Fernando Lindote e a cultura brasileira

Quem não conhece o Zé Carioca? A simpática ave criada pela Disney como forma de minimizar a visão imperialista que os brasileiros tinha sobre os Estados Unidos é, sem dúvida, a estrela da exposição “Fernando Lindote: trair Macunaíma e avacalhar o papagaio” em exibição no Museu de Arte do Rio.

Zé Carioca em sua representação mais conhecida

Zé Carioca

Tanto que suas representações em telas, esculturas ou quadrinhos são as que mais chamam a atenção dos visitantes – crianças e adultos. Para os mais crescidos, como os médicos Mona e José Costa, a exposição proporciona uma viagem no tempo. “São peças divertidas e curiosas que relembram a infância”, contam os turistas de Pernambuco.

Entretanto, a proposta aqui não é fazer uma viagem pela memória infantil, e sim discutir a identidade cultural brasileira. Na obra de Lindote, o Zé Carioca se encaixa de duas maneiras. A primeira é o fato de o papagaio ter sido sua introdução à arte. Seu ilustrador no Brasil, Roberto Canini, foi o grande mestre do autor e também quem “avacalhou” o personagem norte-americano, colocando-o no contexto histórico, geográfico e social brasileiro.

Já a segunda maneira em que o Zé Carioca se encaixa na obra de Lindote é mais específica à exposição. Em sua proposta de refletir a formação da identidade cultural brasileira, Lindote questiona que identidade é essa que tem por base a importação de figuras e elementos de outras culturas.

Afinal, Zé Carioca é naturalmente norte-americano e foi incorporado ao cenário brasileiro de tal forma que muitos se esquecem disso. O mesmo caso se aplica ao índio Macunaíma. Na literatura brasileira, ele é a representação de um povo preguiçoso, um anti-herói. Enquanto na cultura indígena, é um deus amazônico, filho do sol e da lua. Macunaíma foi traído por Mário de Andrade, por Lindote e por todos nós.

A exposição ainda conta com obras de outros autores e outras peças de Lindote que se caracterizam como modernistas – outro movimento que buscou formar a identidade cultural brasileira – e exploram o imaginário e o fantástico de sua arte. Os visitantes também podem deixar suas marcas, sejam criando figuras de origami com papéis disponíveis no salão ou criando suas próprias histórias em quadrinhos em um quadro negro.

A exposição “Fernando Lindote: trair Macunaíma e avacalhar o papagaio” fica em exibição no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, até o dia 03 de abril. O ingresso custa R$10 (R$5 a meia entrada) e permite o acesso a todas as exposições no museu. Nas terças, a entrada é gratuita. Para mais informações, acesse: museudeartedorio.org.br.

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Nathália Araújo – 7º Período

 

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