Comportamento Geral

O termômetro do trabalhador

As pessoas ficam divididas quando o assunto é o mercado de trabalho. A idéia de que “não está tão bom” é quase unânime, os comportamentos é que são, em muitos casos, divergentes.

De um modo geral, a questão do (des) emprego no país é muito comentada e criticada por todos que convivem direta ou indiretamente neste meio. Para Hermínio Silva, 47 anos, é melhor não reclamar daquilo que se conquista e aceitar com normalidade a profissão que se tem. “Sou auxiliar de serviços gerais e para mim tá bom. Ganho um salário mínimo, para que vou ficar chateado?”, ainda indaga o resignado trabalhador.

No âmbito dos que aspiram um novo ou o primeiro emprego, encontramos mais diferenças. Pedro Antônio, 28 anos, é estudante de Marketing e diz que já participou de vários processos de emprego e com tantos insucessos, se acomodou. “Hoje se aparecer algo será muito bom, mas não procuro mais, fiquei muito frustrado”.

Em contrapartida, o comerciante João Luiz, 30 anos, conta a sua luta para ter tudo que sempre almejou. “Sempre gostei de eletrônica e informática. Com 10 anos já sabia consertar TVs, cheguei a trabalhar na Petrobras, mas não queria ser mandado e pedi demissão, só serviu para estágio na faculdade. Hoje sou técnico de informática e dono de quatro lojas (duas de informática e duas de games)”, conclui o vitorioso micro empresário.

Idade também não pode e nem deve ser empecilho para quem quer trabalhar e logicamente ser feliz. Essa é a linha seguida pela auxiliar de serviços gerais Nely Camargo, 61 anos, que sabe a dificuldade de ter uma oportunidade de crescimento, mas nunca está resignada. “Temos muita coisa para melhorar no país, mas não adianta reclamar nem colocar a culpa no patrão. Se fizer por onde e tiver potencial, o crescimento é inevitável”. Ela não se acomoda mesmo, é do tipo “sou brasileiro e não desisto nunca”. Além do seu emprego que lhe remunera R$415, Nely faz serviços extras. “Trabalho também fazendo doces e salgados para festas, faxinas por fora e dessa maneira já ajudei muitas pessoas, todas bem encaminhadas. Teve gente indicada por mim que começou como boy e hoje é o gerente da empresa”, enfatiza.

É uma verdadeira lição de vida desta senhora, que é formada em técnica de enfermagem e não se vergonha de exercer a função de faxineira. “Nem foi pela necessidade, se atualizar e aprender é sempre importante na vida, independente da idade”.

Por Raphael Abreu  6º período • 07/09/2008 (Jornalismo Digital)

Avatar de Desconhecido

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

0 comentário em “O termômetro do trabalhador

Deixe um comentário