Comunicação

Além da diversão, muita responsabilidade

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É normal imaginar que em uma editoria de turismo tudo são flores, praia ou esqui na neve. Mas a realidade por trás do processo para escrever uma matéria turística é bem diferente. O que não significa que não haja encantamento.

Ao olhar para de um caderno de turismo, não há como resistir à vontade de estar naquela foto maravilhosa que sempre sai na capa. São viagens incríveis e fascinantes: diferentes paisagens, culturas, línguas, costumes, fisionomias… Uma diversidade que encanta! Mas quem imagina que para fazer uma cobertura turística só é necessário passear, está viajando. O trabalho neste tipo de editoria é bastante intenso.

A apuração de uma matéria de turismo visa a abranger todo o universo relacionado a viagens. E isso compreende inúmeros detalhes.

O Boa Viagem, do jornal O Globo, é um caderno semanal, – sai toda quinta-feira – que tem a intenção de mostrar roteiros de viagem da forma mais completa possível. É o que explica Ana Lúcia Borges, de 28 anos e repórter do caderno há quatro: “O Boa Viagem pretende apresentar ao leitor um destino com tudo que isso envolve: entretenimento, cultura, clima, gastronomia, atrações, hospedagem etc”, exemplifica.

Além da matéria de capa, são feitas também outras pequenas matérias de turismo que preenchem o caderno. Há também prestação de serviço. Neste caso, as reportagens falam sobre como tirar seu passaporte ou como planejar sua viagem usando a internet, por exemplo.

São apenas quatro profissionais na equipe: dois repórteres, um editor assistente e uma editora-chefe se revezando em viagens. O fotógrafo vai quando é incluído no convite. Na falta dele, é o repórter quem faz as fotos do local. Isso significa ter, em média, uma viagem com duração de uma semana, para qualquer lugar do mundo, a cada três semanas. Portanto, curtir os momentos em casa é imprescindível: falta tempo para dividir entre família, namoro, amigos e obrigações cotidianas.

No total, o Boa Viagem pode variar entre 36 e 52 páginas e a reportagem principal pode ter 10 páginas, ou mais. Para ter tanto o que escrever, os repórteres usam as anotações – feitas no bloquinho durante as apurações – e dividem o conteúdo em temas, para que a matéria fique mais organizada. Isso porque eles têm a consciência de que o texto que escrevem pode se tornar o roteiro de férias dos leitores.

Tudo tem que estar em sintonia!  Daí a necessidade de fazer um planejamento. Algumas matérias saem de acordo com datas importantes. No dia dos namorados, por exemplo, o caderno mostrou um roteiro de passeios românticos para serem feitos em Londres, na Inglaterra.

Sem dúvida, o jornalista que cobre turismo vê lindas paisagens, adquire muita cultura e experiência de vida. São atividades inimagináveis para qualquer mortal: vôo de helicóptero na Patagônia, trilha no Jalapão, safári na África do Sul, roteiro de parques em Orlando e viagens ao Tahiti, Cartahenna, Paris, Fernando de Noronha, dentre outros.

Ao mesmo tempo em que é prazeroso e incrível desbravar lugares onde um número enorme de turistas passeia todos os anos, o trabalho é bastante desgastante. “É muito pesado! Trabalho 15, 16 horas por dia. Não existe glamour no jornalismo, muitas vezes tenho que trabalhar de madrugada”, desmistifica Ana Lúcia.

É verdade que normalmente as viagens são feitas a convite, ou seja, com tudo pago. Mas não há conchavo. “Jornalismo turístico não é jabá, não é troca de favores. Se ficarmos hospedados em um lugar que não tem um bom trabalho, ele não é citado na matéria”, enfatiza a repórter lembrando que o compromisso do jornal é com o leitor.

O grande objetivo é cativar quem está lendo, para que desperte interesse em conhecer o destino que está sendo explorado. E apresentá-lo de uma forma imparcial, com prós e contras. “Mais do que falar de uma data ou do tamanho de um lugar, eu procuro fazer com que o leitor se sinta lá: descrevo as cores, o cheiro, a relação com as pessoas e tudo que vejo. Acredito que isso que dá o molho da matéria”, explica Ana, que diz amar seu trabalho com um sorriso enorme no rosto.

A preocupação com o detalhamento é tão grande, que mesmo mostrando as belezas, o lado ruim também é citado. “Se houver problemas, também é falado. A África do Sul é um lugar belíssimo, mas tem criminalidade. Dou as dicas dos cuidados que as pessoas devem tomar nesses lugares. Os mesmos cuidados que tomei quando estive lá. Tenho que falar a verdade”, explica a jornalista.

Esse tipo de matéria tem como característica uma leitura leve e prazerosa que, apesar de extensa, não é cansativa. Ana revela o porquê: “Vou aos lugares, visito, volto e escrevo como se estivesse contando para um amigo”.
Matérias de turismo agregam cultura para quem escreve e para quem lê. E despertam uma vontade quase incontrolável de conhecer o mundo todo. Incontestavelmente, cuidado e dedicação somados à diversão fazem toda a diferença.

Flávia Martins• 6º período • Jornalismo Digital

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Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

1 comentário em “Além da diversão, muita responsabilidade

  1. Avatar de Bitt

    Olá, Flávia. Parabéns pela matéria. E pela foto de Ana Lúcia, que eu não via há muito tempo. Foi minha aluna durante 7 perídos da faculdade. E ótima aluna. Como vocês que estão fazendo acontecer a disciplina Jornalismo Digital e o agênciauva. A matéria poderia ser utilizada, com alguns acréscimos, também no Folha da Veiga. Vou falar com a Érica.
    Abs.
    Bitt

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