Entrevistas

A advogada do jeans

Para Lu Catoira, o estudo do jeans veio de uma curiosidade em saber como o tecido continua atual
Para Lu Catoira, o estudo do jeans veio de uma curiosidade em saber como o tecido continua atual

A moda é vista por muitos como fugaz e temporal. As chamadas “tendências” vão e voltam diversas vezes. Porém, há uma pessoa que defende um material específico do universo fashion dessas denominações: Lu Catoira. Jornalista e produtora de moda, é autora de dois livros sobre o tradicional e famoso jeans. O primeiro lançamento, em 2006, tem como título “Jeans, a roupa que transcende a moda” e conta a história dessa peça dentro do sistema da moda. O segundo, intitulado “Moda Jeans, fantasia estética sem preconceito”, lançado em 2009, é uma leitura de comportamento por meio do jeans.

No mercado da moda há mais de 30 anos, Lu caiu de paraquedas nesse meio. Antes da moda fazer parte por completo de sua vida, fazia reportagens sobre decoração e educação para a revista de Domingo do JB, pesquisava para o Almanaque Abril, escrevia sobre artesanato para a revista Mulher de Hoje e tinha uma coluna de Marketing na revista Desfile Coleções, ambos da Editora Bloch, além de escrever sobre negócios para a revista Senhor, da Editora Três, e ter uma coluna de negócios de moda na revista Moda Brasil.

A partir daí, entrou para o mundo da moda e nunca mais saiu. Seu trabalho foi se ampliando de repórter para produtora, depois coordenadora, editora e, por último, professora. Ficou durante oito anos na Editora Globo, escrevendo para Criativa e Moda Models. Teve de sair quando o mercado da moda carioca começou a enfraquecer, fechando revistas e editorias e permanecendo somente no Estado de São Paulo, o que acontece até hoje. Fez parte do Núcleo de Moda da Universidade Cândido Mendes e, nos anos 90, foi convidada a ser editora de moda das revistas Desfile e Pais e Filhos, pelo diretor da Editora Bloch, Roberto Barreira.

Permaneceu durante quase nove anos como editora, saindo um ano e meio antes da falência total da empresa. Após isso, começou a fazer produção de moda para o Jornal de Bairros, d’O Globo, e iniciou sua carreira acadêmica dando aula na Universidade Estácio de Sá e na Faculdade Senai-Cetiqt, no qual foi coordenadora do curso de Design de Moda e hoje em dia só volta a cada semestre para dar aulas de jornalismo de moda e produção de moda nos cursos de extensão e pós graduação, nos campi Barra da Tijuca e Riachuelo. Como atualização profissional, fez MBA de Gestão de Moda na Faculdade da Cidade e Moda e Figurino na Universidade Estácio de Sá.

livrosMas foi fazendo pós-graduação de Educação Estética na Unirio que surgiu a ideia de escrever sobre o jeans. “Queria pontuar minha monografia em cima de uma case em moda, então, pensei, em primeiro lugar, falar sobre a história geral, mas meu orientador me aconselhou focar em algo mais específico”, diz ela. “Assim, veio a ideia do jeans, que mesmo tendo mais de 150 anos, é um produto jovem e está sempre se renovando”. Com isso, acreditou que o jeans pudesse ser um elemento de pesquisa inédito e interessante. Foi elogiada pela banca e indicada para que o trabalho fosse publicado. Continuou suas pesquisas e o mesmo aconteceu no final da pós em Marketing de Moda, na Universidade Anhembi Morumbi, quando lançou o segundo.

Atualmente, além da vida como professora, Lu, diante de toda simpatia, humildade e conhecimento que poucos têm sobre esse universo, dá diversas palestras pelo Brasil, monta produções de moda, presta consultorias para empresa e produz matérias para sites, revistas e jornais, como O Globo e World Fashion. Personagem certo nos principais eventos e semanas de moda do país, a advogada do jeans faz parte  dos livros “Plugados na Moda” e “46 Livros de Moda” e é verbete em “O Brasil na Moda”, de Paulo Borges e no “Dicionário da Moda”, de Marco Sabino.

Amanda Kroff – Jornalismo Digital – 6º Período

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