
Mais de 20 mil pessoas participaram do viradão de inauguração do Museu do Amanhã, nos dias 19 e 20 de Dezembro, na Praça Mauá. O espaço, erguido sob os pilares éticos da sustentabilidade, conta com atividades educativas, laboratório de experiências em inovação e um observatório, além de possuir uma programação cultural intensa. Quem somos? De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? Como queremos ir? Estimular esse questionamento é o objetivo do museu.
O projeto foi financiado pela participação pública privada e o valor estimado da obra foi de 230 milhões de reais. É um prédio de arquitetura complexa, pois a estrutura de aço que cobre o museu tem painéis de captação de energia solar e acompanha o movimento do sol, gerando 16% da energia do estabelecimento. Além disso, os espelhos d’água compõem um sistema que capta água do mar para ser usada na refrigeração do edifício e depois a devolve à Bahia de Guanabara.

“Somos um museu de ciências que convida a examinar o passado, conhecer as transformações atuais e imaginar cenários possíveis para os próximos 50 anos. Um espaço que reflete sobre sustentabilidade e convivência. O visitante poderá ter noção de certos cenários, como por exemplo, que a diminuição de gases de aquecimento na atmosfera é necessária para a futura normalização do clima”, relata o curador do Museu do Amanhã, Luiz Alberto Oliveira.
Cosmos é o nome de uma das cinco áreas do prédio, onde o visitante poderá assistir ao filme sobre o surgimento da vida. Por meio de uma cúpula de 360°, tecnologia fulldome, a interatividade permite que a pessoa se projete no ambiente do vídeo, observando as galáxias e a formação da Terra. Já no espaço relativo a quem somos há três cubos: da matéria, da vida e do pensamento. No primeiro a formação dos continentes é explicada com o objetivo de mostrar que nada é imóvel, mas está em transformação. O cubo da vida demonstra como funciona o material genético e no do pensamento aprendemos como ele é organizado.
A parte mais importante do museu, segundo o curador, é o Antropoceno, a Era em que estamos. Hoje sabemos que o conjunto das nossas atividades afetará todo o planeta e, portanto, a sustentabilidade tem sido um tema constantemente debatido. “Lançamos mais partículas na atmosfera do que a média de habitantes. E em um século mudamos o curso de todos os rios e bacias hidrográficas dos continentes. A humanidade se tornou uma força de transformação em escala planetária. Vivemos em um momento decisivo na história da humanidade”, diz o curador.
“Amanhãs” é o espaço para repensarmos para onde vamos. O museu apresenta seis grandes tendências para as próximas décadas e tem como compromisso atualizar o acervo conforme a tecnologia evoluir. Em relação à população mundial, a estimativa é que em 2050 sejam 10 bilhões de pessoas, tendo mais idosos e jovens. Assim, a pirâmide etária se modificará e precisará ser reorganizada para contrabalançar a população economicamente ativa com o restante da população.
“A próxima medida do museu será o sistema de monitoramento da Bahia de Guanabara, que já está começando. Temos um acordo com 12 universidades, entre a UERJ, UFF e UFRJ cada uma delas supervisiona um componente da Bahia. Queremos ser a divulgação desse processo de controle. Vamos comparar com os dados internacionais da Bahia de Boston de Sidney, as estimativas dos ganhos econômicos sociais”, menciona o curador.

O último espaço é o “nós”, onde a sensibilidade do visitante é explorada por meio da chamada “oca do conhecimento”. Nela há jogo de luzes com sensores acionados conforme os movimentos, aliados a uma sonoplastia para ambientar ainda mais o visitante. O único objeto do local é o Churinga, próprio da cultura aborígene australiana. Trata-se de uma ferramenta que assegura a continuidade do conhecimento entre as gerações, por fazer a ligação entre presente, passado e futuro. Este é justamente o objetivo do Museu do Amanhã.
“Antes da revitalização do porto não chegava perto daqui, pois tinha muita prostituição e assaltos. Hoje recebi várias dicas do museu sobre reciclagem. E gostei muito da oca de madeira, pois adoro artesanato e a cultura indígena. Devemos valorizar mais as nossas raízes e também pensar no amanhã que queremos”, afirma Maria do Nascimento Tavares, manicure.
Além dela, a cubana com três anos morando no Brasil não havia visitado a região do cais do porto. “Estava muito ansiosa para conhecer o museu. Precisamos de um ambiente para refletir sobre o que queremos para o futuro do planeta. A mudança de hábito da sociedade para a sustentabilidade deve partir de cada um de nós”, comenta Ana Isa Pérez, doutoranda em vigilância sanitária.
Além disso, mesas interativas com experiências táteis, sonoras e visuais estavam presentes no museu. Drones, robôs interativos, sensores e impressoras 3D foram expostas. “Estou implementando em sala de aula um modelo de tabela periódica 3D para melhorar a aprendizagem dos alunos. Os elementos em relevo da tabela têm relação com a eletronegatividade, substituindo as setas dos livros didáticos. Caso o aluno não enxergue, poderá usufruir dessa experiência sensória para compreender melhor o conteúdo”, relata o professor de licenciatura de química da UFRJ, Ricardo Michel.

Buscamos fomentar uma mudança de postura, por meio das informações contidas nos espaços. Estamos lidando com o meio ambiente e com quais serão as perspectivas para o amanhã. Os visitantes podem interagir a partir dos jogos e exposições para adentrar nesse universo. Nós somos os agentes da natureza. Somos responsáveis por essas mudanças, comenta Hugo Naidin, funcionário do departamento de comunicação do Museu do Amanhã.
Luiza Esteves – 5° período

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