as ordens do Deadshot (personagem que o artista interpreta no filme).

David Ayer – famoso por comandar o recente filme “Corações de Ferro”, de Brad Pitt – foi capa dos sites de notícias internacionais ao mandar a Marvel “ir para aquele lugar…” semana passada. Essa atitude, que na verdade foi uma grande propaganda, o deixou em uma posição delicada, uma vez que se não entregasse um bom trabalho, ia ser fortemente criticado. Bom, o resultado todos já sabem. O diretor e escritor não conseguiu evitar a avalanche de críticas e está vendo sua obra conseguir somente 29% de aprovação no Rotten Tomatoes, site americano que mede as notas de sites de cinema internacionais, até o momento (dia do lançamento desse texto).

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No fim das contas “Esquadrão Suicida” só vai agradar aos super fãs da DC, ao público que gosta desse visual mais colorido e aos jovens que adoram os artistas do caríssimo elenco. Para todo o resto, é bem possível que o longa ganhe o título de pior blockbuster do ano. E como último comentário: não saia do cinema quando começarem os créditos, pois existem mais cenas no fim, importantes para a construção do universo de heróis da DC.


Iago Moreira- 5º Período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

3 comentários em “Mudanças que atrapalham

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