Dualidade de Picasso

A exposição “Picasso e a Modernidade Espanhola” traz uma variedade de obras, que deram início ao cubismo e influenciaram muitos artistas. O ponto principal da exposição são os diversos rascunhos que originaram “Guernica”, sua obra mais famosa. A dualidade presente não é o mesmo que um paradoxo. É, na verdade, um par de ideias que se complementam e formam seu estilo.

Mulher Sentada Apoiada sobre os Cotovelos (Foto: Coleção do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofía, Madri/Divulgação)

Mulher Sentada Apoiada sobre os Cotovelos (Foto: Coleção do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofía, Madri/Divulgação)

A mostra começa levando o público para o mundo da renúncia a perspectiva única, marca característica dele, um labirinto de espelhos com deformações. No ambiente seguinte, a mulher é a grande inspiração do pintor, demonstrando suas tentativas de capturar a essência da figura feminina com sua beleza sensual e intelectual, que para ele se equiparam.

“As mudanças de estilo do pintor podem ser atribuídas à chegada de um novo amor, ao fim de um antigo romance, ou aos dois ao mesmo tempo”, disse Carlos Von Schmidt, crítico de arte e autor de “Na Cama com Picasso”.

Na próxima sala, um breve vídeo mostra o contexto em que “Guernica” foi pintada, a Guerra Civil Espanhola. Todo o fluxo de pensamento passado na mente de Picasso e toda a dor e sofrimento que ele sentiu ao vivenciar a guerra são reproduzidos em seus rascunhos. A obra representa um clamor pela paz que se eternizou de forma artística. Ela, porém, continua no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri, mas praticamente todos os esboços estão presentes na exposição do CCBB.

O ambiente “Minotauromaquia” ilustra o alter ego de Pablo Picasso, ou seja, uma segunda personalidade dele mesmo, a qual ele costumava representar com bastante frequência em suas obras, misturando real e irreal, vida e morte.

Por fim, os visitantes são convidados a acompanhar algumas obras de outros artistas que foram influenciados pela genialidade de Picasso. Desde esculturas e suas óbvias referências ao dualismo, até pinturas mais expressionistas com alusão as suas obras, todos aqueles pintores tiverem algum tipo de influência vinda do artista.

Cabeça de Cavalo (Foto: Coleção do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofía, Madri/Divulgação)

Cabeça de Cavalo (Foto: Coleção do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofía, Madri/Divulgação)

Pablo Picasso tinha uma visão surrealista, com um tom expressionista e uma estrutura cubista, claramente revelando sua forma peculiar de misturar tradição artística e experiência pessoal. “Dê-me um museu e eu irei preenchê-lo”, dizia o pintor, e é exatamente isso o que acontece anos após sua morte. Parte da história da arte foi inteiramente escrita por ele, o público pode vivenciar todos os seus sentimentos reproduzidos nos quadros.

A exposição fica no CCBB de quarta até segunda das 9h às 21h até o dia 7 de setembro, depois desta data os mesmos quadros só poderão ser vistos na Espanha.

Por: Luana Feliciano

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