O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar na próxima quarta-feira, dia 17, o recurso que questiona a obrigatoriedade do diploma para a prática de jornalismo. Elaborado pelo sindicato das empresas de rádio e televisão no Estado de São Paulo (Sertesp), o Recurso Extraordinário RE 511961 já teve seu julgamento adiado duas vezes por falta de tempo e é motivo de grande polêmica entre os profissionais da comunicação.
O assunto é vasto e divide opiniões. Se por um lado têm aqueles que defendem o diploma em nome de uma qualidade e conhecimento que só podem ser adquiridos na Academia, outros acreditam que essa obrigatoriedade só serve para cercear a liberdade de expressão, como um resquício da ditadura militar, que impôs a formação superior como forma de controlar as críticas ao governo.
O jornalista Luis Carlos Bittencourt, coordenador do curso de comunicação da Veiga, acredita que a questão vai além da necessidade do diploma. Para ele, a formação permite que o profissional esteja melhor preparado para enfrentar o mercado de trabalho.
“Sou favorável a um preparo para exercer a profissão da melhor forma possível. Antigamente, os jornalistas aprendiam o que era notícia, como se fazia um lead na prática, mas hoje são poucas as empresas que oferecem treinamento. As universidades estão muito melhores preparadas para treinar o jornalista”, afirma.
Já a presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito, afirma no site da associação que a obrigatoriedade vai contra os interesses gerais da sociedade, além de empobrecer o jornalismo ao impedir que outros talentos exerçam a atividade.
“São muito bem-vindas as boas escolas de jornalismo, pois ajudam a qualificar quem deseja exercer a profissão, mas é um equívoco imaginar que só os que passam por elas serão bons profissionais. Jornalismo não é uma atividade técnica, como medicina ou engenharia. Ele se baseia, sobretudo, no talento e na formação humanista”.
É claro que a discussão não é tão simplista. Várias outras questões como ética, legislação e salário surgem para enriquecer o debate. O importante é que todos estejam atentos ao que será decidido amanhã, pois certamente afetará a sociedade como um todo.
Paula Penedo • 7º Período
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