Esporte

O calor da corrida

No último dia de evento-teste para os Jogos Paraolímpicos do Rio, dezenas de atletas brasileiros entraram não só para conseguir mais uma medalha que ficará pendurada na estante, mas sim para provar para a nação que a classe de esportistas com deficiência são as que trarão mais medalhas para o povo. O que eles não sabiam é que o maior adversário do dia não seria os outros velocistas e sim um personagem muito comum no dia-a-dia do carioca. O sol.

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Lorena Salvatini passa mal depois da prova. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

Na primeira final do dia, Lorena Salvatini Spoladore venceu a brasileira Jhulia Karol dos Santos e as competidoras angolanas Befilia Buya e Esperança Fala Gicasso, garantindo o lugar mais alto do pódio do T11. Apesar da vitória, campeã sentiu fortes dores nos pés depois da prova e precisou ser auxiliada na saída da pista. Na outra final dessa mesma categoria, outra brasileira saiu ganhadora. Thalita Vitória se manteve à frente durante boa parte do percurso, vencendo as outras duas atletas com quem competia. No entanto, o esforço de uma prova de alto rendimento somado ao forte calor carioca resultou em um intenso mal-estar que fez com que Thalita precisasse ser carregada para fora do local de competição.

Jerusa Geber dos Santos, que disputou a mesma categoria de Thalita e ficou com a segunda colocação, disse estar satisfeita com o desempenho, principalmente por ser uma modalidade na qual ela não costuma concorrer. “Está dentro do esperado. Poderia ter feito melhor, mas fica para a próxima. Está bom. Minhas provas favoritas são os 100m e os 200m”, comenta a atleta.

Nos 400 metros rasos masculino T11, o brasileiro Felipe de Sousa Gomes – que compete na categoria desde o ano passado – chegou em primeiro lugar e contou que está foi a primeira vez que disputou a modalidade com seu novo guia, Jonas Alexandre de Lima Silva. “A gente não sabia o que esperar. E, graças a Deus, deu tudo certo. O tempo foi bom e, agora, é aprimorar para as Paraolimpíadas”, completa o campeão.

Uma das provas mais aguardadas era a disputa dos 400 metros rasos feminino (T47), onde as brasileiras Teresinha de Jesus  e Yara Fernanda da Silva enfrentaram duas atletas chinesas e duas russas. Contudo, a vencedora foi à favorita, Teresinha, que mesmo sentindo fortes dores concedeu uma breve entrevista. “A gente trabalhou bastante para isso. E essa dor que eu estou sentindo é muito gratificante. Só tenha a agradecer a todos que colaborou com esse trabalho”, declara a velocista, ainda ofegante.

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Teresinha (esq.) desaba ao lado de russa devido ao grande calor. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

Nos 1500 metros masculino (T20), o brasileiro Yagonny Reis de Sousa, apesar de ter vencido a prova, declarou não estar totalmente satisfeito com o desempenho. “Não consegui um tempo mais baixo. Eu senti um pouco de dor e cansaço nas pernas, então não deu pra desenvolver uma velocidade legal no final”, revela o atleta.

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Yagonny Reis de Sousa conferindo o tempo da prova. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]
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Verônica Hipólito exausta ao fim da prova. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

Em outra disputa dos 400 feminino (T38), a brasileira Verônica Silva Hipólito venceu, com 1min4seg, a alemã Isabelle Foerder. Após a prova, a campeã – que é uma das principais representantes do Brasil – afirmou que está se ditando à preparação para os Jogos Paraolímpicos. “Eu estou me esforçando; pode ter certeza que eu vou dar o meu melhor”, completa a velocista, que aproveitou para convidar o público, “Galera, vem torcer, vem conhecer!”.

A fala de Hipólito converge com a opinião de Daniel Mendes da Silva, que compete na classe T11. Ele afirma que os esportes praticados por indivíduos deficientes ainda não recebe a devida divulgação e atenção, tanto da mídia quanto da população, em solo brasileiro, porém, o atleta acredita que com os Jogos Paraolímpicos acontecendo no Rio de Janeiro, uma janela maior se abra entre o desporto e o grande público.

No final da manhã, três provas de revezamento foram realizadas, e em todas as equipes brasileiras consagraram-se campeãs – inclusive, o atleta Alan Fonteles, que já havia se destacado no evento na última quinta-feira, integrava um destes grupos –, provando que apesar do intenso calor da capital carioca – o qual afetou vários competidores hoje – os representantes do Brasil têm grandes chances de encerrarem as Paraolimpíadas com muitas medalhas.

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Equipe brasileira do revezamento 4x100m T42-47 saudando os torcedores presentes. [foto: Iago Moreira/Agência UVA]

Daniel Deroza– 3 período
Iago Moreira– 5 período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

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